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315 estórias

Saturday, August 26, 2023

Equitação Colegial

 



Comandante Guélas

Série Colégio Militar


Os Meninos da Luz viviam em permanente diálogo com a vida e com o mundo, foram poucas as situações que não abordaram, eram fazedores do impensado, por isso recorriam a atividades próximas da poesia. Somos gigalôs das memórias, porque estas estórias têm a participação de muitos. Se nos dias de hoje formos ao Bar Spell e King na Formação ainda sentimos o cheiro a cavalo. As aulas de equitação no Colégio Militar eram sempre um campo de batalha em que todos os Meninos da Luz compreendiam a gesta dos seus violentos antepassados. Tudo começava no Largo da Luz onde seguiam em procissão bichos com os carretos gripados, em direção à Azinhaga da Fonte, no fundo da qual entravam no colégio e no respetivo picadeiro. Davam coices nos soldados, nos colegas e faziam riscos nos carros. E às vezes extraviavam-se e só apareciam lá para os lados de Monsanto na zona da Marreca. Para se conseguir sobreviver a uma aula de equitação a ordem de chegada era fundamental, e quando o toque da corneta avisava o fim da aula a turma saia a galope em direção ao picadeiro.

O Cabedo estava a fazer galopes curtos com o Flipper quando os alunos chegaram. Alinhados numa das paredes do picadeiro, guardados por soldados estavam as cavalgadura militares do costume: o Salame que mordia, a Nono, uma égua mansinha que gostava de dar coices, a Rata, uma égua branca que dava cangochas quando lhe tocavam na garupa, o Quadrado, de cor castanha e feitio muito vivo (partiu o braço ao 80), o Alfange, uma máquina a disparar coices, o Eusébio, que tinha mau feitio, o Patacho, o Vapor, que num desfile com fato de cerimónia e com a presença do Presidente, quase lhe tatuou uma ferradura na cara após uma valente cangocha quando a excelência saía do carro, a Quirina, a Tangerina o Único, o 31, o 48, enfim, tudo bons quadrúpedes.

O 581 e outros camaradas tiveram um dia uma aventura alucinante, quando receberam ordens para levar uns quantos cavalos ao hipódromo do Campo Grande. Saíram pela Estrada da Luz, embrenharam-se pela 2ª circular, misturando-se com o trânsito caótico e na zona do Estádio Universitário, com bermas largas de areia e ervas, o instrutor deu ordem de “galope”, e foi nesta altura que o cavalo do 581 desembestou, só parando quando chocou contra a rede que delimitava o espaço desportivo. À chegada ao local ainda houve tempo para patinagem artística nos paralelepípedos que forravam a estrada.

- Montar – ordenou o Jaimito dando início à aula de equitação, colocando-se estrategicamente num dos cantos do picadeiro, e ordenando ao soldado para se posicionar no canto oposto.

Nem deu tempo à rapaziada para se sentarem adequadamente, ergueu o chicote no ar e iniciou as hostilidades. Os quadrupedes arrancaram em debandada, um dos instruendos depressa ficou pendurado, com uma mão no arreio e com um pé no estribo, até que um barulho ensurdecedor ecoou pelo picadeiro, sobrepondo-se aos gritos e relinchos. O 480 acabara de ceder à força centrífuga.

- Quem é que mandou apear? – Gritou o Jaiminho com um ar de macho, aproximando-se do aluno

- Eu não aguento mais, meu capitão.

- Já lá para cima.

De novo o chicote a fazer gritar o ar, o 480 saiu agarrado em desespero ao cepo da sela.

A aventura do 317 também foi digna de registo, pois recebera ordem do instrutor para ser o fila-guia, e descer as bancadas do campo de futebol com o Quadrado, depois de ambos terem levado, ainda dentro do picadeiro, uns valentes coices da Nono que aparecera, sabe-se lá porquê, e após um galope muito confuso, de frente, aproveitando a ocasião para cumprimentar o colega e o seu jovem cavaleiro. O cavalo do 317 estava zangado com a “rapariga” e quem levou com o mau feitio foi o aluno, que sentiu nas costas o chão duro do campo da bola. O 467 era um ás na “arte de bem cavalgar toda a sela”, por isso tinha sempre a mania de inventar, recebendo com frequência um cartão amarelo do instrutor:

- O senhor está a mijar fora do penico! 

