Thursday, December 03, 2009

Camarada Choco








Aventura 64
- “Levanta-te e Anda”


Esta é a história que nunca vos contei porque a ligação entre a memória onde estava guardada e o exterior, esteve durante muitos anos bloqueada, como uma espinha na garganta, sinal de que a minha tola por vezes pensa direito, mas por sinapses tortas. E tudo isto devido à conjugação de dois acontecimentos raríssimos, tal como o meu síndrome: o regresso do meu Padrinho e o retrocesso, do também meu, conteúdo encefálico micro. Vamos por partes. A Lurdes, uma ministra raríssima, trouxe consigo uma ainda maior raridade, o Valter, que nem para colega nós queríamos, e passaram para lei uma verborreia avassaladora e demagógica, que prometia a nossa ida para a escola dita regular e um canudo de “engenheiro” alguns meses depois, tal como o outro. E devido a isto o meu Padrinho acabou enrolado, como os surfistas nas ondas, e teve de nos abandonar abruptamente, a frio. Ficámos órfãos, entregues à nossa sorte, ninguém do ministério nos quis continuar a treinar. Mas eu sabia que o meu herói não nos iria abandonar. Telefonou, escreveu, refilou, massacrou, ameaçou, até que as tias, antevendo irem ter um ano lectivo pior que o da Lurdes, enviaram-no de regresso, sem remetente. A chegada do meu Padrinho coincidiu com mais um retrocesso da minha tola. E o milagre aconteceu! Antes que tudo se apague com uma “santinha”, resolvi partilhar mais esta aventura fascinante. O herói dá pelo nome de Marioneta, apesar de ser macho, é um bronzeado compulsivo, e quando chegou à nossa querida casinha, vindo directamente de um dos muitos condomínios fechados africanos da Amadora , trazia preso ao cagueiro uma cadeira de rodas do fim da monarquia. Ainda tinha passado pelo Centro das Tias junto a Alvalade, mas mal se aperceberam que o sagui de tenra idade iria transformar-se num gorilão com mau aspecto e cheiro a catinga permanente, capaz de denegrir a imagem impoluta daquela instituição para mongas caucasianos com futuro e responsáveis por muitos tachos, depressa arranjaram um motivo para o pôr a milhas dali. E o local para casos raros que davam muito trabalho, era sempre o mesmo, a nossa querida escolinha. Uma semana após a chegada do Marioneta, entalado numa cadeira de rodas, estilo sardinhas em conserva, apareceu uma equipa de tias para impressionar o meu Padrinho e a Chefe Bélinha, e assim lavarem as mãos como Pilatos. Depois de muitas palmadas técnicas, abanões pedagógicos e medições futuristas veio o veredicto estilo Professor Karamba:
- O Marioneta nunca irá andar.

Dito isto arrumaram a tralha, depois de se aperceberem que já estava na hora do almoço, razão principal para a visita de cortesia, e fugiram dali como o Diabo da Cruz, não fossem ficar impregnadas com o cheiro nauseabundo de babas e borras, não sem antes prometerem ir enviando na volta do correio o material indispensável ao desenvolvimento harmonioso do Marioneta. Como já era tradição tudo chegaria fora de horas, e o meu Padrinho, que já sabia disso, não perdia tempo com aquelas ninharias, optando sempre por improvisar e adaptar, tudo em benefício do Marioneta que lá ia crescendo e evoluindo a olhos vistos. Desde arrastar pelo chão, até mergulhar num tanque, passando por cavalos e acabando numa bicicleta construída por ele e pelo Castanheira, com peças encontradas num ferro velho, que permitiram ao Marioneta fazer milhares de quilómetros nos corredores da nossa querida escola, preso ao bólide com fita de embrulho, muito mais segura do que as faixas, utilizando os curtos movimentos que fazia. O Marioneta mais parecia que estava nas tropas especiais, como os Comandos seus vizinhos.
-Hás-de andar, a bem ou a mal, - prometia-lhe o meu Padrinho, que também era dele, ou melhor, de nós todos. – As p… das tias não hão-de ficar a rir-se. Ficam só com os mongas brancos de boas famílias que não lhes dão trabalho e ajudam na estatística do Centro, que à conta disso ganha os subsídios todos e mais alguns, permitindo assim manter a quota de tachos e mordomias.
Para o Stor Pobre era uma questão de orgulho, a sua escola que recebia sempre o lixo das tias, iria ser pioneira na reciclagem. E o milagre aconteceu, não se sabe se por obra do meu Padrinho ou pela breve passagem de um homem barbudo com uma túnica branca: o Marioneta um dia levantou-se e nunca mais parou. Passa agora todos os dias por mim, sorridente e com um speed proporcional ao seu andar balanceado, já próximo da idade adulta. Se a lei da Lurdes e do Valter se mantiver, nunca mais os futuros Marionetas tirarão o cu das cadeiras, porque na outra escola só interessa o Português e a Matemática. O resto continuará a ser lixo como até agora!

