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304 estórias

Wednesday, February 01, 2017

O Comandante Guélas - Série Colégio Militar 83 - Silêncios!


Comandante Guélas

Série Colégio Militar





“há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio, do que a tua vã sabedoria supõe”

Hamlet


No Colégio Militar sempre se manifestaram todas as possibilidades, desde o brilho, à escuridão, sempre foi capaz de glorificar incapazes e desconstruir capazes, era um espaço educativo que apresentava o maior número de pontos de interrogação. Esta é uma estória expurgada de sofismos! Não podemos esconder os nossos pecados, não podemos enterra-los, temos de carrega-los, temos de admiti-los. O orgulho não advém da consumação do erro, mas da coragem que é necessária para admitir esse erro. Os Meninos da Luz tinham uma capacidade de se entregar aos outros e a causas solidárias, como a Conferência de São Vicente de Paulo, tratada no meio como “Conferência”, que os fazia vestir a farda de terilene, e abdicar das brincadeiras das quartas-feiras à tarde (perseguir a Rosa, acender fogueiras, massacrar o Carioca, pendurar-se no trator do senhor Nunes, perseguir o Meia-Lua, interromper o namoro do tenente Mota, beber o vinho da missa do padre Peixoto), para ir acudir aos mais necessitados da zona, registar num bloco as suas carências e, após validação superior, dar-lhes cheques colegiais. O Gordini, o Peidão, o Cebola, o Coiote, o Horrível, o Cabedo, e tantos outros samaritanos, faziam por isso parte de uma geração com grande sentido da prática e do concreto, estando assim imunes às suas qualidades intelectuais, que eram equívocas. A encíclica Populorum Gina, emprestada pelo Coiote foi fundamental na formação destes meninos, que não tinham direito a via verde para a liberdade às quartas feiras à tarde, porque os seus números não constavam do Quadro de Honra. Por isso quando o Gordini recebeu autorização para ir fazer caridade, imaginou-se logo sentado à mesa nas casas das já lendárias velhas de Carnide, a empanturrar-se de bolachas e biscoitos, ao mesmo tempo que preenchia a folha do questionário obrigatório, que teria de ser entregue na comissão colegial, sinal de trabalho piedoso intenso. Mas parte desta estória traz uma carga inflamável! Dizia-se que no batalhão todos eram só um, todos tinham os mesmos pontos fortes, todos tinham as mesmas fraquezas, o que acontecia a um, acontecia a todos, um desobedecia às ordens, todos desobedeciam às ordens. Dever, honra e integridade. O Colégio Militar não tolerava ladrões nem homossexuais. O primeiro resolvia-se com facilidade, porque como os gatunos eram de boas famílias não roubavam, descaminhavam-se, por isso neste espaço educativo somente se descaminhava, à grande e à francesa, e daí a razão para a existência das firmezas, a banalidade do mal. Quanto ao segundo tema, dizia respeito a um confronto entre o indivíduo e o coletivo, onde bastava haver uma hesitação identitária para provocar uma ansiedade, um esconde-esconde, disfarces, arrepios, dúvida existenciais. Mas abordar o assunto, que deve ser falado como muitos outros, exige calma, há camaradas muito sensíveis de ambos os lados da barricada, por isso já lá vamos, com pantufas, cor de rosa para uns, camufladas para outros, em vez das comuns botas cardadas. A vida no Colégio