- Galope - ordenou o Dores. – Tirar os pés dos estribos, pôr as rédeas ao pescoço e as mãos em cima.

E no caminho estava um cavalete que tinha de ser ultrapassado, e quando o Vinasse aterrou de costas na serradura, limitou-se a dizer:

- Senhor aluno, agarre o cavalo e monte!

No fim ordenou:

- Vão dar uma volta a passo pelo exterior para secarem os cavalos!

Os Meninos da Luz eram rapazes cheios de sonhos, de nobres, galantes e vãs fantasias com as Meninas de Odivelas, por isso deram início a uma temerária aventura ao estilo D. Quixote: um ataque frontal à metade da turma que se encontrava a praticar esgrima no exterior do ginásio. Ouve um minuto de silêncio quando ambos os grupos se encontraram à distância. Após este tempo de reflexão a turba de quadrupedes comandados por bípedes sentados nos seus costados lançou-se com furor num galope em direção à floresta de fatos-de-treino acastanhados com o emblema da Barretina no coração.   

A estória acaba na outra ponta do colégio com um docente a distribuir ponteiradas a bípedes que tinham imitado em coro o relinchar de quadrúpedes durante a aula de química prática:

- É só gado, é só gado, - gritou o Semita.


Wednesday, June 21, 2023

Os Meninos de Baco

 


Comandante Guélas

Série Colégio Militar


As memórias que os Meninos da Luz deixam de si é o que nos revela a imortalidade do Colégio Militar, é uma cadeia que nos prende ao passado e nunca é o último elo, eles estão em toda a parte, representam uma parceria entre os alunos que estão vivos, os que estão mortos e os que irão nascer (http://camaradachoco.blogspot.com/2013/02/miolos-no-teto.html). A “Z” é a mais puritana das gerações desde a época vitoriana, mas foi o álcool e as bebedeiras que criaram a Humanidade, incluindo muitos Meninos da Luz dos anos setenta, porque foi a altura em que se servia vinho tinto martelado a partir dos 10 anos, nas duas refeições principais. A dose do almoço servia para acumular e transportar calorias, para que os rapazes fardados de cotim conseguissem aguentar o resto do dia, que era sempre muito longo (http://camaradachoco.blogspot.com/2013/03/liga-dos-meninos-extraordinarios.html). O sumo de uva libertava a criatividade, a ousadia, a inteligência e a perseverança destes meninos com um excepcional e fecundo DNA, que continha o melhor da natureza. A sua vida entre quatro paredes definia-se na interação uns com os outros, e na ajuda preciosa do néctar do deus Baco. Nenhum cresceu em branco. Todos eram vítimas destes candidatos a Odin, docentes e discentes. Mas ao contrário de tudo o que se poderá pensar o tintól nunca causou nenhum prejuízo cognitivo aos Meninos da Luz. E para uns a dose diária deixou de ser suficiente, por isso “descaminhavam-se” na copa, de onde traziam garrafões que eram consumidos no telhado. Foi devido a estes consumos, somados às tradições e às firmezas (Camarada Choco & Comandante Guélas: A Firmeza), que saíram os histriónicos, os fóbicos, os paranóides, os psicopatas, os esquizofrénicos e os maníacos que povoaram o nosso querido país à beira mar plantado. Aliás, este país, que todas as probabilidades diziam ser inviável, feito de pedaços de outros estados, foi fundado, não por betinhos, mas por jovens que saiam das tabernas dispostos a fazerem a folhas aos mouros e aos castelhanos. E o Carioca era um deles, pois de cada vez que levantava os braços para dar início ao piar dos canários, alguém do lado de fora dava um biqueiro na porta do padre Miguel, membro de uma religião que se fundia com o álcool e, como bom cristão, saía sempre a correr do espaço educativo no encalço do Teta, decidido a fazer-lhe a folha. E para que os Meninos da Luz dos anos setenta se aceitassem como um projeto futuro, tiveram de estabelecer vínculos fortes uns com os outros, uma espécie de desmossomas colegiais. Todas as tardes o 3ºE (http://camaradachoco.blogspot.com/2012/08/um-dia-na-vida-do-3-e-do-colegio.html) parecia o farwest, aguentavam, invariavelmente, firmes e hirtos, o feitio do tenente-Coronel, professor de matemática, o Bêbado que, nas alturas de maior consumo, costumava simular que estava a tocar trombeta no ponteiro, ao mesmo tempo que distribuía pelos petizes fardados de cotim ponteiradas bem aviadas, cujas cabeças respondiam, a maioria, com ecos profundos. Havia também um imitador do deus grego Dionísio nas Ciências Naturais que gostava de distribuir abrunhos àqueles que ajudavam os camaradas nas chamadas orais. E se não se mencionasse o Gunga (http://camaradachoco.blogspot.com/2013/05/o-gungunhanha.html) era injusto, que ensinava de forma diferente, através de flatetes, a sua especialidade.