Thursday, November 26, 2009

Na Taberna da Milú




“Piolhos Crónicos”

Será isto Educação? Educação não é certamente e a Escola não deveria bater assim.

O espaço abundava em clichés, frases feitas, repetições sem conta, incongruências e contradições, vómitos de banalidades, pessoas que acreditavam ter mais conhecimentos do que outros e por estarem num posto hierárquico superior achavam-se no direito de subestimar os subordinados, apesar da vida exigir muito a compreensão, ou seja, manigâncias de uma Lurdes ressabiada, que um dia fora ministra e quando aluna usufruíra das “passagens administrativas” da Revolução dos Cravos, que incluíra saneamentos de professores que ousavam ensinar, quando na altura a política era a da farra. Foi no meio deste cataclismo pedagógico, agravado por stors com tendências centrípetas, que a dona Tulipa alertou para o facto dos bichinhos serem “enormes”, “assombrosos”, “opulentos”, transformados em “elegantes”, “espectaculares” pela pedagogia do quinto grau do Valter e da Lulu. A escola era assim obrigada a matriculá-los para que a mãe não sofresse mais um trauma, como o do ano anterior, e proibisse a filhinha de pôr os pés no espaço, que de “educação” tinha muito pouco, obrigando os “stores” a reuniões intermináveis e à destruição de várias florestas da região para as transformar em resmas de papel, que dariam lugar a relatórios sem fim, incluindo aquele que descrevia a cerimónia do hastear da bandeira verde, que declarava a escola “amiga do ambiente”. Os “pediculus humanus capitis” unidimensionais redemoinhavam como palhas, sinal de que também sofriam da doença da moda, a PHDA, Hiperactividade com Défice de Atenção, antigamente chamada FA, “Falta de Educação”, que se curava com umas boas EGA, “Estaladas Grátis Apropriadas”, substituídas nestes tempos modernos pela célebre Ritalina, uma droga cara, paga, como sempre, com os impostos do povo e comprada aos amigos pelos decisores. E como a Florzinha não parava, os bichinhos mais dotados seguiam-na, enquanto que os com mais dificuldades despenhavam-se contra o solo, sinal de insucesso garantido. E para resolver esta injustiça social, a menina apresentava-se muitas vezes de chapéu, fizesse sol ou chuva, fosse de dia ou de noite, para assim segurar o fluxo incessante da bicharada, aumentando-lhe o “sucesso escolar”, tão desejado na “estatística a martelo”. Diziam as crónicas que a família fundira-se há muito com o emaranhado de “pediculus humanus capitis”, que se projectava à sua volta, tornando-se no elemento ordenador daquele núcleo, cujas formas enchiam todos de energia. Aumentava assim o valor do Rendimento Mínimo da família da Florzinha, porque com toda esta política de face oculta os seus piolhos tinham adquirido o estatuto de estudantes e como tal mereciam ter direito a uns “cosques”. Pertenciam assim à iconografia do ministério que tinha atingido o cúmulo do ridículo com a insistência fundamentalista da importância dos números na cabeça dos petizes. Com estas metas traçadas, a Florzinha merecia o nome no “Quadro de Honra”, porque os “pediculus humanus capitis” eram aos milhares!

