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Sunday, March 27, 2016

O Comandante Guélas - Série Paço de Arcos 62 - Simplesmente Balbina

Comandante Guélas

Série Paço de Arcos


O Gang ainda era do tempo que férias em Sagres significavam acampar no parque selvagem junto à praia mais “in” da localidade e ir jantar ao mini-restaurante do Gordo Caixa de Óculos, proprietário de uma Discoteca cujo nome era “Solemente para Amigos”, e onde os “meninos das boas famílias de Paço de Arcos” tinham entrada exclusiva. Uma espécie de “Kadoc”!
Só os paço-arcoenses afortunados tinham acesso a mais comodidades: o Cocas, porque ficava na casa dos pais e o Eterno-Noivo porque levava sempre a “roulote”, com a noiva do momento.
Sagres parecia um acampamento da ONU, ouviam-se todas as línguas. E a confusão era tão grande, que podiam dar de caras, a meio da noite, dentro da suas tendas, com alguma estrangeira bêbada a cheirar a estrume. Mas num dos anos foram presenteados com uma artista do Porto, de nome Balbina. Todos os dias levava para a tenda um estrangeiro novo, que era obrigado a deixar os sapatos à entrada. E pelo tamanho das faluas, tentava-se adivinhar a altura dos franguitos. A comilona falava várias línguas, e tinha um volume de voz que se ouvia à distância, usando a língua pátria nas alturas em que desejava insultar a comida. Foi uma espécie de novela, a “Simplesmente Balbina”, que animou as noites de Sagres durante quinze dias! Ainda rondou a tenda do irmão do Chinoca, mas este estava prevenido com sensores e não gostava de torresmos.
Mas houve mais!
 A tenda do paço-arcoense mais ajuizado, e de nome Peidão, também fazia parte do acampamento da ONU, e era a mais pequena habitação da zona, porque o citado adolescente “não quis gastar muito dinheiro na altura da aquisição”, segundo palavras do Chinoca. E, portanto, ele e a namorada tinham de entrar de gatas. Numa das noites de Sagres muito ventosas, o Graise foi pedir lume ao Peidão e teve de acender o cigarro com a cabeça dentro da habitação.
- Cuidado, que isto é de “nylon” e arde rapidamente, – disse o fumador, sem se aperceber que o aviso tinha acabado de acender o rastilho de acesso aos neurónios do Peidão.
Quando a noite ainda ia a meio, o proprietário da barraca minorca, em sono profundo, sonhou com um incêndio e só acordou quando já estava meio de fora, a olhar para o café que nunca conseguia ver, e com os farrapos da tenda a balançarem ao vento. Tinha saído pelas traseiras.    


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