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Friday, July 13, 2018

O Comandante Guélas - Série ISEFL 5 - O Gato





Comandante Guélas

Série ISEFL 5


Os primeiros felinos a chegar à Lousã foram os famosos cobridores da Turma 2, o colosso Bezerra e o colossal Parrilha, que abancaram na esplanada do “Gato” com as garras de fora, prontos arranhar alguma fêmea mais atrevida. Mas acabou por lhes cair na rede o político Anselmo, que mostrou não estar habituado às rotundas, mais ovais do que na terra dele, acabando por bater o recorde da zona, a do primo surdo mudo do João Destravado:

- O vereador deu 7 de seguida sem ver a luz do dia, - informou mais tarde o Professor Doutor das Caldas.

Mas não ficou por aqui, telefonou para o 112 interno confidenciando não estar actualmente habituado a orientar-se no asfalto. O Parrilha enviou-lhe as coordenadas, uma fêmea a levantar dinheiro no multibanco junto ao “Gato”, que já tinha sido molestada mentalmente pelo socorrista. O almoço teve de ser momentaneamente atrasado devido a um telefonema urgente que o comendador vereador e professor nas horas livres, Arquiteto Anselmo, recebeu, de um barco turístico algures no Mediterrâneo:

- Os italianos não te deixam despejar a carga? Mohamed leva o carvão para o porto de Valência e não me chateeis mais, senão mando aí o Parrilha e vais direto para as Caldas onde te esperam trinta matulões com um lacinho nos … calções!

O mais politizado dos descendentes da turma 2 estava agora ligado a causas humanitárias, uma recordação do passado com mongas, como a construção de um condomínio fechado no Montijo para acolher o pessoal perseguido dos Somália Papers. O reformado Pedreta estivera pouco tempo na esquerda, pois a queda na falésia levara-o directamente para a extrema direita, sendo a Casal 125 uma prova da sua passagem pelos Hell Angels da Brandoa, com direito a fazer propostas libidinosas, em alemão, às enfermeiras que o trataram durante os dias negros. A Beta para homenagear o único isefiano da turma 2 que não esteve presente por estar a tentar afogar mongas na piscina do hotel, para poupar dinheiro ao SNS, desaparafusados estes que já tratam por tio o Corista quando o visitam na Beloura, pois o resto dos colegas estava em greve há mais de um mês, fez um soberbo bolo de bába, muito apreciado pelos presentes. Mas o Anselmo estava imparável, como é bem visível nas fotografias:

- Mohamed leva o “Aquarius” que não dá nas vistas, e vai ajudar os pobrezitos. Diz-lhes que és do “SOS 5000 euros”!

Foi notada a semelhança nas diopetrias de todos os carecas presentes, que prometeram solidariedade com o agora candidato do Montijo ao Prémio Nobel da Paz, uma vez que o da Literatura estava suspenso devido aos comportamentos libiniosos do Parrilha, que insistia em ter sido o melhor judoca e dançarino da Turma 2 do ISEF dos anos oitenta, cuja assistente ainda lhe estava a dever a gasolina. E para mostrar que continuava dono e senhor dos atributos exclusivos dum natural das Caldas, desafiou o comendador para uma corrida de paquetes, no próximo almoço, no rio Douro:

- Tu trazes o teu outro Repimpa, o “Lifeline”, e eu o meu rabelo, e vamos ver quem é o campeão aquático da turma 2!

- E é obrigatório levar uma musa na proa, como no Titanic, - desafiou o empresário de cruzeiros do Mediterrâneo, rindo-se com desprezo.

A sorte calhou a dois pesos pesados do ISEF, no Rabelo do Parrilha ia o atlético Jackes e no Repimpa do Anselmo o hercúleo Bezerra. Mas a Paula e a Guida aperceberam-se que algo não estava a bater bem com o Pedreta, pois repetia as frases duas vezes, e culpava o bolo pelo sucedido:

- Aposto que nos vai mandar as fotos do almoço duas vezes, e depois culpar o computador, - comentou a anfitriã.