Friday, September 25, 2009

Comandante Guélas - Série Quitéria Barbuda








Marginal de Dia



Eram poucos os momentos de glória, mas valiam a pena. Durante o Rali de Portugal havia uma altura em que os participantes tinham de fazer a ligação entre Lisboa e Cascais, via Marginal. O povo esperava-os e eles distinguiam-se no meio do trânsito normal porque traziam os faróis acessos e ambos tinham capacete na cabeça. Na face do Conan Vargas cintilavam os olhos a anunciar uma tarde de fama. Havia na Marginal uma atmosfera luminosa, um brilho. O condutor do Ford Escort branco já tinha o filme dentro de si, via-se de penico branco na cabeça, comprado na Dona Maria das Bicicletas, com os máximos ligados, o grupo sanguíneo na porta, “O - RH menos” (“Ó” de Óscar, “RH” não sabia o que era e “menos” era a nota que tinha apanhado a comportamento no Liceu de Oeiras), e o barulho das fêmeas a sobrepor-se ao seu tubo de escape e, acima de tudo, a gritarem pelo nome artístico: Óscar! Conan Vargas era uma criatura nocturna que dava “oito seguidas sem ver a luz do Sol” (citação). Quando o nosso herói se sentou ao volante do carro, lembrou-se que na noite anterior tinha sido o co-piloto do Pilas, que batera o recorde da vila ao entrar “prego a fundo” pelo lado do bar “Marginalíssimo” e ter passado pelo “Manuel da Leitaria” a 140. Desta vez tinha ao seu lado o jovem adolescente com o cognome de Peidão, uma jóia de menino, que reparou que o piloto estava com a mesma cara, o mesmo cabelo e um olhar alucinado só reservado para estes breves momentos de fama.
- Quando o Conan se despistou em Carcavelos, na curva do sanatório, estava com este olhar, - foram estas as palavras de incentivo do Bigornas ao mesmo tempo que entregava os capacetes à equipa paço-arcoense número dois, uma vez que o Pilas já tinha arrancado com o Velhinho.
Se estava ou não alucinado quando desfez o carro da mãe, o Peidão não sabia, mas o relato do desastre feito pelo irmão do Zé do Fotógrafo era muito completo. O Conan tinha acabado de tirar a carta e queria impressionar as fêmeas lá para os lados do “Santini”. Como o seu “chaço” de certeza que causaria má impressão nas meninas queques de Cascais, inventou uma desculpa da falta de gasolina e de um exame da quarta classe imprevisto, e a mãe emprestou-lhe o carrinho que ainda estava em rodagem:
- Guia com cuidado, - avisou-o.
- Eu não sou burro! – Rugiu o Conan Vargas.
Encheu o carro de amigos e partiu a todo o gás. O Bólide ia com a língua de fora quando fizeram a curva, começaram a rodopiar e a bater em tudo o que era obstáculo. O Bigornas meteu as mãos na cabeça, segundo contou, e preparou-se para o mergulho no esgoto. Como é que iria safar-se no oceano se, como dizia o teórico Focas, “quando alguma vez cair numa parte funda só poderá pedir socorro com os pés, pois a cabeça funcionará como uma poita”. Não era por acaso que tinha o cognome de “Bigornas”. Tiveram sorte, Deus ainda não os queria lá em cima. O carro não foi cortado ao meio, porque bateram no poste junto ao motor, já depois da bagageira ter ficado desfeita quando atacara o muro do Sanatório.
Este pensamento varreu-se da cabeça do Peidão na altura em que o carro partiu, a fazer muito barulho, mas em passo de caracol. As fêmeas não estavam longe, encontravam-se distribuídas por toda a Marginal e o Conan queria sentir o cheiro de todas elas. Foi a sua consagração, já se via o agente secreto Óscar, à medida que o carro avançava com os faróis acesos, os pilotos de penicos na cabeça e o povo a aplaudir em êxtase uma das equipas do rali mais famoso do mundo. Mas nem Holliwood, nem Bolliwood, pois a única vez que Conan Vargas apareceu na televisão foi no anúncio ao “WC Pato”, em que se levantava da posição de cagador, abanava a mão junto ao nariz e era salvo por um perfume inebriante saído do autoclismo.

Saturday, July 25, 2009

Comandante Guélas - Série Quitéria Barbuda


Carjacking


O primeiro carjacking do país teve a assinatura de um paço-arcoense, o Pacheco do talho, um loirinho com caracóis de caniche, e tudo isto coincidiu com o aparecimento do primeiro Multibanco da zona, lá para os lados do “Ronda 99”, um “bar de tudo”, na terra das “queques”, que começavam a ser substituídas pelas “tias”, fêmeas sem raça definida. Neste sub–gang de Jovens adultos caucasianos de boas – famílias de Paço de Arcos ia o Orlando, a testemunha viva e juramentada desta cena digna de Hollywood que, apesar da idade, da careca avançada e da barriga dilatada, ainda mantém intactos os registos que viabilizaram o relato de mais esta imemorável aventura.

