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Tuesday, October 21, 2008

Comandante Guélas - Série Paço de Arcos - O Submarino I

Comandante Guélas
Série Paço de Arcos 

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Estamos no ano dois mil e oito d.C. e os membros do Gang de Meninos Ricos e Caucasianos de Paço de Arcos, que puseram o PREC à beira de um ataque de nervos, trocaram os “peidociclos” por iates à vela e não há regata no Tejo que não conte com estas tripulações de luxo. Mas antes disto os “cotas” tiveram de ir tirar a carta de “Patrão de Costa”, porque hoje tudo é muito diferente dos saudosos anos da revolução, em que bastava ter um palmo de altura para se saltar para os comandos de tudo o que mexesse, desde a Sesaltina, passando pela “Zundapp” do João da Quinta e parando no “cabinado” do Pierre-Pomme-de-Terre ou no potente quatro cavalos do Horta. E como a maioria dos Paço-arcoenses tinha optado pelas “Letras” no 6º ano do Curso Geral dos Liceus, o exame final foi um fiasco para alguns. O Vaca Prenhe apanhou com cálculos logarítmicos e enfiou com o barco virtual na Trafaria, em vez de Belém como pretendiam os examinadores. Esta é a história duma dessas tripulações, a do “Carapau Cocciolo”, um soberbo iate de cor cinzenta, mais conhecido como o “Submarino”, igual à cor das saudosas cuecas que o Bajoulo levava para Cascais nos tempos do PREC (Período Revolucionário Em Curso). A tripulação é constituída por quatro indomáveis gerontes Paço-arcoenses:
1 Velho Artista do Mar com 75% de desconto durante 10 anos, segundo documento oficial;
1 Velho Empresário das Lulas, com várias dioptrias e vestígios de ter sido no passado um loirinho irresistível;
1 Velho Cabeçudo que anda agora na Universidade para a Terceira Idade, porque não quer ir para a cova sem antes ter “Dr.” nos cheques;
1 Velho Homem do Leme e proprietário da embarcação, que faz a vez do “Balão” quando vai para a proa.
O Velho Peidão, o mais ajuizado de todos os tempos, já andava com a pulga atrás da orelha, porque de cada vez que se deslocava em passeio até à Marina de Oeiras, para cumprir o Circuito do Reumático, apercebia-se da ausência do “Carapau Cocciolo”. Soube toda a verdade quando deu de caras, na secção das frutas do shopping, com o tripulante dos 75% de desconto, que lhe contou a estrondosa vitória que tinham arrecadado na mítica regata “Patrão Lopes”, com partida na foz do Jamor e chegada na foz do esgoto da Praia Velha, e tudo isto graças a ele. A partir desse dia o Velho Homem do Leme pôs a tripulação em estágio, e obrigou-os a treinar diariamente. Daí o espaço vazio diário na marina! Sentaram-se calmamente no banco junto à frutaria e o 75% contou a aventura, com relato exclusivo no “Bord’água”.
- O marujo com desconto vai para um lugar de destaque, - ordenou o capitão do “Carapau Cocciolo”.
De imediato o Cabeçudo, de nome próprio Pontas, agarrou no ancião e amarrou-o à proa, não fosse ele cair devido a um golpe de vento traiçoeiro e atirar pela borda fora a vantagem de levarem um velho ao quadrado com 75% de desconto, que lhes permitia partirem vinte minutos antes. Mas para isso tiveram de colocar na popa um autocolante azul com o desenho de uma cadeira-de-rodas.
- Dá-lhe uma seca de história que ele adormece e não se mexerá muito, - avisou o experiente lobo do mar de nome Mac Macléu Ferreira, um homem com um contacto diário com lulas e especialista em mapas, onde a evolução da prova era seguida, sinalizada e decidida. Nestas alturas este cartógrafo deixava sempre as lunetas em casa e guiava-se pelo instinto, sinal do uso de tecnologias sedutoras.
- Das mesas às camas, das loiças às roupas, tudo foi passado a pente fino pelo exigente comandante do “Carapau Cocciolo”, também conhecido por “submarino”, com um rigor e uma autenticidade que fazia com que estes heróis paço-arcoenses regressarem ao tempo pós-25 de Abril, vivido sobre o abismo, - contou o 75% ao atento e responsável Velho Peidão, ao mesmo tempo que deglutia um gostoso “Bollicao”, acompanhado por “Pistachios” chineses.
Cada embarcação era obrigada a ostentar um pavilhão com a figura imponente da ex-miss praia Quitéria Barbuda, a ninfa do Jamor, e até nisto o “submarino” estava a milhas de distância, pois o seu proprietário, um homem sempre ligado a causas sociais, deixara o 75% hastear o desenho que fizera quando estava à espera que a Junta Médica lhe fizesse a inspecção. Na linha de partida alinharam-se os melhores veleiros da Costa do Estoril, com destaque para os dois representantes paço-arcoenses, o “Carapau Cocciolo” e o “Todos-os-Chatos”, este com lugar cativo no terceiro lugar em todas as provas com 3 concorrentes. Um minuto antes do flato do Pacheco, igual àquele que dera vinte anos antes em Espanha no meio de um grupo de meninas que tinha cercado o capitão do “Carapau Cocciolo”, tiro este que daria início à regata do “Patrão Lopes”, o “Submarino” foi autorizado a avançar 75 metros em virtude de ter um tripulante com o mesmo valor de desconto, seguindo o mesmo princípio da “MultiOpticas”. A tripulação sabe que nunca poderá usar o radar, pois os seus efeitos no colega 75% são equivalentes à “Kryptonita Verde” sobre o Super-Homem, e a última coisa que este quarteto deseja é ser capa do “24 Horas” a dizer “Racismo a bordo do Submarino”. E para terminar uma reflexão sobre o “Sub-Gang do Carapau Cocciolo”. Há uma vertigem libidinosa tão intensa nesta tripulação, centrada numa das questões mais em aberto na história desportiva paço-arcoense, a vitória. A tripulação do “Carapau Cocciolo”, também conhecido como “Submarino”, representa a humildade cívica, moral e intelectual da vila de Paço de Arcos, e o gang será sempre recordado como uma espécie de vanguarda estética cujos membros nunca couberam em categorias. Eles são, não os últimos moicanos, mas sim os últimos membros do Império Espiritual Português.

