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Wednesday, September 17, 2008

Camarada Choco 62 - A Outra




                          Camarada Choco
                                          Aventura 62

Informação aos leitores.: a Dona Pilca foi a banhos e como tal estará ausente desta história, que é para maiores de dezoito anos.
- Kodac, o que é que fazes aqui fora? – Perguntou a Psicóloga Morena, vinda por detrás.
O homem virou-se.
- Pilas? Desculpa Cabo Pilas, mas esse teu pescoço engana-me sempre.
- Pilas?! Mas isso é maneira de abordar um desconhecido?
- Estou confusa, se calhar tive um AVC e nem dei por isso. O senhor não é o Kodac, não é o Cabo Pilas, então o que é que faz aqui junto à porta da Escola de Desaparafusados da Venteira, ex-Brandoa?
- Mano, mano, - gritou alguém duma das janelas do primeiro andar.
A Psicóloga olhou para cima e viu o Cabo Pilas a acenar para o desconhecido. De início pensou que o seu colega estava a alucinar, talvez tivesse tido mais uma travadinha igual à dela.
- Ma…ma…ma…no, no, - chamou alguém vindo por detrás do chalé da água.
- Kodac? Mas que grande confusão, vocês são todos do mesmo tamanho.
O mano dos manos, que eram manos só no fenótipo e não nos genes, contou que tinha sido despedido de motorista do Portugal dos Monguinhas, e que a Doutora Sem Canudo, sempre atenta às promoções, o contratara por metade do preço.
- Pior que o Porres é impossível, - desabafara na altura no seu café, o “Bar Azul”.
O novo motorista Pilas nem queria acreditar quando a filha clandestina do Stor Rico, retinta e desaparafusada, o chamou para o informar que era tão feio e por isso não fazia o seu género:
- Houve lá ó princesa, tu não tens espelhos lá em casa? – Respondeu-lhe já à beira de um ataque de nervos.
Mas, no fundo do corredor aconteceu algo que alterou por completo a confusão que se instalara à porta da quinta da Madrinha. O Esgalhador acabara de aparecer à porta da casa de banho com as calças arreadas e a fruta a badalar ao vento. O Stor Pobre, o mais ajuizado deste mundo de Desaparafusados, incluindo os Aparafusados, viu a figura imprópria do “abafador compulsivo do seu próprio palhacinho” e entregou-o, em mão própria, na sala respectiva, a da Outra. As colegas, que estavam alegremente a pôr roscas nos parafusos, pararam a produção e nem queriam acreditar no que viam. Afinal o colega não tinha aquilo que parecia ter todos os dias: um cacete tipo alentejano! Não passava de uma ervilha, e seca.
- Ai filho, e eu a pensar que eras o maior génio desta sala. Tanta altura para nada! – Desabafou a Outra, puxando as calças do seu mongalhão para o local certo.
As colegas continuavam a rir. O Esgalhador olhava agora para a multidão por cima dos óculos e procurava desesperado um buraco para se esconder, mesmo sendo um Desaparafusado. A sua tutora, a Outra, estava encostada à parede, com o cotovelo direito apoiado no corrimão e a mão a suportar a cabeça.
- Tantos anos a fazer publicidade ao meu Esgalhador, mas afinal ele estava a coçar somente uma borbulha. O que é que irão dizer as minhas colegas, que os têm mais baixinhos, mas com valentes chourições? O Esgalhador não me poderia ter feito isto.
Mas o artista já estava em fuga, passara por cima de vários colegas e ninguém parecia segurá-lo. Ninguém? Havia uma heroína, a Menina Tatrícia, que o colou a uma cadeira. Pelo caminho a Afilhada Doutora com Canudo, chefe suprema de metade do Rés-do-Chão nos dias pares, sendo os ímpares exclusivos da Madrinha, ainda tentou uma abordagem pedagógica, mas ia caindo do alto das suas faluas, as mais indicadas para manipular mongas.

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