Era uma vez…

um velho acompanhado de uma dama, ao volante de um Mercedes topo de gama que parou junto à única caixa de Multibanco do país, para impressionar a oxigenada tipo Lili.

- Querida, vou levantar dinheiro.

- Levantar dinheiro?! A esta hora da noite? Mas os bancos já estão fechados.

- Agora já há esta caixa, que dá dinheiro e eu já sou sócio, – disse o velho com cara de leitão mostrando orgulhoso o cartão.

Foi o acto do levantar do braço para mostrar à múmia o glorioso que dava acesso à caixa, que chamou à atenção do Pacheco, que estava pacatamente no passeio do outro lado, a conversar com os amigos. E para agravar a situação o velho deixara a porta do seu lado aberta para que a namorada visse melhor o seu acto, e o motor a roncar. O cérebro do paço-arcoense com cabelo loiro estilo caniche começou a fervilhar e não mais parou. Correu de imediato para o bólide, sentou-se ao volante, e arrancou com os pneus a chiar e a debitarem nevoeiro para cima da única caixa de Multibanco da Costa do Estoril, onde ainda só tinham acesso colegas do Pierre Pomme-de-Terre, futuro engenheiro da construção civil, Licenciado em Tijolos e Tuvnan Chinês pela Universidade das Ilhas do Seixal. O velho ficou imóvel com o glorioso na mão a ver desaparecer no horizonte os seus dois topo de gama, o Mercedes e a Lili,, assim como os amigos do Pacheco. Felizmente no fim da recta havia uma rotunda e foi aí que o Fangio da Praceta fez um pião digno dos melhores James Bond e voltou ao ponto de partida, estancando com estrondo e elogiando a performance do bólide com uma palmada nas costas do proprietário, que só teve tempo de correr para o seu Mercedes e desaparecer na escuridão da noite.






Sunday, July 12, 2009

Comandante Guélas - Série Quitéria Barbuda


Marginal à Noite



O calor apertava, estava uma noite de Verão magnífica e a praia de Carcavelos estava escura, muito escura, com maré-cheia e ondas grandes. O Gang regressava a casa de mais uma noite louca na discoteca do Farol, ainda por cima com uma vitória estrondosa do Milhas no concurso de dança que, no estado etilizado em que se encontrava, nem se apercebeu e ninguém se arriscava a dar-lhe a boa notícia, porque com este adolescente de genes incertos tudo funcionava ao contrário. Fora o único membro de todos os gangs da Costa do Estoril, que eram numerosos, a sair a Lotaria, mas para ele isso significou a sua desgraça. Quando os excursionistas de “boas famílias”, incluindo o Charlot que pertencia a todas, iam a passar junto do “Narciso”, não aguentaram a pressão do calor e resolveram ir refrescar-se. A água do mar estava quentinha, não se sabe se por força da Natureza, se por influência do esgoto que costumava despejar os cagalhões do dia à noite. O Gang entrou todo nu, tudo balançava ao sabor do oceano. Se o Capitão da Quinta Divisão soubesse! Estas ocasiões geralmente não acabavam aqui, tinha de haver algo mais radical. O que aconteceu a seguir ao banho foi único e irrepetível. - Quem é que consegue ir pedir boleia para a Marginal, todo nu? A pergunta desafiadora da praxe, a questão que levava ao acto. Só o Gang dos Meninos Ricos e Caucasianos de Paço de Arcos (G.M.R.C.P.A.) teve lugar na História, porque caso todas estas aventuras não tivessem acontecido, ter-se-iam reduzido a uma simples Associação dos Queques Cristãos de Paço de Arcos. Mas, continuemos! - Um por todos, todos por um! Um grupo de meninos adolescentes correu apressadamente para a estrada, que estava com o trânsito intenso, e por isso lento, com as pilas a chicotearem as pernas. Todos pediram boleia para Lisboa. O vencedor foi aquele que ocupou o traço contínuo e tentou acertar, não nas beatas que forravam os fundos dos urinóis, mas nos carros que passavam. A rotina de uma noite quente de Verão foi quebrada por um show erótico, que nos dias de hoje os chefes de família de Paço de Arcos se recusam a comentar: - Não, não me lembro, nunca me dei com malta dessa! Havia algo a favor daquela gente abençoada, os telemóveis não existiam e por isso a GNR só actuou no dia seguinte, e deu de caras com meninos já avisados e muito bem comportados.