- Chiça, mas hoje ninguém foge? – Queixou-se o tenente Aparício, sentando-se nos calcanhares. – Só saltam quando não estou aqui?

Mas os céus fizeram-lhe a vontade. Uma das janelas da sala de leitura da 4ª companhia abriu-se com estrondo, e o comando agachou-se tal qual um felino, gritando baixinho “mama sume”.

- Vais ter cá uma surpresa rapazinho.

O Dáni subiu para o parapeito, o predador preparou-se para o salto, camuflando-se ainda mais. Mas sobre o pequeno tenente Aparício, oficial de dia, caiu uma tromba de cevada, que o obrigou a fechar os olhos, e a selar os lábios, não sem antes deixar entrar uma gota, que desceu rapidamente para a glote.

- Bós sois piores que os ciganos, - gritava sempre o Moreira (Camarada Choco & Comandante Guélas: O Moreira) de cada vez que era emboscado por uma turbe de rapazes com vestígios de tintól nas guelras, que só deixavam restos de mil folhas no local.

O efeito do vinho do jantar do dia anterior sentia-se nas cestas do reforço da manhã, pois havia sempre uma manada de discentes que se precipitava sobre elas, e tragava, num abrir e fechar de olhos todos os pães com marmelada das redondezas, uma forma de tentar atenuar o sumo de uva que ainda lhes corria nas veias. Mas o tintol colegial tinha muitas vantagens, foi destas molhadas que saíram os melhores jogadores de rugby do país. À noite, no Geral da Companhias, tal como os oficiais czaristas tinham o direito de dar um murro na cara de qualquer um dos seus soldados como castigo sumário, os Meninos da Luz com estrelas aos ombros também usufruíam desse direito, eram os medidores de conformidades, cujo efeito do tinto martelado oferecido à descrição às refeições agravava os comportamentos, daí as tradicionais “Firmezas”, um tipo de tortura exclusivo deste espaço educativo cheio de pergaminhos, mas com muitas nódoas, de vinho. O pior aconteceu quando um dia um 401 (http://camaradachoco.blogspot.com/2012/11/as-noites-dos-facas-longas.html) entrou na sala de leitura da quarta companhia num sábado à noite de um janeiro gélido, porque tinham ficado todos retidos, conforme fora ordenado com a conivência de alguns oficiais, que adormeciam no posto com um biberon em cima da mesa, ia com um sorriso confiante, que depois deu lugar a um sorriso apreensivo, que deu lugar a um esgar de sofrimento, um vazio nos olhos, um tremer de medo, exausto, com sede, um tímpano furado à chapada, o sangue a sair em esguicho, uma marca no rosto de uma agressão com uma garrafa de whisky Highland Clan, gamada no Bar do pessoal, com dores intensas no cotovelo esquerdo, operado duas semanas antes para retirarem os parafusos, de uma lesão ganha a representar com orgulho o Colégio na Classe Especial de Ginástica um ano antes, atingido agora barbaramente pelas pernas arrancadas às cadeiras, que estavam nas mãos dos carrascos de ocasião, cegos pelo álcool durante toda aquela longa noite.