Uns dias depois:

“Caro Pedreta, acabo de receber pela segunda vez as fotos. Pela experiência que tenho a lidar com malta do teu clube, deves estar a pensar que é a primeira vez. Estás no bom caminho, vejo que as atividades desportivas dos reformados aí da zona (Dominó e Pão ao Pombos) estão a fazer-te bem !
Um abraço

Stor Monga”






Friday, April 06, 2018

O Comandante Guélas - Série Colégio Militar 85 - O Milagre da Luz







O Comandante Guélas

Série Colégio Militar



Quarenta anos após a saída o curso de 1971/1978 regressou às origens. O Colégio Militar sempre foi um paradoxo, porque admitia a possibilidade de existirem alunos nas suas margens, que eram diariamente confrontados com uma realidade mais rica que as restritivas prescrições, por isso tinham a capacidade para inquietar este espaço dinâmico, em que o posicionamento de uns confrontava o de outros. O Menino da Luz não mudou muito desde o tempo das cavernas, por isso o Colégio Militar não é tão ambíguo, volátil, complexo e incerto quanto as histéricas gritam, pois sempre que as condições mudaram, eles ajustaram-se, por serem os únicos que continuam a ter o futuro no bolso. Apesar de cataclismos, mudanças e progresso, são sempre pequenas estórias que mudam a História, mesmo que pintem o mundo com sombras, dizemos sempre para não se afastarem da Luz, porque na escuridão de lá nunca houve dragões, havia descoberta, havia possibilidades, havia muita liberdade. Somos fruto do que vimos, do que vivemos e do que aprendemos.
- “Não salte, não salte, que já o vão aí buscar” – gritou o chefe da secretaria, que fazia parte da força de cerco.
Com ele estavam soldados da formação, vigilantes e rondas, atrás de um jovem Coelho com a alcunha de Cebola, e o estatuto de meliante. Os factos de uma estória talvez só se transformem em “factos” depois da estória acabar, porque no Colégio Militar aconteceu sempre o que tinha de acontecer!
Algures no Alentejo profundo, no Ano da Graça de dois mil e dezoito, um chaparro qualquer conta de novo a estória que lhe mudou para sempre a vida, ao mesmo tempo que engole mais um copo de tinto.
- Eu vi um fantasma, foi nos anos setenta do século passado lá para os lados da capital, quando trabalhava como ajudante nas cavalariças do Colégio Militar. 
A vítima involuntária do Cebola jurava a pé juntos ter-se cruzado, numa manhã de nevoeiro, na Azinhaga da Luz, enquanto levava um cavalo para os edifícios da Formação, não com o Desejado, mas sim com uma alma do outro mundo que se deslocava num galope rasgado, “sem pôr os pés no chão”, e com a cor branca da morte. Já não era a primeira vez que o 360 fazia uma visita de cortesia ao bar dos oficiais no Zimbório, acompanhado pelos restantes membros do gangue oficial do curso de 1971, o 240 e o 661, e por vezes alguns mercenários, onde vigiavam, penetravam, alambazavam e retiravam, tudo em segurança. Mas desta vez foi sozinho, era fim de semana, os meninos de coro tinham ido para casa, e precisava desesperadamente duma dose de tabaco e bolama. Quando se preparava para introduzir a chave na fechadura, uma novidade pois entrava sempre pela janela, apercebeu-se que o funcionário ainda estava lá dentro, o que o obrigou a fazer uma retirada estratégica para o primeiro andar, onde ficou de vigia, atento às movimentações do inimigo. Como o tempo de espera foi longo, adormeceu embalado pela imagem da Rosa, ambos entregues aos prazeres da carne sob o efeito dos produtos desviados da manjedoura dos cães. Foi acordado bruscamente pelo barulho de uma porta a fechar-se. O trabalhador estava de saída! Silencioso como um coelho, aproximou-se sorrateiramente do bar, que para ele já era uma toca, e entrou. Dirigiu-se de imediato ao balcão, decidido a apropriar-se ilicitamente do tabaco, que sabia estar guardado nas gavetas, alguns chocolates, sumos e bebidas espirituosas, para serem consumidos solitariamente ao final do dia. De repente ouviu um barulho de chaves a penetrar a frio na fechadura e os tomates caíram-lhe ao chão. O Coelho adolescente entrara em pânico! Se o destino o tivesse protegido, o roedor teria ficado quietinho atrás do balcão, porque o funcionário ia somente buscar o guarda chuva que estava à entrada da sala. Viu um vulto, através do vidro fosco que protegia o hall do vento, a saltar do balcão e também ele ficou com os ditos junto aos pés. Por breves momentos o silêncio deu-lhes a lentidão da eternidade! O intruso já não podia fugir por onde entrara, por isso correu para a casa de banho, decidido a sair pela janela por onde habitualmente entrava. Abriu-a, mas apercebeu-se que o caçador abrira outra, para tentar identifica-lo! Fechou-a, aguardando pela próxima movimentação do inimigo, que aproveitara a pausa para dar um alerta geral. Sentiu-o