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Monday, February 27, 2017

O Comandante Guélas - Série Paço de Arcos 84 - O Mata Velhos


O Comandante Guélas

Série Paço de Arcos

Futebol P.A. 25


Esta é uma estória de dois domingos, o primeiro e o segundo, e um escândalo no Incha Padel: booling!
- Falta alguém? – Pergunta sempre o anafado Conan.
- Tá fechado, - é a resposta recorrente do hilariante Cociolo, que se julga o maior jogador da Costa do Estoril, desde os tempos em que jogava raquetes com o Carinha da Avó, à beira mar na praia de Paço de Arcos, e se recusa a jogar com coxos.
Mas para que o Clark Kent, ou Faisão do Lagoas caso ponha um pompom no topo do cocuruto, não vá a correr dizer à Judite que ganhou o jogo, razão porque saiu mais cedo e empurrou a equipa para a derrota, o Tio Mino levou a taça, como é tradição, nas duas modalidades! A maior parte dos futebolistas arrasta-se pelo campo com lágrimas e ais, e um jogador arrisca-se sempre a sair com mamas, caso se lesione e tenha o azar de ser socorrido. Por isso o Fininho tem sempre um papel essencialmente cívico, esforça-se por levar as luzes aos jogadores moribundos, começando por desenhar a sua silhueta no chão e avisando-os:
- Vem aí o Preto!
Até ao primeiro domingo a ideia universalmente aceite era que se o Tarolo jogasse seria sempre um problema para a sua equipa, mas descobriu-se a solução: para encher a bola é preciso uma bomba, e para o Maninho Ensina jogar, também. O Choné optou então por comprar uma garrafa de CO2 (“qualquer gás serve”) em segunda mão a uns soldadores, que deu para arejar as suas duas crias, e o efeito sobre o mais novo foi imediato:
- Eu sou um superdotado, tenho um Q.I. de 162! – Informou os presentes após duas inalações.
Agora todos sabiam porque é que o Tarolo “desevoluia” sempre à medida que o jogo decorria, perdia a noção da condução da bola, despistava-se nos contra ataques, levando sempre o Peidão a implorar-lhe:
- Não largues a bola, se entrares pela baliza também é golo!
Era falta de dióxido de carbono, o oxigénio fazia-lhe mal, por isso o seu futuro não está na Terra, mas sim em Marte. Houve mais novidades! O Caramelo, um exímio jovem que marcava conscientes golos de cabeça, apercebeu-se que acabara de entrar na terceira idade, marcou dois inconscientes golos de biqueiro, com o estilo do pai do Chico.
No segundo domingo o encontro foi renhido, o Brinca na Areia por pouco ia enterrando a equipa, mas graças ao Taroulo, já só com O2, a vitória sorriu à equipa mais psicologicamente preparada, pois quando estava a perder pela diferença de três, o Peidão gritou:
- Lembrem-se da estatística!
O Ulki, também conhecido como o Canhão do Padel, foi injustamente acusado de cometer um delito, e transformou-se, sentiu-se uma valorização dos decibéis, que se tornaram cada vez mais agudos à medida que aumentavam, sendo imediatamente absolvido pelo dono do espaço desportivo, que acusou severamente o delator:
- Não é falta, é burro!
A estória acaba com um incidente de trânsito grave, e mais uma vez com o Taroulo envolvido! Foi visto a correr em redline, e a soltar ratés, na direção da baliza defendida pelo lendário Fininho, que se queixara de um micro rasgão na zona de entrepernas, lesão tipicamente padeliana sinal de que o jogador já não consegue frenar o movimento do braço, devido ao peso da raquete:
- Então os nossos tomates são maiores? – Gabou-se um dia o Big Mac
Por isso o Fininho recuara para a zona que ele julgava ser de conforto. O choque foi tal que o guarda redes substituto do gigante Espalha rodopiou no ar, fez barulhos esquisitos, ouviram-se dobradiças a ganir e aterrou de emergência na área que deveria ser exclusiva dele. A indignação do Maninho Ensina, um irmão com vocação de oráculo, perante o gesto abominável do irmão foi tal, que se aproximou para o castigar com um feedback pedagógico:
- Tens de ter cuidado, senão ainda matas o ombro ao velho!

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