Pedir a uma resma de Meninos da Luz carregados de tinto para fazerem uma rosa com barro era suicídio, que o diga o professor de Trabalhos Manuais, o Oliveira, mais conhecido por Baco, vá-se lá saber porquê que, de cada vez que virava costas para ajudar o 69, o único discente que bebia sumo de laranja, os outros forravam a parede branca com pedaços de argila, e quando se apercebia e tentava intervir, amassavam a rosa do “número mais vergonhoso do Colégio Militar”. E do outro lado da sala do pavilhão de Trabalhos Manuais, onde se faziam trabalhos em cartolina, e mais uma vez o 69 superara tudo e todos com uma soberba Torre Eiffel, cuja ala era dirigida pelo professor Clarence (era o tempo da série Daktari onde se destacava o Cross-Eved Lion), os efeitos do carrascão eram ao retardador, mais propriamente no intervalo após o almoço, com a invasão da sala vazia pelo Horrível (125), que apesar da alcunha era o maior fodilhão de Alvalade, o Peidão (191) e o Cabedo (120), cuja brincadeira consistiu em reduzir a cinzas a obra do camarada 69.

E para terminar estas divagações sobre meninos educados com uma mentalidade eminentemente selvagem que, além de elegantes, desafiavam os limites da vida, quando o Maná se preparava para beber o vinho destinado à missa, que estava na capela dos claustros, só teve tempo para dar um golo pois apareceu, vindo das trevas, o padre Peixoto, o professor de História que escrevia as perguntas dos pontos nos triplicados das participações, deitando depois as cópias para o lixo, ação esta que nunca se soube se era deliberada ou por distração, mas que fazia com que nunca ninguém chumbasse.

- Então 78, a bebida é do seu agrado?

Antevia-se um processo, o Maná já sentia uma carecada, e outros miminhos exclusivos da Luz, e ainda por cima agora que se aproximava um Chá Dançante com a presença de muitas Meninas de Odivelas. O padre Peixoto fez uma dissertação sobre vinhos, que acabou com uma oferta de uma excelente garrafa de Porto e um conselho:

- Tens de bebe-la toda para não ires parar ao Inferno!




Tuesday, December 20, 2022

Caim e Abel

 


O Comandante Guélas

Série Paço de Arcos

Futebol P.A. 55

Caim e Abel

 

Os vikings tinham o deus Odin como referência, que significava “o bêbado”, os jogadores do Futebol PA tinham o Pingamisú, cujo significado era alcoólico …. perdão, “o acólito”! Por isso no ano de 2022, que se aproximava do fim, a organização desportiva, que tinha como representante máximo Daniel Martins de Almeida, foi agradavelmente surpreendida pelo tio Kiki:

- Trago aqui uma ninhada, cujo líder treinou com o Platini, que irá refrescar a qualidade do jogo.

Dez minutos depois do começo já um dos petizes tinha aviado vinte vezes no irmão, o pai havia-se despistado cinco vezes em marcha atrás e o genro não passava dos dez centímetros de impulsão junto à baliza adversária. Até o saudoso Biblot conseguia mais!

- Os putos vieram de onde? – Perguntou o Fininho quando viu passar, à sua frente e em voo horizontal, pela vigésima primeira vez um dos filhos do Platini, ao mesmo tempo que na outra ponta do campo o Espalha despistava-se, após tropeçar na sua perna esquerda, e gritava por falta, tentando anular o golo marcado pelo Zé das Cápsulas.

- O Caim e o Abel vêm de Cascais, - respondeu o Tio Kiki da Pampilheira.

- Caim e Abel? Os nomes não me são estranhos, - retorquiu o Sabão, primo do Sabonete, benzendo-se.

Os rapazes tinham vindo diretamente do paraíso para fazer um upgrade no Futebol PA, e vinham carregados de Trítio da cabeça aos pés, contrastando com os jogadores a carvão, incluindo o pai Platini que, antes de jogar, teve de limpar o carro das impurezas deixadas pelos petizes na noitada anterior. A escolha das equipas para o último jogo de 2022, no campo de Tires, perto da Rosa Grilo e com vista para os aviões que descolavam ininterruptamente carregados de fardos, foi feita com base no linkedin dos jogadores. O ritual repetiu-se, o Peidão colocou uma pedra numa mão, porque caso escolhesse com o Cinzento não poria nenhuma, mas com o tio Kiki era impossível, e ela saiu ao jogador da Pampilheira. Mesmo assim tentou outra tática:

- Se escolhes o Peter nunca poderás ficar com o Zé das Cápsulas, que se inscreveu, mas ainda não chegou, e pode não vir caso os gémeos tenham fugido do carro outra vez:

- Escolho o Peter, as chuteiras chinesas que os padrinhos Fininho e Espalha lhe deram no Natal do ano passado não têm travões, e isso é uma mais valia!

