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Friday, October 05, 2007

Camarada Choco 48 - O pêssego da Brândoa

                          Camarada Choco
                                           Aventura 48
 
O produto secreto contra a sarna usado uns anos antes pela Protecção Civil, e que tinha deixado marcas na parede, estava agora a provocar os efeitos secundários, escondidos deliberadamente por quem pretendia tomar o poder: uma praga de estagiárias! E a situação era tão grave que elas ameaçavam ultrapassar o número de Clientes (nome pomposo atribuído agora aos Mongas). A cada dia havia uma novidade, elas apareciam por Geração Espontânea, eram de todas as formas e feitios, altas, baixas, gordas, magras, velhas, brancas, pretas, coxas, grávidas e……mongas! E tudo acontecera desde o momento em que a Doutora Sem-Canudo se auto-nomeara “Directora Geral”, com o correspondente auto-acréscimo de ordenado. E tudo dentro da Lei! As finanças estavam difíceis, metade do orçamento ia para a Folha de Pagamentos da Madrinha, que fazia colecção de cargos, como o major de Gondomar, e a outra parte esgotava-se nos almoços obrigatórios nos dias das reuniões às 10H00, na rua ao lado, diários, e que incluíam também o consumo de gasolina e gasóleo, caso se utilizasse o autocarro com a plataforma. Se a reunião fosse com as doutoras sem canudo do costume, a concorrência obrigava ao uso do “Machibombo com Elevador”, para que a Auto-Directora Sem Canudo da Venteira humilhasse as adversárias no momento em que lhes aparecia vinda do céu, tal qual um anjo. Mas um reinado destes tinha custos, muitos custos, e como a ambição era grande, e o mealheiro estava vazio, muito vazio, tinha-se de cortar nos bolsos dos outros. Daí esta invasão de estagiárias, de borla, escravizadas e que não tinham direito a reivindicações. A verdadeira história começa aqui!
A Beta do Samecas estava à beira do suicídio, o pau com que ele passara em direcção à casa de banho não tinha tido a influência das suas carícias. Havia monga no terreno e ela jurava fazer justiça com as próprias mãos, com a que funcionava e com a que estava gripada desde o nascimento. O Samecas estava em “estado de unicórnio” permanente, com o chifre a meio do corpo, e a cara dava a impressão de estar perigosamente perto da sensação de não ser aquele que acreditara ser. E tudo isto causado pela nova estagiária que resolvera sentar-se ao seu colo, contra todos os princípios que faziam dela uma aparafusada, dando-lhe de enfiada um ósculo violento no pescoço, arriscando-se a engolir um dos seus maiores quisto, o conhecido “Pêssego da Brandoa”. Estaria ela a usar novos métodos pedagógicos de reabilitação de desaparafusados ou seria ela própria uma estagiária monga, descoberta exclusiva da Doutora Sem Canudo, única directora com queda para este tipo de fenómenos do Entroncamento? Quando tentaram contactar com a responsável estava com um problema agudo entre as mãos: a Afilhada, agora com o nome próprio de Fidélia, recusava-se a trazer uma das carrinhas da colónia, alegando não ser a sua e ameaçando vir de burro. E nesse preciso momento a Bélinha, a irmã do Choco, estava congelada, em estado de Santinha, sinal de que a tradição epiléptica da família se mantinha. O brasão do Conde Chocalheiro, ilustre monga do século XVII, continuava a dirigir os destinos daquela ilustre família. À tarde a mães do Samecas reclamou as dentadas que o filho levava no lombo. Foi informada de que a responsável era a Belucha, a sua eterna noiva, agora possessa de ciúmes, pois o “Pêssego da Brandoa” estava-lhe destinado há muito, prometido para a Noite de Núpcias, e não seria agora uma estrangeira, e ainda por cima Aparafusada, que lhe iria roubar o seu “fillet mignon”. Por isso tinha decidido marcá-lo, da mesma maneira que ao gado, para acabar de vez com a concorrência.

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