entrar na zona, e então saltou e fugiu para o edifício do 1º e 2º anos. À medida que progredia na fuga envolto numa conjugação de sentimentos bipolares, e espantava todas as vozes da cabeça, o Cebola tentava ter uma visão no horizonte, pois sabia que os perseguidores não estavam interessados em ouvir as suas razões, por isso foi-se tornando agudamente consciente das condicionantes agora impostas. Quando a porta blindada soldada por anos de ferrugem, que dava acesso ao sótão onde os funcionários guardavam peças soltas do fardamento, lhe apareceu pela frente, ele provou porque é que no Colégio Militar se podia fazer muito com muito pouco, especialmente quando os Meninos da Luz se encontravam desesperançados: derrubou o obstáculo com uma força interior maior num abrir e fechar de olhos, e nunca ninguém compreendeu como, ato que seria elogiado mais tarde pelo Dario no Conselho de Guerra formado para a ocasião:
- Este aluno merece um 18 a Educação Física!
O Cebola sabia que a sua posição vital não era a normal, por isso manteve a velocidade característica de um roedor perseguido, mesmo estando agora no topo de um telhado que parecia mais uma pista de esqui tal era a quantidade de musgo, com o Largo da Luz lá em baixo, à procura de uma saída. E ela apareceu, mas em forma de uma clarabóia do Portugal dos Pequeninos. O Coelho mergulhou de pés, mas a bilha encravou-o a meio caminho. Sabia que precisava de resistir a essa realidade precária, tinha de repensar a estratégia, o inimigo aproximava-se, sentia-lhes o lado disfuncional da alma por terem sido incomodados num fim de semana que desejavam de tédio. Abanou-se com violência. O ruído de tudo a desmoronar à sua volta tornou a queda lenta, sentiu a mescla de texturas do material que o acompanhava, e quando parou estava agarrado a uma tábua, envolto no pó branco do teto da sala de aula que acabara de colapsar. O instinto de sobrevivência, naquele momento de pausa, manteve-lhe a lucidez, mesmo estando pendurado. Balançou-se e quando abriu a mão sabia que uma falha seria fatal como o destino. Caiu num parapeito e saiu pela janela. Em baixo, muito em baixo só a Azinhaga da Luz estava vazia. À sua volta não havia gente estranha, mas uma gente que, por circunstâncias diferentes, foi obrigada a parar. A mente do jovem Coelho recusava-se a acreditar no que acontecera. Por isso graças a um impulso visceral, físico, avesso a planos, deixou os instintos tomarem conta dele. A divergência do roedor e dos soldados era, tal como na Alice do País das Maravilhas, mais de grau e forma do que de substância.
- “Não salte, não salte, que já o vão aí buscar” – gritou o chefe da secretaria, que fazia parte da força de cerco.
Como convivia diariamente com demónios, e isso representava um hino à amizade, atirou-se. A dor da queda foi atenuada por uma injeção de vida que o resgatou de imediato. Por breves segundos viu-se no refeitório da primeira companhia, e sentiu o vento do pedaço de puré que o 136 arremessara contra o 151, mas apanhara o funcionário pelo caminho, que gritara:
- Quem é que me acertou com a argamassa?
O protesto do Patronilha fê-lo sentir de novo o bafo do esquadrão de magalas que farejavam o seu sangue, por isso desapareceu como o vento pela Azinhaga da Luz abaixo! Cruzou-se com o jovem magala que puxava um cavalo e só parou junto a uma das janelas da quarta companhia. Junto a um lavatório viu o Primo Orelhas a fazer a barba. Gritou, mas reparou que não conseguia emitir som, perdera a ordem sintática. Atingira os limites da existência, existia mas estava com pouca vontade para tal, o seu brilho desaparecera, tinha nódoas de sombra e poeira no buço. Sentiu-se Bocage, a seca de poeta de quem o Ferreirinha gostava muito:
- Já Cebola não sou!
Não sabia que no seguimento do alerta lançado a partir dos claustros após ter sido detetado o intruso no bar dos cães, o Oficial de Dia convocara pelo microfone todos os alunos que tinham ficado naquele fim-de-semana chuvoso no Colégio Militar, para fazer a contagem. Quando o 200 ouviu o som de alguém a bater desesperado numa janela, viu o 260, cheio de lama e ensopado. Pediu ajuda e conseguiram trazer o Coelho para o conforto das latrinas, onde o ajudaram a lavar-se e a vestir o pijama. A partir daqui deu-se início às conversações para a entrega voluntária do meliante. O orgulho colegial ficou intacto quando se confirmou que o artista era da casa e não de fora, porque caso isso acontecesse teria de ser chamada a PJ Militar, que seria incapaz de compreender algo que o comum dos Meninos da Luz entendia. Teve uma pena institucional leve e uma “admoestação” severa do gangue, por não ter conseguido cumprir a missão, e privado assim a Associação dos Recoletores da Luz de manter ativo o posto de recolha!

