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Wednesday, June 21, 2017

O Comandante Guélas - Série Paço de Arcos 97 - Os amigos do Bill


O Comandante Guélas

Série Paço de Arcos

Futebol P.A. 28

A notícia caiu como uma bomba no Futebol P. A., por isso foram lançados de imediato, pelo Espalha, foguetes ao Santo António: o Bill fora contratado pelo Chalmine F.C., uma equipa da 5ª divisão de Macau, sem cláusula de rescisão, nem direito a devolução antecipada até 2100.
- Resolvi fazer um upgrade na carreira de jornalista, vou puxar um riquexó! – Explicou o atleta ao Clark Kent. – E continuar a treinar. Vou também praticar Padel Chinês, que se joga com pauzinhos e arroz.
O ponto mais alto da comemoração foi quando o Fininho tomou as rédeas, e fez um discurso emocionante:
- Caros colegas, o Bill, grande jogador quando não joga, fará este domingo o seu último jogo, pois conseguimos, graças a Deus, vende-lo aos chinocas.

Palmas e Abraços!

E continuou:
- Onde, além de ir jogar, vai abrir uma loja, um casino, um restaurante, um balneário novo, uma lavandaria. Não foram fáceis as negociações, mas através de grande esforço do Peidão e do Espalha, conseguimos receber e não pagar. Foi um milagre!

Mais palmas, mais abraços e uma reacção inesperada: o Pipi das Meias Altas começou a chorar compulsivamente, abraçou o Bill e gritou:

- Não me deixes camarada, graças a ti e não a Ele, porque sou ateu graças a Este, quebrei um jejum de vinte anos sem marcar golos!

O Fininho, o maior orador da Avenida, discípulo do Daniel do Lopes, sabia que tinha de prosseguir com a missão que lhe fora atribuído pelo Futebol P.A., o discurso do adeus ao Bill:
- Um par de meias para mim, que até nem preciso, um lugar de vereador para o Espalha, um bloco electrónico para o Peidão, para que não seja enganado pelo Preto, um andarilho eléctrico para o Choné, uma bola para o Taroulo, um lenço para o Brinca na Areia, para não sair a chorar, dois bilhetes de avião, um para o regresso do Chico e outro para enviar o Milhas para a Síria. Parece-vos bem?

Aplausos, lenços brancos na mão a abanarem em direcção ao Bill.

E continuou:
- E mais algumas coisas para distribuir por outros jogadores. Por isso pedimos a presença do maior número de jogadores para uma grande despedida ao nosso amigo Bill, e para nos certificarmos que ele irá mesmo. Bill, podes aparecer, mas não precisas de jogar, para assim não estragares o jogo da tua equipa. Apareçam, ele merece!

E o milagre aconteceu, o Pipi das Meias Altas cantou o “É Motorista”.

Mas o Fininho estava imparável:
- Esqueci-me de outra coisa, desejo uma caixa de mamas para o Preto, pois o stock está a acabar, e as mamas chinesas deixam os olhos em bico.
Infelizmente quando a notícia é boa, aparece sempre uma má: a saúde mental do Conan Vargas piorara, já chamava ao Padel “Padre”, e acusava o “corretor”, que todos sabiam querer dizer “Cociolo”, pelo sucedido. Era a prova de que o desporto nem sempre significava “saúde” quando se escolhem más companhias para o praticar!