Militar era condicionada pela perceção e pela emoção, cujo plano de formação dos Meninos da Luz incluía a Sala de Leitura, onde as aventuras de um filho dum ribatejano e de uma inglesa faziam as delícias da rapaziada, que à noite se deliciava nas camaratas com as loucuras de umas suecas sem limites. Elas eram muitas, e aviavam muitos, enquanto ele lutava sozinho contra o Rommel, o Goering, o Hitler, e o Mussolini. Havia quem vivesse à beira do mais puro e simples desespero, onde o Jaime Eduardo de Cook e Alvega representava a tentação, em vez das míticas Ginas. Para a maioria as almofadas eram o alvo natural, enquanto que para aqueles os atributos dos vizinhos representavam a maçã da Branca de Neve. Era um debate recorrente, seco e tenso, que colocava a intensidade dos sentimentos no centro dos equilíbrios deste espaço educativo que se dizia cheio de pergaminhos. E nesta encruzilhada as verdades da razão nunca se sobrepuseram às verdades da fé, contaminadas pelo vírus da insensibilidade, pois quando os limites eram transgredidos havia consequências. A revista “O Falcão” nº 716 foi devastadora para muita gente do batalhão:
- Morreu o major Alvega! – Gritou um graduado no meio das formaturas que se dirigiam para as aulas da manhã daquele dia chuvoso de inverno dos anos setenta do século passado.
Frederico Guilherme I, o rei-sargento da Prússia, tinha um fraquinho por rapazes altos, e Pedro, o Grande, colecionava anões. Algures nos anos trinta do século passado, na leitura da ordem da última formatura, toda a companhia ouviu a punição de um soldado que estava em serviço na quinta, “por ter sido encontrado pelo sargento da ronda a cometer actos ilícitos em cima de uma vaca”, tendo sido condenado a dez dias de prisão. Durante a semana seguinte a vaca foi a estrela do Colégio Militar, todos os ratas a queriam ver, segundo contou o 291 de 1934. O último ano do Colégio Militar era de “comando”, e o que se fez de bom e de mau desde o início, era importante para se determinar as responsabilidades. Seria assim? Nas duas últimas décadas uma transgressão foi longe de mais, e teve como protagonista um camarada com uma folha imaculada, exageradamente formal, amigo de todos, muito paciente, que dava grandes “secas” aos seus jovens subordinados, qualidades que lhe valeram uma via verde vitalícia. Cochichava à meia luz na sala de leitura com a rapaziada a quem dava explicações. Depois de sair deslocava-se ao colégio três vezes por semana, onde era recebido como o Super-Homem, abraçado e abraçando todos, especialmente os mais novos, alguns filmados a participar em jogos inabituais, participava com empenho no discurso do marechal, durante a noite de todos os fantasmas. Até aí o clorofórmio gamado ao Valentim na enferma apenas servira para atordoar as galinhas do Nunes, o pai da Rosa, mas ele preferiu usá-lo em alguns pintos fardados de cotim, filmando as brincadeiras, e divulgando-as para um público ávido. Os nossos atos são uma escolha. A vida no Colégio Militar estava metodicamente organizada, o tempo era cuidadosamente repartido, regular, apesar de para uns representar uma solidão e para outros a liberdade. E a liberdade do Chula foi um dia longe de mais num treino na sala de remo, durante uma noite. A negação destes factos permite criar mundos virtuais, irreais, fictícios, fantásticos


