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Thursday, November 26, 2009

O Comandante Guélas - Série Educação 1 - “Piolhos Crónicos”





Comandante Guélas
Série Educação 
Na Taberna da Milú - I

Será isto Educação? Educação não é certamente e a Escola não deveria bater assim.
O espaço abundava em clichés, frases feitas, repetições sem conta, incongruências e contradições, vómitos de banalidades, pessoas que acreditavam ter mais conhecimentos do que outros e por estarem num posto hierárquico superior achavam-se no direito de subestimar os subordinados, apesar da vida exigir muito a compreensão, ou seja, manigâncias de uma Lurdes ressabiada, que um dia fora ministra e quando aluna usufruíra das “passagens administrativas” da Revolução dos Cravos, que incluíra saneamentos de professores que ousavam ensinar, quando na altura a política era a da farra. Foi no meio deste cataclismo pedagógico, agravado por stors com tendências centrípetas, que a dona Tulipa alertou para o facto dos bichinhos serem “enormes”, “assombrosos”, “opulentos”, transformados em “elegantes”, “espectaculares” pela pedagogia do quinto grau do Valter e da Lulu. A escola era assim obrigada a matriculá-los para que a mãe não sofresse mais um trauma, como o do ano anterior, e proibisse a filhinha de pôr os pés no espaço, que de “educação” tinha muito pouco, obrigando os “stores” a reuniões intermináveis e à destruição de várias florestas da região para as transformar em resmas de papel, que dariam lugar a relatórios sem fim, incluindo aquele que descrevia a cerimónia do hastear da bandeira verde, que declarava a escola “amiga do ambiente”. Os “pediculus humanus capitis” unidimensionais redemoinhavam como palhas, sinal de que também sofriam da doença da moda, a PHDA, Hiperactividade com Défice de Atenção, antigamente chamada FA, “Falta de Educação”, que se curava com umas boas EGA, “Estaladas Grátis Apropriadas”, substituídas nestes tempos modernos pela célebre Ritalina, uma droga cara, paga, como sempre, com os impostos do povo e comprada aos amigos pelos decisores. E como a Florzinha não parava, os bichinhos mais dotados seguiam-na, enquanto que os com mais dificuldades despenhavam-se contra o solo, sinal de insucesso garantido. E para resolver esta injustiça social, a menina apresentava-se muitas vezes de chapéu, fizesse sol ou chuva, fosse de dia ou de noite, para assim segurar o fluxo incessante da bicharada, aumentando-lhe o “sucesso escolar”, tão desejado na “estatística a martelo”. Diziam as crónicas que a família fundira-se há muito com o emaranhado de “pediculus humanus capitis”, que se projectava à sua volta, tornando-se no elemento ordenador daquele núcleo, cujas formas enchiam todos de energia. Aumentava assim o valor do Rendimento Mínimo da família da Florzinha, porque com toda esta política de face oculta os seus piolhos tinham adquirido o estatuto de estudantes e como tal mereciam ter direito a uns “cosques”. Pertenciam assim à iconografia do ministério que tinha atingido o cúmulo do ridículo com a insistência fundamentalista da importância dos números na cabeça dos petizes. Com estas metas traçadas, a Florzinha merecia o nome no “Quadro de Honra”, porque os “pediculus humanus capitis” eram aos milhares!