miguelbmiranda@sapo.pt

Monday, February 27, 2017

O Comandante Guélas - Série Paço de Arcos 84 - O Mata Velhos


O Comandante Guélas

Série Paço de Arcos

Futebol P.A. 25


Esta é uma estória de dois domingos, o primeiro e o segundo, e um escândalo no Incha Padel: booling!
- Falta alguém? – Pergunta sempre o anafado Conan.
- Tá fechado, - é a resposta recorrente do hilariante Cociolo, que se julga o maior jogador da Costa do Estoril, desde os tempos em que jogava raquetes com o Carinha da Avó, à beira mar na praia de Paço de Arcos, e se recusa a jogar com coxos.
Mas para que o Clark Kent, ou Faisão do Lagoas caso ponha um pompom no topo do cocuruto, não vá a correr dizer à Judite que ganhou o jogo, razão porque saiu mais cedo e empurrou a equipa para a derrota, o Tio Mino levou a taça, como é tradição, nas duas modalidades! A maior parte dos futebolistas arrasta-se pelo campo com lágrimas e ais, e um jogador arrisca-se sempre a sair com mamas, caso se lesione e tenha o azar de ser socorrido. Por isso o Fininho tem sempre um papel essencialmente cívico, esforça-se por levar as luzes aos jogadores moribundos, começando por desenhar a sua silhueta no chão e avisando-os:
- Vem aí o Preto!
Até ao primeiro domingo a ideia universalmente aceite era que se o Tarolo jogasse seria sempre um problema para a sua equipa, mas descobriu-se a solução: para encher a bola é preciso uma bomba, e para o Maninho Ensina jogar, também. O Choné optou então por comprar uma garrafa de CO2 (“qualquer gás serve”) em segunda mão a uns soldadores, que deu para arejar as suas duas crias, e o efeito sobre o mais novo foi imediato:
- Eu sou um superdotado, tenho um Q.I. de 162! – Informou os presentes após duas inalações.
Agora todos sabiam porque é que o Tarolo “desevoluia” sempre à medida que o jogo decorria, perdia a noção da condução da bola, despistava-se nos contra ataques, levando sempre o Peidão a implorar-lhe:
- Não largues a bola, se entrares pela baliza também é golo!
Era falta de dióxido de carbono, o oxigénio fazia-lhe mal, por isso o seu futuro não está na Terra, mas sim em Marte. Houve mais novidades! O Caramelo, um exímio jovem que marcava conscientes golos de cabeça, apercebeu-se que acabara de entrar na terceira idade, marcou dois inconscientes golos de biqueiro, com o estilo do pai do Chico.
No segundo domingo o encontro foi renhido, o Brinca na Areia por pouco ia enterrando a equipa, mas graças ao Taroulo, já só com O2, a vitória sorriu à equipa mais psicologicamente preparada, pois quando estava a perder pela diferença de três, o Peidão gritou:
- Lembrem-se da estatística!
O Ulki, também conhecido como o Canhão do Padel, foi injustamente acusado de cometer um delito, e transformou-se, sentiu-se uma valorização dos decibéis, que se tornaram cada vez mais agudos à medida que aumentavam, sendo imediatamente absolvido pelo dono do espaço desportivo, que acusou severamente o delator:
- Não é falta, é burro!
A estória acaba com um incidente de trânsito grave, e mais uma vez com o Taroulo envolvido! Foi visto a correr em redline, e a soltar ratés, na direção da baliza defendida pelo lendário Fininho, que se queixara de um micro rasgão na zona de entrepernas, lesão tipicamente padeliana sinal de que o jogador já não consegue frenar o movimento do braço, devido ao peso da raquete:
- Então os nossos tomates são maiores? – Gabou-se um dia o Big Mac
Por isso o Fininho recuara para a zona que ele julgava ser de conforto. O choque foi tal que o guarda redes substituto do gigante Espalha rodopiou no ar, fez barulhos esquisitos, ouviram-se dobradiças a ganir e aterrou de emergência na área que deveria ser exclusiva dele. A indignação do Maninho Ensina, um irmão com vocação de oráculo, perante o gesto abominável do irmão foi tal, que se aproximou para o castigar com um feedback pedagógico:
- Tens de ter cuidado, senão ainda matas o ombro ao velho!