Wednesday, January 25, 2017

O Comandante Guélas - Série Paço de Arcos 80 - O Maestro

O Comandante Guélas

Série Paço de Arcos

Futebol P.A. 11


Quando o Fininho, o maior gestor desportivo paçoarcoense, se ausenta por algum tempo das atividades desportivas da vila, ocorrem de imediato fenómenos disruptivos. Foi o que aconteceu na semana passada! O mítico jogador deslocou-se à Holanda para umas merecidas férias, cinco euros mais baratas, pois não pagara o último jogo em que estivera presente,  no Incha Padel o ConanVargas, o atleta com mais margem de progressão da modalidade, que promete na Páscoa passar da posição estática para a dinâmica, teve um desentendimento com o mais onomatopeico desportista paçoarcoense de todos os tempo:
- Nesta fase inicial muito sofri para conseguir jogar, depois passa. Já tens condições bem melhores para começar. Amanhã tenho treino e jogo de seguida, fico saciado por 24 horas, - confidenciou o guru Cociolo depois do  Conan se queixar da falta de amigos para jogar Padel, mostrando que já nem o bilhar de bolso nem o Pau de Cabinda o satisfaziam.
No futebol o caso foi mais grave, o Tarolo trocou de papéis com o Bill, que finalmente conseguiu marcar um soberbo golo pela sua equipa, fazendo birras, greves, e várias idas ao bebedouro, oferecendo vários golos de bandeja ao Brinca na Areia que, até meio da partida, esteve desesperado a perder por dois a zero, ambos marcados pelo inacreditável Milhas, mantendo a atitude mesmo depois do empate.
- Calma filho, o resultado está igual, - tentou chamá-lo à razão o obeso pai mas recebeu de imediato uma resposta contundente.
- Para mim é a mesma coisa!
E foi a partir deste momento que o Tarolo entrou numa espiral de convulsões, enterrando definitivamente a equipa e ocupando o lugar do jornalista, que fora construído com sangue, suor e lágrimas ao longo de cinco décadas. Foi assim um jogo atípico! O Espalha, que se revelara um expert da baliza, confirmou aqui a sua incapacidade para defender biqueiros enviados de longe, culpando sempre os colegas mais próximos.
 Os jogadores do Futebol P.A. são deuses na arte de dominar o esférico, enquanto que os seus congéneres do Incha Padel têm um amor pela bejeca límpida e sem atalhos, por isso para eles as bolas que Deus lhes deu estão em decomposição. No domingo anterior, ainda com o maestro presente,  pode-se assistir, ao vivo, à solidariedade no estado puro, pois o Bill abdicara, mais uma vez, de jogar na própria equipa para ajudar os adversários. É a sua veia revolucionária! E cinco minutos depois do Maninho Ensina parar o jogo para reivindicar o direito a chutar com o sol pelas costas, desejo indeferido pelo Fininho, um biqueiro fabuloso com os olhos fechados introduziu a bola no fundo da baliza à guarda do sobrinho da Uber. Mas neste domingo sem o Fininho, o auge da conflitualidade foi atingido quando o hilariante Milhas se dirigiu ao Caramelo, e o esfaqueou com uma palavra inadmissível, que daria direito a um penálti caso o gestor estivesse presente:
- Estúpido!
Fazendo lembrar o longínquo “Caramelo” do Tio Mino.
- Eu não te dei confiança para me dirigires a palavra nesses termos, se queres mesmo jogar à bola vai à quinta feira à noite - protestou a vítima.


Monday, January 09, 2017

O Comandante Guélas - Série Paço de Arcos 79 - Nó Cego


Comandante Guélas

Série Paço de Arcos

Futebol P.A. 10


“O segredo da minha longevidade é o exercício físico: nunca fiz!”  Winston Churchill


Os jogadores do Futebol P.A. há muito que aprenderam a técnica e reprogramaram-se, enquanto que no Incha Padel, por terem um hardware reduzido pela idade, nunca poderão melhorar o software, nem com aulas do Tio Mino. O Futebol P.A. é extremamente criativo e misturado, onde para se ser um bom jogador a idade não é critério, mas sim a categoria. O Padel promove os sentimentos contraditórios, dentro do próprio grupo.
- O meu pai devia estar aqui para ver isto, - gritou o Tarolo depois de tropeçar na bola e esta ter ressaltado no panarício que tinha na mão, indo direitinha para o fundo da baliza adversária.
Mas o Choné só tinha aparecido para pagar a dízima ao Peidão, porque sabia que sendo o primeiro teria direito a “desconto de ninhada”, pagava dois jogadores e ficava com o direito de trazer toda a família, sobrinhos incluídos, mais a empregada e o jardineiro. O mais importante deste primeiro jogo do ano de 2017 no Lagoas Parque estava reservado para o final, quando o Fininho decretou, a frio e sem preliminares, uma nova regra, o “Regime de Excepção”, só ao alcance deste jogador todo poderoso do Futebol P.A. e do Incha Padel, a quem ele já prometera tirar as raquetes, a rede, e introduzir balizas, enfiando em cada uma delas um gordo, o Conan Vargas e o Big Mac, estando reservado para o Cociolo a função de roupeiro, o equivalente ao Fernandinho do futebol!
E num contra ataque o Tarolo marcou um grande golo, não sem antes o Espalha, que estava na baliza, ter vindo a correr até ao meio campo tocar com uma mão na bola, para assim invalidar a brilhante jogada, mas a resposta do Fininho, Tio Mino no Padel, foi demolidora, declarando logo ali “regime de excepção”, o que permitiu ao Tarolo continuar com o esférico e entrar dentro da baliza, a única forma que conseguia para marcar golos em situação de isolamento. O Clark Kent bem tentou protestar, ameaçando divulgar a tramóia no direto que iria fazer mais tarde para a TVI à frente da porta da casa onde guardavam o presunto do márocas, mas aceitou o resultado quando o Chico Sá o avisou que neste jogo estava mais parecido com o Goucha, do que com o jornalista. O Tarolo estava endiabrado, ainda conseguiu driblar três adversários e enfiar de novo o esférico no fundo da baliza, não se contendo nos auto-elogios, o que levou o sempre atento Chico Paulo a questioná-lo com perspicácia:
- Ouve lá, quando bates pívias também pensas em ti?