Friday, March 09, 2018

O Comandante Guélas - Série Colégio Militar 84 - O "Cante Zacatriano"


Comandante Guélas

Série Colégio Militar


Quando se quer ouvir a alma dos Meninos da Luz basta gritar “Zacatraz” três vezes, e a caixa abre-se de rompante:
- Traz, Traz!
- Zacatraz, Zacatraz, Zacatraz!
- Traz, Traz!
-Zacatraz, Zacatraz, Zacatraz
- Traz, Traz
- Ala, Ala!
- Arriba!
- Ala, Ala!
- Arriba!
- Allez, Allez, à votre santé!
No dia 13 de Abril de 2013, quando o curso de 1971 / 1978 fez a visita oficial após 35 anos de saída, o 69 esmerou-se tanto, que conseguiu fazer abanar o busto do marechal, enchê-lo de perdigotos, acordar o 607, que adormecera embalado pela lenga lenga costumeira das virtudes daquele espaço educativo, sonhando com o Amarelo que iria degustar ao almoço em tal quantidade, que lhe permitiria hibernar o resto da semana. O bardo tocou na border line da legalidade (Lei do Ruído, DL 9/07 de 17/01 artº 24º nº1), porque no primeiro andar decorriam exames nacionais. No curso de entrada de 1971 havia agora duas aves canoras, a oficial e a clandestina, esta personificada no Monhé, que aproveitava todas as ocasiões festivas para distribuir panfletos patrióticos e soltar o “zacatraz” que tinha encravado na garganta, uma espinha existencial. Mal sabiam que havia outro a germinar! E o fenómeno, não do Entroncamento, mas da Luz, revelou-se no jantar do 3 de março de 2018. Após a normalidade, Amarelo, um copo a partir-se e todos a gritarem “paga já”, mas sem o Zé Pereira a correr com o bloco de notas na mão, o Monhé a distribuir folhas A4 e a soltar o seu “zacatraz”, eis que o 591 resolveu arrasar de vez com os concorrentes, e mostrar ao batalhão de reformados e afins que o curso de entrada de 1971 tinha um novo e definitivo bardo, com uma musicalidade própria de um vegan após ingerir uma minhoca da salada, atirada do exterior para a travessa, actividade curricular nos anos setenta em que se permitiam janelas abertas durante a confeção das refeições, revelou-se um Salvador da Luz. Quando deixou sair o primeiro “zacatraz” os olhos já pareciam querer sair das órbitas, o som foi trazido por um vento e por uma tempestade inesperada, brilhante, veloz e aterradora, como se fosse, não do domínio do ar, mas do interior obscuro dos medicamentos para a próstata. No segundo "zacatraz" as veias pareciam querer sair da careca, sinal de que considerava o “cante zacatriano” uma arte, a “arte do ruído para além do razoável”. No terceiro “zacatraz” o curso de 1971 assustou-se, o 591 ultrapassara os limites psicomotores da idade, sinal preocupante de travadinha iminente. O “traz”, “traz”, o coro dos camaradas reformados e afins, trouxe um pouco de serenidade ao evento. Mas foi sol de pouca dura! Nova rajada, que desta vez obrigou a maioria dos camaradas a tirarem à pressa as próteses auditivas. O Peixinho cantou com um rigorismo politicamente correto e o final foi apoteótico, comovente, com o cantor desamparado e inclinado. E tudo isto porque uma escuna francesa de nome "Zacatraz" resolveu um dia fundear junto a Lisboa no início do século vinte e convidar uma resma de Meninos da Luz para uma visita! 



