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Wednesday, October 26, 2016

O Comandante Guélas - Série Paço de Arcos 72 - Obrigado Zé!

O Comandante Guélas

Série Paço de Arcos

Futebol P.A. 3


No futebol de Paço de Arcos não há detalhes supérfluos, tudo é significante, nada é natural ou está lá por acaso. A suspeita estava lançada, a corrupção tinha chegado ao futebol de domingo, o Fininho, agora mais conhecido como o Pinto de Paço de Arcos, andava a ganhar todos os jogos, conseguia transformar derrotas óbvias, em vitórias impossíveis. Mas na última partida os indícios foram tantos, que as dúvidas transformaram-se em certezas para o único jornalista presente, o Bill, que já comemorava efusivamente o 4 – 2, quando foi perder 4 – 5, uma reviravolta que começou com um gravíssimo atentado contra o jogador mais complexo da liga paçoarcoense, que surpreendeu os colegas e foi motivo de júbilo do corruptor principal. O Milhas foi literalmente atacado na grande área adversária pelo senhor doutor, rodopiou no ar, aterrou com estrondo na zona mais pelada, sinal de que o gesto que o derrubou fora premeditado, gritou como uma tempestade, pondo as sobrancelhas oblíquas, comportamento habitual desde a adolescência quando entrava em situações de stress, e ouviu a música de uma trombeta. Entrou num estado psicótico, atirando relâmpagos sobre o agressor e olhou para o espaço entre os seus pés, sentiu que as palavras dos amigos estavam a ficar fora do lugar, estava rodeado de sons, imagens, palavras, coisas, atmosferas, ideias, sentimentos, miragens, deu de caras com a Quitéria Barbuda a fazer compras no “Severino Seco”, onde pedia 10 tostões de manteiga, meia quarta de café, uma quarta de arroz, ao mesmo tempo que punha uma garrafa vazia em cima do balcão. Ainda teve tempo de ouvir o senhor Fernando a perguntar-lhe com um ar de gozo:
- É para pôr petróleo?
Regressou ao campo, atordoado pelo turbilhão de incontáveis “Obrigados Zé”, e ainda teve tempo para deixar sair uma indignação exclamada de impropérios e gritos, quando o todo poderoso Fininho aplicou a pena máxima: um penálti sucessivamente repetido até ser falhado pelo Tarolo Neves! E como quem não marca sofre, o Chico Paulo fez de seguida um auto golo (4 – 3), mudou para a equipa adversária, ficou no mesmo sítio, desmaiou e enfiou a bola no fundo da mesma rede (4 – 4). O último golo ninguém o viu, mas foi declarado válido pelo Presidente Vitalício do Conselho de Arbitragem, o sempre presente senhor Pinto de Paço de Arcos (4 -5)!

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