Equipa do Kiki: Peter, Sabão, Sabonete, Balão, Cabeça de Ananás, Espalha, Abel, Dedão.

Equipa do Peidão: Fininho, Zé Miguel, Zé das Cápsulas, Platini, Taroulo, Caim, Rafão.

O Choné ainda veio ver o jogo, mas devido à vergonhosa prestação do filho Taroulo, o Calcinhas inscreveu-se mas como precisava de fraldas para jogar foi proibido, foi-se embora com vergonha.

- Só o Maninho Ensina é que me dá alegrias!

O tio kiki marcou mais golos, mas perdeu, o Caim fazia anos, por isso ficou com os dois golos do Abel. Escolher a parte certa da Bíblia também fazia parte da tática do Futebol PA.


Saturday, August 13, 2022

Os Cromos do Futebol P.A.

 

O Comandante Guélas

Série Paço de Arcos

Futebol P.A. 54

Se conseguisses ver a tua vida desportiva de fio a pavio, o que é que farias? O Futebol PA sempre foi uma fábrica de campeões, por isso quando o ardina António Jorge deu o jornal ao Pingamisú e este leu que o filho fazia a “receção perfeita que lhe permite preparar o passo seguinte”, deixou cair uma lágrima e um pingo de mijo de emoção. E para agradecer a todos aqueles que mostraram ao seu descendente como não se devia jogar à bola, abriu a caderneta de Cromos do Futebol PA e deu de caras com o nº 1, o Abafador, na pessoa do Capitão Porão, o mais velho jogador, um Eusébio paçoarcoense, seguido do nº 2, o Presidente, afastado do primeiro a pedido deste mas junto ao nº 3, o Choné, o Robocop da bola e pai de uma resma de futebolistas: o 91, Trazfácil, o 92, Maninho Ensina, o 93, Taroulo e o 94, Calcinhas, que trouxeram uma nova maneira de encarar o jogo após a passagem do milénio. Com o indicador fez uma festa nestes últimos amigos e agradeceu:


- Obrigado por não terem ensinado nada, tal como eu, à minha reforma dourada, perdiz, petiz, petiz, quero eu dizer, - e olhou para o biberon à procura do grau alcoólico do meio-gordo branco.

E por causa do biberon deu de caras com o nº 4, o Bibelot, uma espécie de Trovão que insistia sempre em jogar na grande área adversária para marcar golos de cabeça. Quando viu o nº 5, o Mac Macléu Ferreira, sentiu um vento a puxa-lo, teve uma visão imperfeita que lhe revelava o segredo de algo que acontecera suspenso na geografia intemporal dos sonhos. O caixa de óculos loirinho era um diabo em campo (um pré-Ricardinho, o nº 69, aquele que ameaçava sempre para a direita e desenvolvia para a esquerda), deixava o esférico passar e só depois ia atrás dele, nunca o alcançando. O nº 6 era o Caveirinha, um predador de golos de cabeça que aconteciam quando tropeçava na linha do guarda-redes e caia desamparado para a frente. A seguir a ele vinha o Vitorioso, o lendário Fininho, senhor todo poderoso das leis do jogo que lhe deram mais vitórias do que jogos na elitista modalidade Futebol PA, única em Portugal. A servi-lo estava o nº 8, o Tio Kiki, sempre elogiado pelo mestre com equipamento de árbitro:

- Bate tu, que bates bem!

Seguiam-se os 3 da mesma ninhada, o 9, 10 e 11, Marinheiro Pai, Chico Marinheiro e Faisão, também conhecido como Judite de Sousa. O desabafo do Pingamisú disse  tudo sobre a arte de manipular as bolas desta Ínclita Geração:

- Porra, ainda bem que o puto era pequeno nesta altura – e passou rapidamente de folha.

Apareceu-lhe o 12, o Laranjão, que um dia quis fazer picadinho do Caramelo (o 54), cunhado do Doutor Sopapo (o 52) que tentou fazer o mesmo ao Esferovite (o 601), e o 13, o Fenómeno, o Brinca na Areia, o único capaz de ganhar ao Fininho, até que se casou e foi pai de duas tangerinas. O 14 era o Dic, um jogador com o nome do próprio cão, que só parava na rede de cada vez que investia sobre o esférico:

- Até te babavas, - disse o Pingamisú, limpando os cantos da boca.

