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Monday, February 06, 2017

O Comandante Guélas - Série Paço de Arcos 82 - Tática e Estatística

O Comandante Guélas

Série Paço de Arcos

Futebol P.A. 13




A tradição cumpre-se sempre! Um minuto antes do início do jogo, depois dos atletas terem mostrado ostensivamente, no aquecimento, a sua devoção pela modalidade, a divergência do costume:
- Que merda de equipa é esta, Peidão? – É a pergunta recorrente do Bil e do Tio Kiki, caso pertençam à sua equipa.
E o dinossauro e paciente pastor incondicional de futebolistas, o Querido Líder nº 2 do Futebol P.A., uma vez que o Special One dá pelo nome de Fininho, tenta explicar-lhes o que eles nunca irão compreender:
- Escolho a equipa porque sou eu que tenho as estatísticas!
A Estatística e a Tática andam de mãos dadas no Futebol P.A., e quem conseguir domar as duas ganha sempre o jogo. Por isso o Special Two escolheu o Espalha, o Bill e o Milhas, as três peças fundamentais na vitória deste domingo, baliza, meio campo e ataque, respectivamente. Mas nesta equação tem de haver sempre espaço para o fator surpresa, que neste caso teve o nome de Preto, que chegou tarde e a más horas, e por isso acampou junto ao Milhas, dando origem a uma frente de ataque com mais de cem anos. Foi a vez da Tática colocar as peças no tabuleiro! O fabuloso Espalha, o sobrinho da Uber do desejado Isaltino, olhou para o céu e compreendeu que o modelo de jogo seria o “baliza a baliza”, o adversário tinha o sol pela frente e ele o Bill. A este o Peidão colocou-o a meio campo:
- Assim teremos mais hipóteses de compensar o anti jogo dele!
Mas até o jornalista se revelou um genuíno jogador de futebol: o Espalha dava um chuto para a frente, o médio apanhava com a bola na cabeça, mas como estava de costas perdia a capacidade de fazer algum gesto voluntário que pusesse a sua equipa em risco, como por exemplo devolver a bola, e o esférico ressaltava para os pés do Preto que, com um biqueiro reflexo, colocava-o à frente das chuteiras do Milhas, limitando-se este a empurrar a bola para o fundo da baliza do Fininho. À conta disto o magnata fez um “à trick”. Os outros dois foram fruto do trabalho individual do Brinca na Areia nº 2, um amigo do Taroulo desconhecido da maioria que já fazia parte do Manual de Estatística do Futebol P.A. Mas houve mais, muito mais! O Fininho trouxe um refugiado sírio e o seu filho, com o dobro do tamanho da bola e no papel de avançado principal que, segundo o Espalha, estava acampado na quinta do Special One. Vimos o sírio quando o Zé Miguel, descendente do Peidão, o contemplou com uma carga de ombro legal junto à linha lateral, que o colocou para lá deste e em cima de um cipreste, donde regressou a protestar com voz de falsete e a correr para a porta de saída:
- Assim não, assim não!
A transformação fê-lo ganhar de imediato a alcunha de Ulki, e só regressou ao campo após intervenção do Fininho:
- Ou jogas ou tiro-te o saco cama!
Infelizmente o Taroulo é sempre notícia desde que o pai o abandonou, e o Maninho Ensina não dá conta do recado. Está em queda abrupta para a modalidade, arrisca-se a ir parar ao Incha Padel, e até o Bill já gozou com ele, agradecendo-lhe os golos que proporcionou ao longo da partida. E desta vez até foi advertido por um psicólogo, quando disputou a marcação de um livre indirecto, uma invenção desesperada da equipa do Fininho perante a derrota eminente:
- Mas eu quero marcar, - protestou o filho do Choné, batendo com o pé no chão.
- Incorreto, - corrigiu o Carcaça, - o que tu devias dizer era “faça favor de marcar a falta, senhor”!
Enfim, modernices que irão custar caro ao psicólogo, porque no Futebol P.A. comportamentos desviantes destes têm sempre consequências a curto prazo. Para compensar o Bill pelo inesperado jogo, o Peidão pagou-lhe uma viagem à China com as sobras das quotas obrigatórias, onde irá permanecer, graças a Deus, um mês da sua e das nossas vidas!

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