Monday, February 13, 2017

O Comandante Guélas - Série Paço de Arcos 83 - O Conclave


O Comandante Guélas

Série Paço de Arcos

Futebol P.A. 14



O Futebol P.A. é um jogo de curtas tensões porque a maioria dos profissionais sofre do malfadado problema de terem de jogar com os pés. A estória do jogo deste domingo tem de ser dividida em duas partes: 1ª Expediente e 2ª A Competição!

Primeira Parte – Por vezes os Senhores do Futebol P.A. fazem  um apanhado da modalidade e das suas regras com 40 anos. Antes do jogo começar o pai Marinheiro foi solicitado para dar um parecer sobre o calçado usado no relvado, porque havia malta que insistia em trazer chuteiras com pitons para a lavoura: o Ulki e o Maninho Ensina!
- Estão dentro das regras! – E afastou-se arrastando umas faluas para o gelo, iguais ao do outro filho, o Clark Kent, que veio para o campo armado em faisão do Benfica, com um toutiço no cocuruto, sendo alvo de um comentário elogioso do Fininho:
- Ai que eu sou o mais bonito do futebol!

Segunda Parte – O Caramelo trouxe um amigo em formato de leitão, que se revelou um profissional da bola e um talentoso ponta de lança, capaz de transportar a bola com a barriga até à baliza adversária, enquanto que o careca número dois, o Bailarino, o senhor das simulações marotas, veio acompanhado de um vizinho com um formato de touro, um defesa central que ficou debaixo do comando do Fininho, um expert naquele tipo de bichos:
- Investe agora!
Graças a Deus o Maninho Ensina ficara a jogar em casa com as próprias bolas, e assim o risco do Tarolo sair de maca foi adiado, pelo menos mais uma semana. Mas o Ulki permanecia! E não demorou muito a fazer estragos, mas sem dramas, porque a vítima desta vez não foi o Zé Miguel, que no jogo anterior ficara com um pé em formato de conguito, mas o hilariante Milhas:
- Epá, vens para aqui com alumínio nos pés! – Gritou a maior vítima dos Baptistas, devido a uma vizinhança com altos e baixos, que quotidianamente insistia em assustar os sobrinhos bebés nas horas das refeições quando eles não queriam comer:
- Olha que vou chamar o Zé da vizinha!
Houve por isso uma geração de baptistas para quem o Milhas representava o Papão. O Choné apareceu a meio do encontro para trazer novas informações recolhidas no Incha Padel. Ficámos a saber que o Conan Vargas, que na juventude tinha feito anúncios ao WC Pato onde, após fazer um formoso cagalhão, esganava a ave e esta expelia um inebriante perfume que camuflava o cheiro a Trancão, continuava a evoluir a olhos vistos, a mão esquerda adquirira um movimento reflexo contínuo, de baixo para cima, já desportivamente interessante, dando a ideia de conseguir tirar ranho à cobra enquanto a bola ia, sinal da dinâmica daquela modalidade, mas ainda longe da posição de guarda redes do Futebol P.A. Mas a preocupação pelo recorrente comportamento, já chamado de “dói, dói”, foi uma constante. A 1 minuto do início do jogo o Brinca na Areia sentiu-se ofendido pelo encosto de um adversário e pediu pénalti. O Fininho sentiu-se ofendido, e com razão, pelo pedido, e mostrou a sua indignação:
- Ai, ai ,ai, tocaram-me no ombro, estou muito dorido!
Mas houve mais 2 grandes penalidades, tendo-se atingido assim a quota destinada ao ano letivo em curso. A partir desta data este tipo de falta está proibido de ser pedido, e quem pedir penalti comete uma “falta grave, que será livre direto em frente à baliza, sem barreira, com a bola a ser colocada numa marca redonda pintada no relvado” (Livro de Regras do tio Mino). Em todas as atas futebolísticas há sempre um facto que merece ser destacado e mencionado para memória futura. E neste caso são os gémeos do Chico Paulo. Não se sabe porquê, mas este jogador profissional da mama, apareceu a meio do campo e resolveu desmaiar na vertical, ao contrário dos habituais desmaios na horizontal na grande área, que o fazem marcar fabulosos golos de cabeça. Por momentos todos pensaram estar em Cabo Canaveral a ver um qualquer lançamento de um foguetão. O jogador subiu inesperadamente, talvez à procura de alguma bola imaginária, o céu estava limpo, por isso todos viram a mesma coisa, e na descida queixou-se de problemas nos flappes, tendo aterrado de emergência, e com as mãos entre as pernas.
- O Chico gripou, - gritou o sempre atento Fininho.
Sabe-se pouco do que aconteceu ao jogador, foi visto com um saco de gelo a arrefecer os gémeos!

