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Sunday, January 09, 2011

O Comandante Guélas - Série Paço de Arcos 47 - Transformer


Comandante Guélas

Série Paço de Arcos


O Gang dos Meninos Ricos, Caucasianos e de Boas Famílias de Paço de Arcos (GMRCBFPA – homologado pela paróquia), tinha no seu seio um capitão, vindo directamente da 5ª Divisão, depois de duas gostosas comissões em Cabinda com um pelotão de pretos, a pedido do próprio, e de que tanto se orgulhava. Para este militar de Abril o gang de tenrinhos equivalia às 60 virgens dos árabes, ou seja, estava no Paraíso mesmo sem ter morrido. Todos o viam como uma espécie de “tio” que fazia as vontades dos sobrinhos, e nunca ninguém as dele, apesar de haver sempre dúvidas em relação a alguns. Como vivia dos rendimentos, mesmo tendo no apartamento uma imagem do Che com a sua cara, o capitão era senhor de muitos hobbies, como por exemplo ver de binóculos o Chico Sá na casa do Pimenta, tentando adivinhar o tamanho da sua piroca. O Capitão Porão tinha um mini-branco que estava constantemente carregadinho de conguitos caucasianos, de onde se destacava o Marreco. A inveja das teenageres ia crescendo dia após dia, pois para fêmea já lá estava o proprietário, um garanhão de pêra e bigode. O carro passava a vida a subir passeios, a maior parte das vezes por vontade própria do condutor imberbe, acto este que fazia as delícias do instrutor, que aproveitava sempre a ocasião para o corrigir, correcção esta que começava com um apalpão na coxa. Como os adolescentes já sabiam que a seguir ele iria tentar tirar-lhes “ranho à cobra”, deitavam de imediato a mão ao travão, obrigando o capitão de Abril a bater com os cornos no vidro. Mas mesmo assim o seu riso denunciava que levar pancada da miudagem com pelugem também era o seu forte. E era precisamente ao volante, mas fora destes momentos “Ferrero Rocher”, que o Capitão Porão se transformava, não numa super-mulher de pêra e bigode, mas sim num macho estilo Rambo (com “m”). Uma das situações passou-se na ponte sobre o Tejo, quando se colou à viatura da frente, na faixa de ultrapassagem, e buzinou toda a travessia, porque ao volante do carro da frente ia um velho que, perante tal algazarra, não conseguiu mudar de faixa e teve de gramar com o “cobridor” durante largos minutos. O capitão ficou com as calças encharcadas de baba e o ego do tamanho do Tarzoon, pois mostrara à canalha que a sua fama não passava de boatos. Após esta cena simulou uma quarta na perna do Ginja, seguida de uma quinta virtual na maçaroca do Marreco. O dia ia ser longo, pois a sua casa estava ocupada pelo amor da sua vida, o adolescente mais asiático da vila e a nova amiga, uma cabrita fugida de Lisboa, e só quando o pano branco estivesse na janela é que ele poderia subir, pois era sinal de casa vazia. Rumou então para o café do senhor Américo, antevendo já uma refeição de “pipis”. O tema foi “Política”, e mais uma vez o Capitão Porão mudou de sexo, mostrando a sua força telúrica que o transformou num impiedoso revolucionário da Sierra Maestra, capaz de abafar de uma só vez vários capitalistas sem escrúpulos, deixando-os com os escrotos vazios…perdão, feitos em fanicos. O anticlimax de timbre dantesco aconteceu quando o questionaram sobre o porquê do seu voluntarismo para uma segunda comissão em Cabinda, digna de um herói de Hollywood, visto estar sempre a ridicularizar a guerra.
- Por causa do meu pelotão de pretos, - respondeu de prontidão com voz grossa, mostrando já uma queda para as causas humanitárias, ao mesmo tempo que procurava com sofreguidão a culatra do Estalinho, que antecipou rapidamente o regresso a casa.
Quando teve autorização para regressar a casa já de madrugada, o Capitão teve de gramar ainda com um role de queixas do amigo chinês, desde a Estátua da Deusa Diana colocada por cima da cama que caía sempre na cabeça da cabrita nos momentos mais intensos da relação, até ao penico cheio de mijo que o militar insistia em deixar trancado na mesa de cabeceira, porque verter águas a meio da noite numa casa-de-banho a dois metros de distancia era muito cansativo, mesmo para um revolucionário habituado ao tamanho dos ditos dos gorilas de Cabinda, acabando a reclamação nos lençóis onde a amiga de Lisboa se recusava a brincar, porque desconfiava estarem minados de restos de festas de aniversários do capitão de Abril.

1 comment:

cai de costas said...

191, gosto mesmo de te ler.
Abraço