Thursday, December 22, 2016

O Comandante Guélas - Série Paço de Arcos 78 - Ao velhinho se torce o pepino


O Comandante Guélas

Série Paço de Arcos

Futebol P.A. 9

Em Paço de Arcos, terra com hábitos desportivos, joga-se mais Padle no Watshapp, que substituiu o café do Américo, do que no campo. E aqui já se destacam dois atletas, o hilariante Cociolo que joga à chuva para esquecer aquilo que foi um dia, o Cociolo, e joga à chuva para esquecer aquilo que é hoje, o Cociolo.
- “Entrar nestas conversas é um insulto à inteligência”, - protesta o jogador de personalidades labirínticas, imprevisível e incoerente.
E o Conan Vargas, que “joga por diversão”, mostra que vai para o campo à procura de sexo!
- “Já tenho bolas, bandolete, fita de óculos, punhos, e outras padeleirices. Só não tenho guarda chuva”! – respondeu.
Valorizamos o futebol de Paço de Arcos como um pilar essencial à nossa sobrevivência. E quando se vai jogar pensando que nada de novo irá acontecer, e portanto a crónica semanal não terá conteúdos para prosseguir, eis que o Caramelo traz o amigo Carcaça, e o Fininho o filho ilegítimo Fernandinho. O primeiro, sem pronunciar qualquer palavra, e aparecendo detrás de um carro, estende uma nota de cinco ao Peidão, um eurodependente, que abre de imediato a bolsa das esmolas para aceitar tão generosa dádiva, e segue viagem em direção ao campo decidido a jogar. O segundo vem com um sorriso de orelha a orelha, e é de imediato aceite por estar abrangido pela “Lei do Sete Escadas”. No campo o Caramelo põe como condição para participar na escolha das equipas, ficar de imediato com o Brinca na Areia, alegando “nunca ter jogado com ele”, mas o Peidão chama-o à razão:
- É contra as regras, temos de escolher com a pedra, o Fininho é homem para anular o resultado no final, caso perca, alegando incumprimento dos estatutos. Todo o cuidado é pouco, trouxe o Fernandinho por alguma razão. Mas está descansado, eu sou um jogador de rotinas, ponho a pedra na mão direita e atrás das costas mudo.
E assim o Caramelo aceitou cumprir. Mas os hábitos mudam! A pedra permaneceu na mão direita e o oponente escolheu a esquerda. O Bill começou o jogo com grande fulgor, conseguiu acertar duas vezes nos postes, mas acabou por ser traído pelas habituais “Disfuncionalidades Cognitivas Temporárias”, que o fazem jogar com muita qualidade na equipa adversária.  Entrou Fernandinho, saiu Botas Sanjo, estava encontrado um novo jogador com perfil para o Futebol PA, que nunca seria aceite no Incha Padle, um grupo elitista, cuja mensagem do Velhinho não deixa margem para dúvidas:
- “Cociolo tens de ir para orientar os coxos, nem que seja roda bota fora”.
Mas para compreendermos esta nova modalidade que atrai todos os mancos finos da vila de Paço de Arcos, basta seguir a rotina de dois dos seus atletas de maior renome:
São 7 horas duma sombria e chuvosa  manhã paçoarcoense, Conan Vargas, uma lenda viva da Costa do Estoril, autor da frase mais famosa de todos os tempos, “dou 8 de seguida sem ver a luz do sol”, nunca tendo compreendido que as mijas não contavam, espreita pela janela e vê que o seu adversário direto de Padle, Cociolo, já está na estrada a treinar para o próximo campeonato. Ambos representam dois mundos paçoarcoenses opostos, que se digladiarão mais tarde num campo da Quinta da Moura, onde habita o mais complexo jogador do Futebol PA, o Milhas. O Cociolo sempre avaliou muito mal o que a maioria dos concidadãos pensam dele, estica a corda até ao ponto em que a própria sombra foge. Por isso entre o Conan e o Cociolo existe uma dissonância cognitiva e afetiva, que separa as elites bem pensantes do povo cosmopolita. Mas há agora uma esperança de mudança, os Coxos de Prata, um sub grupo do Incha Padel, que se encontra ainda na fase da bolha, impensável existir no Futebol PA. E com outros objetivos bem definidos está o Big Mac que, a coberto de uma reportagem fotográfica, vai construindo a sua famosa “Lista Chinoca”!