Monday, February 06, 2017

O Comandante Guélas - Série Paço de Arcos 82 - Tática e Estatística

O Comandante Guélas

Série Paço de Arcos

Futebol P.A. 13




A tradição cumpre-se sempre! Um minuto antes do início do jogo, depois dos atletas terem mostrado ostensivamente, no aquecimento, a sua devoção pela modalidade, a divergência do costume:
- Que merda de equipa é esta, Peidão? – É a pergunta recorrente do Bil e do Tio Kiki, caso pertençam à sua equipa.
E o dinossauro e paciente pastor incondicional de futebolistas, o Querido Líder nº 2 do Futebol P.A., uma vez que o Special One dá pelo nome de Fininho, tenta explicar-lhes o que eles nunca irão compreender:
- Escolho a equipa porque sou eu que tenho as estatísticas!
A Estatística e a Tática andam de mãos dadas no Futebol P.A., e quem conseguir domar as duas ganha sempre o jogo. Por isso o Special Two escolheu o Espalha, o Bill e o Milhas, as três peças fundamentais na vitória deste domingo, baliza, meio campo e ataque, respectivamente. Mas nesta equação tem de haver sempre espaço para o fator surpresa, que neste caso teve o nome de Preto, que chegou tarde e a más horas, e por isso acampou junto ao Milhas, dando origem a uma frente de ataque com mais de cem anos. Foi a vez da Tática colocar as peças no tabuleiro! O fabuloso Espalha, o sobrinho da Uber do desejado Isaltino, olhou para o céu e compreendeu que o modelo de jogo seria o “baliza a baliza”, o adversário tinha o sol pela frente e ele o Bill. A este o Peidão colocou-o a meio campo:
- Assim teremos mais hipóteses de compensar o anti jogo dele!
Mas até o jornalista se revelou um genuíno jogador de futebol: o Espalha dava um chuto para a frente, o médio apanhava com a bola na cabeça, mas como estava de costas perdia a capacidade de fazer algum gesto voluntário que pusesse a sua equipa em risco, como por exemplo devolver a bola, e o esférico ressaltava para os pés do Preto que, com um biqueiro reflexo, colocava-o à frente das chuteiras do Milhas, limitando-se este a empurrar a bola para o fundo da baliza do Fininho. À conta disto o magnata fez um “à trick”. Os outros dois foram fruto do trabalho individual do Brinca na Areia nº 2, um amigo do Taroulo desconhecido da maioria que já fazia parte do Manual de Estatística do Futebol P.A. Mas houve mais, muito mais! O Fininho trouxe um refugiado sírio e o seu filho, com o dobro do tamanho da bola e no papel de avançado principal que, segundo o Espalha, estava acampado na quinta do Special One. Vimos o sírio quando o Zé Miguel, descendente do Peidão, o contemplou com uma carga de ombro legal junto à linha lateral, que o colocou para lá deste e em cima de um cipreste, donde regressou a protestar com voz de falsete e a correr para a porta de saída:
- Assim não, assim não!
A transformação fê-lo ganhar de imediato a alcunha de Ulki, e só regressou ao campo após intervenção do Fininho:
- Ou jogas ou tiro-te o saco cama!
Infelizmente o Taroulo é sempre notícia desde que o pai o abandonou, e o Maninho Ensina não dá conta do recado. Está em queda abrupta para a modalidade, arrisca-se a ir parar ao Incha Padel, e até o Bill já gozou com ele, agradecendo-lhe os golos que proporcionou ao longo da partida. E desta vez até foi advertido por um psicólogo, quando disputou a marcação de um livre indirecto, uma invenção desesperada da equipa do Fininho perante a derrota eminente:
- Mas eu quero marcar, - protestou o filho do Choné, batendo com o pé no chão.
- Incorreto, - corrigiu o Carcaça, - o que tu devias dizer era “faça favor de marcar a falta, senhor”!
Enfim, modernices que irão custar caro ao psicólogo, porque no Futebol P.A. comportamentos desviantes destes têm sempre consequências a curto prazo. Para compensar o Bill pelo inesperado jogo, o Peidão pagou-lhe uma viagem à China com as sobras das quotas obrigatórias, onde irá permanecer, graças a Deus, um mês da sua e das nossas vidas!