9 comments:

Anonymous said...

Não estou a ver quem é o cabeçudo....
Já noutro dia disseram que o meu
filho Salpicão Maria tinha que comprar um chapéu para 5 anos, ora se ele nasceu em 2006, está muito adiantado.
Porque será?

Anonymous said...

Ninguém fala da cerveja...é uma grade por regata . Já agora só fazemos regatas de dia , porque á noite um dos tripulantes brilha...

Anonymous said...

Pergunta Pertinente

No "submarino" os tripulantes estão agrupados por idades ou importância?

Trovão

75% said...

Também não percebo!?

Não falam das cervejas!? As Mines ajudaram muito!

Anonymous said...

No Submarino os tripulantes estão agrupados por competências
Competência nr 1- Ser do P.A. (ou pelo menos residente honorário de mérito)
Competência nr 2 - Beber Mines pela garrafa
Competência nr 3 - Repartir os pastéis e a sandes do Aúuu
Competência nr 4 - Saber nadar
Competência nr 5 - Chaber escriver e ouvir mal e dizer muitas vezes f*****
Competência nr 6 - Saber mexer no pau (do balão)
Competência nr 7 - ter temas de conversa desajustadasw ao momento , especialmente em regata

Camarada Choco said...

Por favor concretize:

Qual deles bebes mines pela garrafa?

O Mac
O Cabeçudo?
O Proprietário?
O 75%?

Saber nadar?
Se o Mac nada tão bem como joga futebol, então ponham-lhe uma bóia antes de irem para o mar alto.

Dizer palavras impróprias?
Meninos de "boas famílias" não dizem asneiras.

Mexer no pau?
O Capitão também anda por aí?

Conversas desajustadas durante a prova?
Conta...conta...

O atento Peidão está em todo o lado!

Anonymous said...

Crónica do U Boat

No Submarino todos bebem pelo gargalo, sempre três golos e arroto de seguida.

Confesso que todos usam bóia ,mas desnecessáriamente porque de acordo com a física , aquela ilustre sempre presente, um corpo cheio de líquido tem que flutuar...respirar é que é mais díficil.

Sobre as F*** foi tudo ajuramentado que o que ali se ouvia , ali morria (depois digo-te)

Este Sábado e Domingo há regata.

Anonymous said...

A regata dos "Inválidos do Comércio"?
Todos arrotam? Quem é o mais potente?

Anonymous said...

Já merece uma actualização...

novos Tripulantes todos da parte alta de Paço de Arcos:

Cabinhos - Tripulante mais intenso que orienta tacticamente toda a tripulação a berro e dedicasse à colocação de cabos coloridos por toda a embarcação.

Fígados - Atleta de alto desempenho que surge sempre com o fígado em vinha de alhos em dias de regata devido a temperos de noites anteriores

Comodoro Tainha - Velho lobo do mar e maior consumidor de minis a bordo, substitui o 75% na proa devido a queixas com a luminosidade fluorescente do 75% e encarregue dos serviços de catering a bordo.

Todos passaram nos exames para ingressar a bordo bebendo todos pelo gargalo, sabendo nadar, manuseamento do pau, e com substancial e elaborado palavreado de f****** e introduzindo também a palavra c****** como complemento de dialogo marítimo.