
Jogadores à beira de um ataque de nervos
Precipício.
- Não lhe ligues, o Fininho é assim mesmo!
Mas nada demovia o colosso de estar colado à sombra do “tio”. O mal dele era ter ido para o curso de Logística da Escola Náutica. Desde esse momento o Tio Fininho tornara-se muito exigente com os estudos do “sobrinho emprestado”, um rapagão que trocara os livros pelos copos, fazendo-lhe interrogatórios massivos sobre o comportamento da “Carreira 22”. Pelo meio ia-lhe agradecendo os golos que teimavam em entrar na baliza da equipa de que o colosso fazia parte, tendo como companheiro o inebriante Milhas, que teimava em dar orientações tácticas desde que o apito assinalara o início da partida. E no calor da discussão ninguém se apercebeu da saída intempestiva do careca de meia-idade, que tinha atingido o prazo de jogabilidade, em virtude de ter sido traído pela “claustrofobia por espaços vastos” que o impedia de respirar, compensando o défice com escarretas fininhas. Pelo meio o filho do Vaca Prenhe interrogava o Pequeno Polegar, de nome de guerra Biblot, sobre os motivos que o levavam a ir sempre disputar as bolas altas nas Grande Áreas. Mas o assunto da jornada era a grandiloquência do Chico, que teimava em Rosnar junto ao “tio”, enchendo-lhe o fatinho de perdigotos, e isto o jogador Fininho não tolerava:
- Não me diriges a palavra com a boca cheia de azeitonas, – indignou-se o jogador com equipamento de árbitro, apontando um indicador ameaçador ao “Colosso das Palmeiras”.
E nisto uma bola tresmalhada passou a rasar a cabeça do Milhas. Tinha sido o Rubi, que ainda não se apercebera que o jogo estava em “pausa”.
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