Saturday, February 04, 2017

O Comandante Guélas - Série Paço de Arcos 81 - Os Koninhas


O Comandante Guélas

Série Paço de Arcos

Futebol P.A. 12



O Tarolo queixava-se de ter um pulso aberto, e tudo por causa dos filmes para adultos que o Balotelli insistia em pôr no grupo do whatsapp do Futebol PA, e por isso queria estar isento de ser guarda redes, mas enquanto reivindicava não se apercebeu da aproximação do Maninho Ensina que, por vir em red line, não teve tempo para travar, mas mesmo que o quisesse nunca teria conseguido porque o pai Choné comprara-lhe as chuteiras em promoção, na loja da Bernardina do “Tudo a 1 euro” na Figueirinha. Ouviu-se um grito lancinante, igual ao do capitão Porão no dia em que o Pona o arrumou de vez. Mas mesmo reformado do Futebol P.A., o militar continua a ser útil no Incha Padel, onde um jogador sem ética desportiva lhe desconta os pontos da carta que já não usa, de cada vez que vai apressado lá para os lados do Riviera, e o radar da praia de Santo Amaro dispara. Por isso o Incha Padel será sempre um desporto mínimo, carregado de partículas finas poluentes geradas por combustíveis de fósseis, as PM2.5, cujos praticantes já evidenciam preocupantes sinais de demência, enquanto o Futebol P.A. é uma competição entre máximos. Quanto à colisão entre manos, o Chico Paulo, também ele um veterano paçoarcoense e especialista em leis desportivas, elucidou os presentes com uma douta sentença, antecipando-se ao Fininho. Mas só falaremos dela no final da estória! Este foi um jogo muito atípico, onde a queixinha prevaleceu, sendo os dois penáltis assinalados, sem qualquer tipo de discussão, a prova disso. O primeiro aconteceu com o único careca em campo que, após uma simulação malandreca, sentiu algo e simulou um pneu furado, seguido de despiste. O segundo teve como artista o Brinca na Areia, um jogador ultimamente muito sensível a encostos que, ao aperceber-se da aproximação desenfreada do Maninho Ensina, um atleta que esteve perigosamente ativo na defesa da sua equipa, simulou um apertão dentro da grande área, pôs travões a fundo e buzinou desenfreadamente. Do Fininho não se ouviu qualquer sentença que indicasse estar do lado da justiça desportiva, repudiando este excesso de mariquice desportiva, resquícios dos tempos em que o capitão Porão usava e abusava dos teenagers paçoarcoenses.  
A sentença do Chico Paulo ao incidente mais grave deste domingo, mencionado atrás, que ditou a culpa do Tarolo por falta de carta de condução, absolvendo assim o Maninho Ensina, foi inquestionável:
- Em caso de falta sem bola aplicam-se as regras do trânsito!