O Estalinho e o Zé da Tapada, o 15 e o 16, eram os únicos cromos que estavam dentro de um ringue em vez dum relvado, jogaram mais com as mãos do que com os pés. O 17, o Chinoca, teve a carreira mais curta do Futebol PA, lesionou-se no único aquecimento que fez e jogar com bolas passou a ser só nos sonhos do Abafador, que acabou abafado pelo 55, o Pona, o único jogador que era escolhido mesmo que não aparecesse. O nº 56 chamava-se Kiko, e era sempre a terceira equipa em campo, porque jogava sozinho, do princípio ao fim. O amigo Antenas, o 57, depressa se fartou do Futebol PA, que considerava uma cambada de malucos e optou pelos das quintas-feiras, a elite dos coxos, onde constava o 76, o Carcaça, o mais hilariante dos atletas que alguma vez jogou no Olimpo paçoarcoense e, por não ser um deus do esférico, abandonou envergonhado a modalidade exclusiva da vila de Paço de Arcos.

- Vocês são tantos que eu não tenho tempo para continuar, a garganta está seca, preciso de hidratar, - exclamou, fechando o livro, arrumando-o junto a uns “Lusíadas”, e encaminhando-se para o frigorífico.

Mas eis que lhe caiu aos pés um pedaço de papel com uma nota do 191, o Peidão, que dizia: "Deves 10 euros de quota"!       


Sunday, June 26, 2022

À Sombra de um Chaparro

 



O Comandante Guélas

Série ISEFL 7

No dia 25 de junho do Ano da Graça de Dois Mil e Vinte e Dois reuniu-se a Turma 2 do ISEF 81/86 debaixo de um chaparro que dizia ser centenário, mas afinal era do IKEA, após indicações preciosas do Campeão Nacional de Milho aos Pombos, o primeiro reformado do grupo, o trapezista Carlos Pedreta, que no passado chegou a falar alemão e a convidar enfermeiras para o pecado, mas graças ao apoio incondicional do seu amigo e colega político, conseguiu sintonizar à pátria lusa:

- O local é intuitivo, Arraiolos, Pinhal dos Noivos, na Terra dos Vinis, na Rua dos Alegrias!

Estiveram presentes no evento, segundo indicações das 1000 fotos enviadas pela Cucharra, a própria, o trapezista, o vereador, o cobridor das Caldas, o stor Lopes, duas Senhoras de Lisboa, uma Tia da Costa do Estoril, um intelectual de Ponte de Lima, o segundo reformado, que trouxe a tômbola com as rifas dos ucranianos, e um alentejano de Beja. O Parrilha entrou, como já é tradição, a chiar, pelo meio das vinhas, perseguido por todas as fêmeas caprinas da região, inebriadas pelo volumoso cabelo e por um par de óculos Pierre Cardin, que lhe mantinham o estilo libidinoso do passado:

- Vocês vão todas ter de pagar a gasolina, tal como fez a minha professora de Dança Clássica, - gritou para as lãzudas.

O vereador Anselmo também apareceu pelo meio do campo, do seu campo, adquirido durante a sua fase política.

- Amanhã vou casar um dos meus filhos, - informou orgulhoso.

Logo aí abriu-se um debate:

- Algum dos do ISEF?

Veio à memória de todos o tórrido “menáge à trois” com a Glórinha do refeitório e a Blandina da biblioteca. Mas o que chamou à atenção foi o chaparro humano que, de cada vez que se dirigia ao Lopes ou ao intelectual, chamava-lhes Jacques, e perguntava pelas fotocópias:

- Eu cai de costas, ele marrou recentemente com o carro contra uma árvore, - esclareceu o Trapezista.

Na vasta ementa predominaram os produtos regionais vegan, sumo de uva, pão, queijo das meias do Melo Barreiros, enchidos de soja e sopa mijona, “caramela” para o organizador. Após a refeição o Chaparro quis ir com os amigos do Jacques aos caracóis, e por pouco não apanhou uma congestão de tremoços:

- Ainda não nota a diferença, e assim os bichos ganham mais um dia - informou o Pedreta que, além de Campeão Nacional de Milhos aos pombos, conforme referido acima, é um ambientalista radical da Associação dos Amigos dos Reformados e dos Caracóis.

