miguelbmiranda@sapo.pt

Wednesday, July 23, 2014

O Comandante Guélas - Série ISEFL - A Ata


O Comandante Guélas
 ISEF 2

 No dia dezanove de julho do Ano da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de dois mil e quatorze decorreu mais um encontro cultural/gastronómico da turma dois que albergou nos anos oitenta do século passado, durante cinco longos anos (excepção ao Dr. Jacques que continua na zona), junto à inebriante ribeira do Jamor, os rebentos da elite do Instituto Superior de Educação Física de Lisboa. O programa das festas foi elaborado pelo primeiro, e único, que já conseguiu a reforma, graças aos anos que passou no Comité Central, que contaram a dobrar, e a uma queda aparatosa de uma falésia, onde ganhou cinco cromossomas extras, que lhe deram dez anos de avanço sobre os colegas, que o pôs a fraldas e a falar chinês durante vários meses, tentando sempre obrigar as enfermeiras a pagar-lhe a gasolina, tal qual ameaçara fazer uns anos antes o Professor Doutor Parrilha quando se confrontara com o único chumbo a “Dança Clássica”, após uma noite inteira a treinar com a Glorinha do bar. As falhas mentais do reformado ficaram patentes no documento enviado à seleção, onde passou da “Atividade 1” (“Caminhada”) para a “Atividade 3” (“Almoço”), ficando assim em evidência que o número 2 já não consta nas suas memórias. Mas como “Deus escreve sempre direito por linhas tortas”, dizia-lhe sempre o Barreirinhas, houve “Atividade 2”. O encontro deu-se no Pavilhão Desportivo de Portalegre, mas sem a presença do anfitrião, e perto da “Entrada Sul”, e não da “Norte”, como constava no documento.
- Onde está o Dr. Jacques? – Perguntou o Professor Vereador Anselmo, o mais próximo da reforma, com vários anos de vereação e outros vícios políticos, que contam sempre a dobrar.
De Jacques nem vê-lo, mas quem entrou em pião no seu táxi foi o famoso Parrilha, que ameaçara uns anos antes limpar o torneio de Judo da Turma 2, mas acabara no último lugar, atrás duma colega que acabara de vir de uma noitada na pesca, e que  o deixara a tresandar a peixe. Por pouco não atropelou todos os presentes, arriscando a tornar o evento cultural no primeiro almoço individual da História da Turma 2 do ISEF. Os colegas puderam então verificar que este atleta se sujeitara recentemente a uma colonoscopia, exame aconselhável a todo este pessoal da meia-idade, mas que fora vítima da negligencia do médico especialista, Dr. Vale e Azevedo que, em vez de lhe encher a tripa com ar, colocara o tubo numa orelha, à semelhança dos colegas muitos anos antes numa aula de fisiologia prática, em que lhe colocaram o elétrodo do cardiograma nas partes baixas. Saiu do exame com a cabeça inflacionada, como se pode observar na foto que acompanha este documento.
- Onde está o Dr. Jacques? – Perguntou o vizinho do Reformado, Dr. Corista, o primeiro a chegar pela fresca da manhã, com o fato de treino do Benfica, e que acabara de acordar.
A espera foi longa, e quando se aperceberam que o anfitrião não iria chegar, talvez devido a estar a realizar o último exame no Jamor, que finalmente lhe iria dar o certificado do primeiro ano, apareceu um chaparro a guiar um carro que, ao se aperceber da ausência do organizador, disse:
- Bem me parecia que ele estava na “Entrada Norte” amarrado a uma árvore, rodeado de leitões.
Na actividade 1 (“Caminhada”) os presentes constataram que o célebre “Jardim Tarro” afinal se chamava “Jardim Sarro”, pois consistia num lago onde a população costumava lavar-se, o Palácio Amarelo tinha sido pintado na véspera pelo Jacques para impressionar os colegas da qualidade de vida de Portalegre, e a Rua Direita era completamente torta, sinal de que se confirmava in loco o rating negativo das notas do 12º ano dos alunos de matemática de Portalegre.
A “Atividade 2” (“Onde está o Jacques”?), decorreu no local indicado pelo alentejano, que consistiu numa "vaquinha" para o comprar,  pois todas as tentativas para a sua libertação (o reformado chegou a elaborar um poster onde se podia ler "Libertem o careca do povo") se revelaram infrutíferas, uma vez que não conseguiram convencer o dono da quinta de que ele não era a mãe dos bichos, mas sim um Dr. Do ISEF. Uma vez livre o anfitrião, deu-se início à “Atividade 3” (“Almoço”), mas já com o Jacques traumatizado, porque apresentou receios fundamentados, uma vez que o nome do restaurante, “Leitão”, trazia-lhe más recordações, arriscando-se a ser confundido com uma refeição mal entrasse no espaço de degustação. Valeu a pronta intervenção do judoca com hidrocefalia, que ameaçou:
- Só se passarem por cima da minha cabeça é que fazem mal ao Jackes!
Estiveram também presentes uma senhora, que veio acompanhada pelo responsável da foto, o Diniz, e o mais acrobata ginasta do ISEF, senhor das mais famosas cambalhotas, tão direitas como a rua da cidade anfitriã.