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Tuesday, November 08, 2016

O Comandante Guélas - Série Paço de Arcos 74 - O Polvo

O Comandante Guélas

Série Paço de Arcos

Futebol P.A. 5

 
Dizem que o Padrinho, sem contestação, é o mais relevante teórico do futebol paçoarcoense, e isto significa saber jogar num campo de polémicas e batalhas.
- “ Para tua informação o resultado do próximo jogo é de 6 – 3”, - escreveu o cidadão português Fininho, autóctone de Paço de Arcos, no whatsapp às 11 horas e quarenta e seis minutos do dia 7 de novembro de 2016, segunda feira.
A ameaça era para ser levada a sério, foram por isso informados aqueles em quem a vila ainda pode confiar: o Sobrinho da Uber, dono do espaço desportivo, e o Bill, o jornalista mais idoso do grupo, caso o Sete Escadas da “Voz de Paço de Arcos” não venha de boleia com o suspeito. E a provocação continuou:
- “O Milhas é da tua equipa e marca dois golos na própria baliza”!
O Preto teve mais uma das suas habituais amnésias na distribuição dos coletes, e enviou o Johnny Bravo, descendente do Focas, para a equipa adversária, onde esteve a maior parte do evento preocupado em fazer posições de Culturismo, do que em jogar à bola:
- “Tio, gostei muito da sua companhia, hoje”! – Escreveu às 0 horas e 22 minutos ao Fininho.
Recebeu de seguida um elogio, que expressou a sua satisfação pelo golo que o sobrinho lhe marcou, e que ninguém viu, e a promessa de o escolher para a sua equipa no próximo domingo. O complot iniciou-se às 5H53 da manhã do dia do dérbi, quando o Chico Paulo enviou uma mensagem encriptada:
- “Já cá estou, sou o último a ir à baliza”!
Os amigos ficaram a saber que acabara de retirar a “Tena Lady”, atirando com os indícios de dopping para o caixote de lixo, mas acabou por ser traído em campo com um gesto técnico que contraria toda a sua carreira futebolística, que pôs em evidência o seu estado de sonambulismo, um golo de cabeça após uma elevação à Ronaldo. E houve mais! O Milhas, contra todas as expetativas, e talvez já as regras, fez parte da equipa do Fininho, e não se zangou, nem com o vento, nem com a relva, nem com os colegas, prova de que foi um jogo atípico. O Tarolo, vá-se lá saber como, trouxe nos pés as chuteiras do pai, que estava naquela altura a trabalhar no embarque do avião para Istambul, e conseguiu trocá-las com o Bill, por isso todos os remates que fez fizeram a bola subir na vertical. Quanto ao jornalista, até jogou com algum bom senso, sinal de que as chuteiras do engenheiro podem ser uma mais valia na sua já ténue carreira futebolística. O Rato veio de novo a jogo, na bancada, e trouxe um amigo, o Má-Cara, que tentou publicitar a sua pretensão de formar uma escola de Padel, esquecendo-se de que estava a falar com jogadores que toda a sua vida usaram as pernas, apregoando ser uma modalidade amiga da saúde, mesmo tendo um braço enfaixado. E tudo isto desestabilizou aqueles que estavam destinados a perder. Sabemos já qual é a tática do Fininho, causar discordâncias através da introdução de leis complexas, com uma esquemática de simplicidade, que influência sempre o jogo de muitos, levando-os a praticar mais Padel do que Futebol. Quando está perante uma derrota iminente, passa a praticar um futebol de envolvência, reclamando penaltis sucessivos. Dizem que o jogo deste domingo, dia 6 de novembro do Ano da Graça de dois mil e dezasseis foi “limpinho”, “limpinho”, “limpinho”, porque desta vez o Fininho foi subtil na manipulação da constituição das equipas. É pois muito importante causar-lhe rapidamente uma derrota humilhante, ou ficaremos reduzidos a meros jogadores de Padel.

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