Houve ainda tempo para uma ação de solidariedade, pois a partir das 18H20 os presentes teriam necessidade de começar a tomar comprimidos com efeitos secundários indeterminados, a colecta para a entrada da compra de um terreno junto ao Guadiana. A construção do lar “Anjinhos do Jamor” irá ser uma realidade e um local diário para estes almoços!       


Tuesday, June 07, 2022

Conflito de Interesses

 


O Comandante Guélas

Série Colégio Militar


Os Meninos da Luz investiram sempre diretamente nos extremos, por isso não roubavam, “descaminhavam”, e neste espaço educativo cheio de pergaminhos era à grande e à francesa. Por isso quando o gangue mais famoso dos anos setenta do século passado entrou no bar dos oficiais para mais uma visita de cortesia e deu de caras com outros intrusos ficaram escandalizados. E ainda por cima ambos tinham entrado pelas janelas, vá-se lá saber porquê, porque um deles tinha a chave, gamada há muito pelo Picanço durante as obras de renovação do espaço, antevendo uma necessidade futura:

- Que ousadia é esta? - Gritou o 240, o Al Capone lá do sítio. – Este território é exclusivamente nosso, a mercadoria pertence-nos, não pode desaparecer tanta, vão gamar para outra freguesia, ou sofrem aqui e agora uma firmeza.

A voz do Rita saiu da jugular, sangrando com violência nua e crua, sem lamechices, acompanhado pelos seus fiéis escudeiros Dáni e Cebola, em posse aristocrática e espiritual, num tom que tanto servia para amedrontar ou para debitar um zacatraz estilo Adamastor, exclusivo do bardo 69, o número mais vergonhoso do Colégio Militar, e único aluno que marchava com os braços à altura dos ombros e os calcanhares a castigar o alcatrão, mesmo sofrendo pontapés na peida dos camaradas da turma como era habitual, tendo-se vingando mais tarde nas bifas e nas suecas de Lagos. E continuou:

- As garrafas são exclusivamente nossas, é delas que bebemos a cultura colegial que nos dá alento para mais “descaminhamentos”, temos uma posição moral de ocupação.

- E nós, nem um Martini? – Desabafou o 27, sabendo que nada podiam fazer contra o Rita e os seus sicários.

Fez uma leitura rápida das expressões insanas do 240, 360 e do 661 e apercebeu-se que tinham de reduzir-se a uma passividade acrítica perante a superioridade dos camaradas, que acabavam de declarar o estatuto de invadidos.

- Vocês limitem-se aos bolos do Moreira, porque este é terreno sagrado, nem Deus entra.

E para manter a moral dos seus sicários elevada, o 240 fazia questão de os presentear todos os meses com botas topo de gama desviadas de um sótão num edifício vizinho dos claustros com vista para a Azinhaga da Luz, que mais tarde colapsaria durante uma fuga do Cebola (Camarada Choco & Comandante Guélas: Cebolada). O Gangue do Rita tinha urgência em “descaminhar”, porque esta atividade era, no fundo, o alicerce da vida cultural dos Meninos da Luz. A rapaziada tinha necessidade de estar sempre em movimento: dar biqueiros na porta da sala onde o Carioca ensaiava, para obrigar o padre a sair furioso em perseguição dos prevaricadores, decidido a fazer-lhes a folha; interromper a marmelada ao tenente Mota com a namorada no seu Toyota 1200 cor de diarreia; pendurarem-se no trator do pai da Rosa quando ia em direção ao picadeiro, para o obrigar a parar por excesso de gado; fazer emboscadas aos magalas que iam entregar os filetes no bar dos claustros; participar em atos de fé às obras primas feitas em cartolina no pavilhão de trabalhos manuais, sendo a mais famosa a Torre Eiffel do 69, que teve o mesmo destino da Catedral de Notre-Dame; ir “desencaminhar” clorofórmio ao Valentim para atirar sobre as galinhas do Nunes. E tantas, tantas outras atividades culturais que criaram uma dinâmica única que nos fez crescer e definiu aquilo que é, e sempre foi, a identidade do Colégio Militar.   