Sunday, June 21, 2009

Camarada Choco


Aventura 63 - Codex 632

A camisola que vestia tinha as mangas cavas, expondo às fêmeas umas peles brancas cor de Maizena, cobertas com vegetação mais apropriada às zonas baixas do corpo. Fechou os alunos na sala, aproximou-se do espelho chinês, com muitos anos de Feira Popular, e desabafou:

- Ah Silvestre Stalonas, está na altura de ires procurar a fêmea que te dará a próxima geração de anõezinhos.

Meteu sofregamente a mão nas calças e tirou uma fita-métrica do Aki. Aproximou-se de um calendário com Desaparafusados da Michellin e definiu as medidas obrigatórias da sortuda:

- …mais baixa do que eu, ou do mesmo calibre, - pôs o dedo nos 120 centímetros e continuou. – Ser obediente, ganhar menos, abaixo dos 40…

Mas algo o distraiu quando trancou a porta da sala, onde antes trabalhava e agora pouco tempo permanecia, perdido na sua incessante busca da Fêmea perdida:

- A Tareca está com a mania que é doutora, até tem um dossier e tudo, e está cheio de papéis, - lamentava-se a outro espelho a Faísca. – Só quer é reuniões.

Ao espreitar na curva do corredor, o garanhão tocou inadvertidamente num quadro e detrás dele caiu um papel.

- “Codex 632”?!!

O título estava a negrito e no canto superior direito destacava-se a vermelho a palavra “Top Secret”.

- Um documento sigiloso? Escondido atrás do quadro com a cara da Madrinha? Que interessante.

Olhou para todos os lados. O andar estava vazio, excepto a Faísca que continuava a fazer queixas ao espelho. Regressou pé ante pé ao espaço onde antes trabalhava e agora fingia que o fazia, e trancou-se.

Nomina Sunt Odiosa

Aquí el informe de los restos de la farra ocorrida en mi presencia entre el Codex 632 y el Voz de Bagazo, el 3 de junio del año de Gracia de Mi Querida Madrina, que en el futuro yo la sustituirei de acuerdo con la voluntad de Mi Madrina . Esa tarde cuando el conductor viejo ay detenido la Nau los dos acusados corrió y you fui detrás de les , ya la previsión de un farrobadó, prohibida por Su legislación, que aquí también es mía, y quiero cumplir, por escrito, si Su humor no nudar, diciendo que no dijo lo que todos escuchamos. Madrina, lo que vi fue una visión del Infierno. La Voz de Bagazo está por encima de la del Codex 632 y él trató de molde la serpiente, que ya estaba moribunda. Gracias a Dios todavía tive tiempo para ver las bolas que batiam a los demás como unas castañuelas, cada vez que corresponde a golpear en la parte superior de la serpiente, tratando en vano de poner en juego, como en las películas para adultos Noddy que no vejo por qué tapo los ojos con las manos y los dedos abiertos, como la Madrina. Señaló inmediatamente después de la ocurrencia, la hora, los minutos y los segundos, quem inmediatamente tiene la culpa, no a mí y no al delegado sindical, como aprendí de la Madrinha, a pesar de ser parte del grupo. Sálvese quien pueda. Y para no resolver la situación inmediata, como dice el bon senso, télefonei inmediatamente a la Señora para incendiar más y declarar una posible pandemia sexual. Sugiero a toma de la píldora del día siguiente para todos, incluidos los hombres, porque el azoreano ya tienne enjoos tuta las maganas y el tamaño de su vientre no es un buen pronóstico.


Su doctora también sin paja




Sunday, June 07, 2009

Comandante Guélas - Série Quitéria Barbuda


Cavalos & Cavaleiros


O menino queque, mas mesmo queque, só montava a cavalo no Guincho. O Gang era constituído por meninos de uma “Geração de Oiro”, irrepetível. Mas chamar “Geração Rasca” à dos seus filhos, porque estudavam e recusavam-se a fazer cábulas, era um exagero. Numa característica os papás estavam em vantagem, eram geneticamente dotados de uma capacidade de adaptação a novas situações. E foi numa dessas alturas que a Becas entrou no café “Iolanda” e perguntou quem é que queria ir montar. Dito e feito, quatro levantaram os braços:
- Mas tu já alguma vez andaste a cavalo? – Perguntou o “Menino da Luz”, de nome Peidão, quando viu que o Xinoca estava de braço no ar.
- Eu tenho uma “Maxi Push”.
Mas havia um obstáculo a ultrapassar. O amigo da Becas, desconhecido do Gang, estava dentro do Renault 5 todo bonito, com chibata, botas de montar e cara de cu.
- Eles podem vir connosco?
O matador olhou para os quatro meninos de “boas famílias” e percebeu que, ou iriam todos, ou arriscava-se a ter de mudar um pneu. Teve bom senso. A excursão rumou para a aldeia de nome “Areias”, onde seriam alugados os animais. Quando os bichinhos foram entregues o Xinoca quase que saiu à carga, porque pensava que “Cavalo” e “Peidociclo” era tudo da mesma família, e por isso acelerou a fundo.