Sunday, February 04, 2018

O Comandante Guélas - Série Paço de Arcos 106 - A Zaragata







O Comandante Guélas
Série Paço de Arcos
Futebol P.A. 37



Esta é uma estória de dois domingos, o último de janeiro e o primeiro de fevereiro do Ano da Graça de Nosso Senhor Isaltino. O Futebol P.A. sempre foi uma atividade desportiva em que a originalidade o torna exclusivo. No primeiro domingo assistiu-se a uma auto expulsão, o Burren chegou a uma altura do jogo e teve consciência do seu défice grave na condução do esférico, que se agrava assustadoramente à medida que acumula aniversários, e auto puniu-se:
- Vai-te embora os velhos estão a dar-te um bailinho, e não é o da Madeira , - soprou-lhe ao ouvido um Burran Vermelho sentado no ombro direito do atleta.
- Ele tem razão, - confirmou o Burran Branco.
O Burran não é com toda a certeza um “portento do Entendimento”, como classifica o Choné o Carlos da Tapada, mas sim um “buraco negro”, que absorve a bola e só a larga após explodir, altura em que acusa os colegas de não usarem a cabeça para finalizar a jogada. Durante um ano deixou de comparecer no Futebol P.A., para gláudio de todos, indo fazer carreira no futebol universitário, de onde rapidamente foi expulso, ingressando nos jogos intelectuais de quinta feira, a “elite”, segundo classificação do Caramelo, onde se formaram expoentes máximos na arte de dominar as bolas, muito bem representados pelo Carcaça. No segundo domingo a estória foi outra, faltavam cinco minutos para o meio dia e só estavam presentes dois expoentes máximos da velha guarda, o contabilista Peidão, já antevendo prejuízo, e o dono do restaurante oficial do Futebol PA. Do Fininho nem vê-lo, deu assim a terceira falta consecutiva, o Chico Paulo ficou a ensaiar para o Carnaval de Ovar, e do Preto nem a própria família sabia. Apareceu o tio Kiki e o pai do Balotelli. Da família Marinheiro, que tantas alegrias deu à modalidade, nem sinal. Jogou-se por isso no campo pequeno! Foi a família Choné que tornou possível o encontro: Tarolinho, Paulão, Maninho Ensina e Goucha! Com desconto de ninhada o pai poupa no ginásio. Mas todos juntos num espaço tão pequeno é um risco. Os matulões envolveram-se em confronto psicológico, que foi aproveitado pelo mais pequeno, o melhor marcador do jogo, apesar de calçar umas chuteiras que se foram desfazendo ao longo do encontro, até que os sábios ameaçaram fazer queixa ao pai caso o quid pro quo evoluísse para uma modalidade ainda mais dura. Mas como o progenitor anda numa de filosofia, todos imaginaram que a intervenção não fosse além de um discurso do método:
- A verdade corresponde às convicções duma maioria, num determinado grupo e num tempo. Por exemplo, quando estou sozinho, tal como o Marinheiro pai, acredito que tenho uns filhos exemplares.
Como a equipa do Peidão cilindrou a do pai do Balotelli, a vitória foi de imediato entregue ao Fininho, o jogador que nunca perde!