Saturday, December 17, 2016

O Comandante Guélas - Série Paço de Arcos 77 - Operação Mata Velhos

O Comandante Guélas
 Série Paço de Arcos
Futebol P.A. 8 

Quando o Big Mac apareceu no futebol de domingo a fazer a apologia do Padel, o Tio Mino desconfiou, não porque ele trouxesse um braço ligado, mas porque se definia como um “velho atleta que já contava para cima de cinco dezenas, sem uma hora a mais ou a menos”. Mal ele sabia que uns dias antes o Big Mac tinha proferido umas estranhas palavras no final de uma reunião de trabalho numa sinistra agência funerária, a “Cinzas Finas”, na Brandoa:
- Amigos, amigos, negócios à parte! - Explicou, com as lágrimas a caírem em catadupa.
O esquema estava montado, as vítimas seriam encaminhadas para o primeiro e último jogo com o Preto, o Chinoca e o Conan Vargas. Mas vamos por partes! O isco era o imponente Conan Vargas, imagem de marca do Padel paçoarcoense, com legenda e tudo:

 “sou demasiado forte para alguns, é esse o meu problema!”

 E uma vez em campo despachavam rapidamente o atleta, cujo óbito era logo ali declarado pelo médico, facilitando o transporte imediato do corpo na mala do carro do proprietário do forno de Barcarena, ao mesmo tempo que o homem da Remax punha o nome do falecido no cartaz da venda da propriedade agora desocupada. Mas o negócio previa outras mais valias! Só convidavam pesos médios, para assim terem que gastar mais lenha na fritura, por ausência de gordura corporal. O Velhinho nunca poderia jogar, iria pôr em risco o negócio do Chinoca, explodindo no ato da fritura, devido a ter as células atestadas de álcool. Havia um indício que os convidados desconheciam, a crise de lenha nas redondezas, toda ela açambarcada pelo asiático.
 - É a ideia perfeita, mas não poderei convidar os amigos todos juntos, vêm a prestações, - explicou o empresário de Padel aos cúmplices.
Mas havia outro a fazer negócio paralelo, o Tio Kiki, o homem do material, que acabara de comprar várias frigideiras no Ikea.
- Digo-lhes que são raquetes, nem notam a diferença!
Por isso, caros paçoarcoenses, desconfiem de cada vez que receberem um convite do grupo Incha Padel do Whatsapp.