- Têm a certeza que o vosso amigo sabe andar de cavalo? – Perguntou o dono do picadeiro ao ver que o rapaz com cara de oriental não tinha qualquer vestígio de técnica de acompanhamento do trote, indo por isso a bater violentamente com o traseiro na sela e a enredar as rédeas nas pernas.

- Ele está habituado a montar as éguas em pêlo, - explicou o jovem Peidão, um ás na equitação.
O trombudo tomou a dianteira passando com um ar de desprezo por todos os amigos da Becas. A sorte devia-se ao facto de os cavalos estarem habituados a andar uns atrás dos outros e assim o do Xinoca teria poucas hipóteses de fugir. Atravessaram a rua e embrenharam-se nas dunas. Alguns metros mais adiante tiveram de reduzir para passo, pois era necessário poupar o rabo do chinês. Mas aconteceu o primeiro dos “previstos”, quando um ramo baixo lhes apareceu pela frente. Todos puxaram pela rédea esquerda e contornaram o arbusto, excepto o Xinoca que seguiu em frente e chocou contra o obstáculo. Passou o bicho e quase ia ficando o cavaleiro, caso não se tivesse deitado sobre a cabecinha do cavalo, folgando as rédeas e soltando os chinelos de quarto dos estribos. Ainda houve tempo para apostas, ganhando a opção “queda”. Valeu o sangue frio do trombudo que encostou a sua montada e segurou o animal. Pausa, o chinês estava mais inclinado do que a Torre de Pisa, e à medida que ia descaindo puxava as rédeas, arriscando-se a sentar o alazão no colo. Quando o líder o informou dessa hipótese, tirou as mãos e caiu na areia fofinha. Pôs-se logo ali uma dúvida: como é que ele iria montar, uma vez que não havia a escada do picadeiro? Veio-lhe à memória o paço-arcoense da Quinta Divisão e da falta que ele lhe fazia naquele momento. Caso fosse um dos presentes, manda-lo-ia agachar e ele obedeceria. Depois bastaria saltar-lhe para a espinha e montar. Mas a realidade era outra! O Xinoca teria de se desenrascar, nenhum dos presentes queria fazer de militar de Abril. Foi o que fez, meteu o bichano na parte baixa de uma duna e saltou-lhe para cima. Como o tempo já estava a escassear, foi necessário recorrer ao galope, porque senão nunca chegariam à Praia Grande. Ao chegarem ao Guincho cada um escolheu o seu ritmo e, de uma maneira geral, a carga foi a velocidade que imperou. Quanto ao Xinoca, optou por parar, largar o volante, enrolar um cigarrinho, ao mesmo tempo que dava folga ao rabo. Só que este tipo de cenas não eram as mais aconselháveis no momento, porque o animal cheirou o chão deitou-se de imediato, atirando o adolescente com cara de oriental de pantanas, tendo no entanto ainda conseguido dar a última “passa” antes de aterrar. O trombudo, que estava na outra ponta da praia, nem queria acreditar no que via. O cavalo do Xinoca parecia um cão a coçar-se no chão e quando a festa acabasse de certeza que iria a Cascais tomar um copo. E quem tinha deixado o Bilhete de Identidade, aliás o único a leva-lo, tinha sido ele, como prova que eram todos “meninos de boas famílias”. E o seu Renault 5 não valia nem metade de um burro sarnento, quanto mais um cavalo inteiro. Ficaria de certeza a lavar cavalariças o resto do ano e estragaria as suas botinhas com brilhantina. Meteu “prego a fundo” e conseguiu chegar a tempo. Quanto ao Xinoca, queria era regressar a pé, alegando já ter o traseiro em chamas e não querer ser confundido com algum revolucionário tresmalhado. Conseguiram convence-lo a dormir nessa noite de barriga para baixo, para que as marcas no mealheiro desaparecessem.