Comandante Guélas
Série Paço de Arcos
O Gang ainda
era do tempo que férias em Sagres significavam acampar no parque selvagem junto
à praia mais “in” da localidade e ir jantar ao mini-restaurante do Gordo Caixa
de Óculos, proprietário de uma Discoteca cujo nome era “Solemente para Amigos”,
e onde os “meninos das boas famílias de Paço de Arcos” tinham entrada exclusiva.
Uma espécie de “Kadoc”!
Só os
paço-arcoenses afortunados tinham acesso a mais comodidades: o Cocas, porque
ficava na casa dos pais e o Eterno-Noivo porque levava sempre a “roulote”, com
a noiva do momento.
Sagres parecia
um acampamento da ONU, ouviam-se todas as línguas. E a confusão era tão grande,
que podiam dar de caras, a meio da noite, dentro da suas tendas, com alguma
estrangeira bêbada a cheirar a estrume. Mas num dos anos foram presenteados com
uma artista do Porto, de nome Balbina. Todos os dias levava para a tenda um
estrangeiro novo, que era obrigado a deixar os sapatos à entrada. E pelo
tamanho das faluas, tentava-se adivinhar a altura dos franguitos. A comilona
falava várias línguas, e tinha um volume de voz que se ouvia à distância,
usando a língua pátria nas alturas em que desejava insultar a comida. Foi uma
espécie de novela, a “Simplesmente Balbina”, que animou as noites de Sagres
durante quinze dias! Ainda rondou a tenda do irmão do Chinoca, mas este estava
prevenido com sensores e não gostava de torresmos.
Mas houve mais!
A tenda do paço-arcoense mais ajuizado, e de
nome Peidão, também fazia parte do acampamento da ONU, e era a mais pequena
habitação da zona, porque o citado adolescente “não quis gastar muito dinheiro
na altura da aquisição”, segundo palavras do Chinoca. E, portanto, ele e a
namorada tinham de entrar de gatas. Numa das noites de Sagres muito ventosas, o
Graise foi pedir lume ao Peidão e teve de acender o cigarro com a cabeça dentro
da habitação.
- Cuidado, que
isto é de “nylon” e arde rapidamente, – disse o fumador, sem se aperceber que o
aviso tinha acabado de acender o rastilho de acesso aos neurónios do Peidão.
Quando a noite
ainda ia a meio, o proprietário da barraca minorca, em sono profundo, sonhou
com um incêndio e só acordou quando já estava meio de fora, a olhar para o café
que nunca conseguia ver, e com os farrapos da tenda a balançarem ao vento.
Tinha saído pelas traseiras.

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