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Friday, May 09, 2008

Camarada Choco 60 - Ratés

                         Camarada Choco
                                          Aventura 60

Antes de irmos ao assunto, é de primordial importância explicar o que significa “raté”. É um termo usado na mecânica, que se dá quando um carro apresenta problemas no funcionamento das velas de ignição. O veículo está a trabalhar, mas apresenta falhas de funcionamento, ouvem-se barulhos semelhantes a tiros, e por vezes saem do tubo de escape faíscas.
A campanha do “Pirilampo Mágico” estava na estrada e, mais uma vez, o Cabo Pilas tinha sido “voluntariamente obrigado” a ir para os comandos da embarcação. Mas desta vez estava feliz, a vingança contra o Stor Pobre tinha sido servida fria, muito fria: apanhara-o sozinho nos Serviços Administrativos, atrás de um biombo, com a Madrinha. Foi com este estado de espírito que iniciou 3 meses antes a preparação do “Open Pirilampo”: 1 pastinha azul para cada posto de venda, cujo conteúdo incluía uma caneta, 1 molho de papéis de identificação (data, nome, banca, turno, quantia, profissão), 1 folha de registo do “Open” com uma chamada de atenção no cabeçalho para uma nota no rodapé, 2 molhos de folhas brancas, 1 rolo de papel higiénico, 1 preservativo, 1 penso rápido e outras mariquices. Em anexo ia um saco grande cheio de sacos médios minados de pirilampos e de sacos pequenos para os ditos. E para mostrar que era um individuo simples que não gostava de complicar, num dos quadros em vez de pedir o número de pirilampos vendidos, pedia o número daqueles que tinham ficado no saco grande. Via-se por aqui que tinha tido um bom treino militar, que era um Cabo dos antigos.
- Um pirilampo, trá-lá-lá, - cantava alegremente o matulão, à medida que ia enchendo os sacos médios.
A um dado momento ouviu-se um “raté” monumental que trouxe às janelas toda a Cerci. Teria uma das carrinhas dado o “berro”? Mas no parque automóvel a calma era a habitual. Até os gatos ressonavam ao sol. Mas havia um cheiro de fumo no ar, duma das salas saia uma coluna negra.
- O Pilas…o barulho saiu da sala do Pilas, - gritou a Dona Pilca, que estava reunida em Conselho Mongalógico com a Pirosa, a Menina Tatrícia e a Kalélé a secretariar.
Todos correram para o primeiro andar e quando entraram no espaço pedagógico do ex-militar, deram de caras com o dito em pé, com um pirilampo na mão agarrado pela fita, ambos em estado místico (tecnicamente catalogado como “estado santinha). E quem dava luz era a cabecinha do Cabo Pilas, como se alguém tivesse puxado o cordelinho. Na parede atrás dele estavam colados os restos das calças de ganga que não tinham resistido à força do “raté”.
- Ou muito me engano, ou o Pilas está outra vez mais para lá, do que para cá, - desabafou a senhora da Sala das Roscas, virando costas com arrogância e saindo de cabeça levantada, fechando a porta com um coice violento.

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