Wednesday, June 14, 2017

O Comandante Guélas - Série Paço de Arcos 96 - Cara ou Coroa


O Comandante Guélas

Série Paço de Arcos

Futebol P.A. 27

Os 40 anos do Futebol P.A. devem ser divididos em duas Eras, tal como são os Jogos Olímpicos, Era Antiga e Era Moderna. A primeira teve como lema “Sexo, Drogas e Rock’n Roll”, e foi o tempo onde reinou o Capitão Porão, pois em tudo o que acontecia  sentia-se a sua presença, desde apanhar com a bola por trás (“ouviste o eco?” – Fininho), ou pela frente (“em cheio na kona” – Chico Paulo), até quando alguém ficava estendido no chão (“mandem o capitão dar-lhe apoio que ele levanta-se já” – Peidão). A Era Moderna chegou quando o Pona acabou com a carreira desportiva do velho militar, e o lema mudou para “Futebol, Drogas e Rock’n Roll”. Das drogas saiu a cerveja e entraram os comprimidos, e para o Rock’n Roll o pai do Clark Kent trouxe o karaté do idoso, que deu origem a fabulosos golos inconscientes. No “futebol” manteve-se o tradicional biqueiro! Paço de Arcos na Era Antiga sempre foi uma vila dividida ao meio, tal como num jogo de futebol, de um lado estavam os malucos (Pinguim, Pingalim, Papagaio, Balatuca, Tubarão, Néu, Lucinda Careca, Jaquim Jaquim, Manel Ai Ai, Joãozinho Fuzileiro, Álhi, Chico Americano, Nogá, Jójó, Frank Bomba, Octanas, …) do outro os marginais. Mas havia dois no meio, o Grilo e o Taka Takata, que alternavam entre um lado e o outro consoante o tipo de erva que fumavam. Na Era Moderna tudo se misturou, e a sapiência parece agora pender para o lado dos anciãos. 
Esta é uma estória de dois domingos em que o Preto escolheu com o Peidão, mas não foi necessário o uso de um bloco para registar as escolhas. Teria o doutor sofrido uma transformação? A dúvida foi desfeita quando, após escolher o mano Espalha para guarda redes chegou o Brinca na Areia, logo escolhido pelo Peidão:
- Não, não, quero o Brinca na Areia, - gritou, negando o mano e afastando-se da zona do sorteio, tentando intimidar o adversário.
Não conseguiu o que queria, mas conseguiu levar o filho do Laranja a prolongamento, ou seja, ficou sujeito a um sorteio após a constituição das equipas, onde foi usada uma moeda exclusiva da terra do tio Isaltino. Mesma assim quando saiu “coroa”, e ele escolheu “cara”, gritou “vitória” e afastou-se. Mas o Peidão precavera-se! Trouxera o Rato para juiz e ele ditou a verdade. A partir desse momento o Preto tentou levar para a sua equipa todos os que iam chegando, arriscando-se a uma certa altura a fazer um inédito jogo de 2 equipas contra uma. A vítima deste domingo foi o Clark Kent que, após levar com uma bola na cara, caiu inanimado no chão e foi acordado por uma voz do além:
- “Espíritos vierem cá abaixo e disserem que a minha avó morrera de bubadeira”!
No segundo domingo a estória repetiu-se, a moeda tornou a entregar o Brinca na Areia ao Peidão, e para fugir à normalidade o Preto não reagiu. Mas aproveitou-se de um entorse do filho do Laranja no aquecimento e em vez de fugir do doente como habitualmente, prontificou-se a medicá-lo. O pé melhorou, mas afetou a sua saúde com as bolas, transformou-o em Bill! O Peidão tinha agora dois Bills na equipa, dois? Dois não! Três, porque apareceu tarde e a más horas um mini Tangerina. O agora jornalista macaense jogou dúbio como habitualmente, os outros dois só jogaram entre si, como matrecos, vinham buscar a bola atrás e perdiam-na a meio campo, culpando depois os amigos do Bill pelos golos que iam entrando. O Taroulo conseguiu algo impensável, marcou quatro! O resultado do jogo não poderia ser outro senão 13 a 4. Mas está suspenso! Pela primeira vez a equipa do Fininho ganhava em golos, mas como as regras do Futebol P.A. são para serem aplicadas, a vitória foi para a equipa que ganhou por quatro, e tudo isto devido à “Lei do Azar” que diz que “nenhuma equipa poderá ganhar por 13, sendo imediatamente reduzida a zero caso o faça”! Mas a lei ainda não foi homologada, o tio Isaltino ainda não pagou o que deve às finanças. Quando o fizer haverá retroactividade. Por isso o Fininho precaveu-se e ficou com uma dupla vitória, beneficiou da “Lei da Repescagem”, tendo o seu nome transitado para a equipa futuramente vencedora. O jogo teve tantos casos que levou à constituição da “Associação das Vítimas do Paulão”, uma das crias do lendário Choné que, devido a ter sido também medicado pelo Preto, outra justificação não é viável, distribuiu mimos atrás de mimos, possivelmente devido a alucinações australianas, onde viu cangurus em vez de jogadores. Para terminar fica o registo do cada vez mais abichanado jogo de Padel, onde o Big Mac só joga depois de pôr pó de arroz, um produto da última colecção da drogaria do Zé da Antónia!