Tuesday, December 28, 2021

American Language Course

 


O Comandante Guélas

Série Colégio Militar

A vida é uma longa viagem com um mapa feito por um idiota, por isso somos sempre um misto de essência e de circunstância. Os ratas que conseguiam absorver uma nova personalidade por entre as personagens complexas que os rodeavam, tinham mais hipóteses de sobreviver no sistema. O Colégio Militar dos anos setenta do século passado, tal como Hogwarts School, era um espaço educativo muito à frente no seu tempo, onde a magia acontecia num Laboratório de Línguas. Aqui os Meninos da Luz eram sujeitos ao “American Language Course” que, tal como nas cavalariças lá para os lados da Formação, os cavalos, perdão, os “senhores alunos”, estavam distribuídos por boxes, cada uma equipada com microfone, auscultadores e gravadores de bobines semeados de botões multicolores. Ao longe, num estrado com uma consola futurista, estava o professor, que dirigia as operações, dando início à aula pré-gravada e ouvindo individualmente o desempenho dos alunos, que eram obrigados a responder à voz vinda de outro mundo:

- Good-Morning!

Coro: Good-Morning!

- How are you?

Coro: I’m fine, thank you!

O “Teacher” tinha um ritual, antes de pôr os auscultadores abria a aba do blêizer, parecendo uma águia a abrir uma asa, e tirava uma caneta de uma resma que ocupava todo o pano. Iria ser com ela que distribuiria os mais e os menos na folha com o esquema da posição dos alunos. A vida no Colégio Militar nos anos setenta era dura, desprovida de sentimentos éticos, com uma justiça sumária que causava duas sensações, o que a aplicava estremecia de prazer, o que a sofria estremecia de dor. Todas as aulas decorriam lá para os lados do Zimbório. Todas? Todas não, houve uma turma que não saiu do Geral das Companhias, o 2º B, cujas aulas eram ministradas por baixo da soca. Começaram por ser trinta e seis anjinhos fardados de cotim no 1º B de 1971/72, perdendo sete alminhas para uma nova turma no 2º período, o 1º E, comandadas pelo Peidão tendo como adjunto o Horrível. A tempestade perfeita aproximava-se do chefe 191, o 289, o Stratopel, cuja entrada naquele espaço cheio de pergaminhos era um mistério, uma vez que só possuía meia dúzia de neurónios, que nunca conseguiram fazê-lo acertar o passo, sendo por isso o alvo preferido dos biqueiros dos graduados, seria um dos deslocados e iria pôr, umas semanas mais tarde, um conjunto de psicopatas frente a frente com o Peidão, numa noite no Geral da Companhia, onde descarregariam todas as suas frustrações até este cair exausto no chão. Enfim, banalidades da Luz que não deixaram marcas na maioria, mas que fez com que uma minoria de gente boa ficasse a odiar o Colégio Militar para sempre. De manhã tinha havido problemas com o professor de matemática, o Gunga, que não respeitava a ética do limite. Chegara à formatura junto à sala de aula, de óculos escuros, impossibilitando o chefe de turma de dar as ordens necessárias à formatura: “firme”e “siope” (voltado para os colegas), “direita volver” (duas vezes sozinho), ficar de frente para o professor em sentido, continência, autorização, mais dois “direito-volver” sozinho, “esquerda volver” para todos, passo de corrida para a frente da primeira fila e ordem “em frente marche”, ao mesmo tempo que se deslocava lateralmente para a fila do meio, que recebia a mesma ordem quando o último da primeira entrasse na sala, seguido de passagem para a terceira fila, sendo depois o último a entrar, seguido do Gunga. Todos ficariam em sentido junto às carteiras, até receberem ordem para se sentarem. Mas o ”firme” não saía, o chefe de turma não conseguia dar a ordem, à sua frente os colegas riam, atrás de si o Gunga mirava-o do seu metro e noventa, com um ar imperial.

- Estou a ver que temos festa, - ameaçou o único professor de matemática que entregava os testes 10 minutos depois de os recolher.

Tudo correu na perfeição exceto a entrada. A turma, num ato de suicídio coletivo, continuou a marchar dentro da sala de aula, fazendo um barulho infernal com as botas. Não tiveram autorização para se sentarem, ou melhor, a ordem só foi dada depois de o Gunga ter distribuído abrunhos duplos a toda a turma, que permaneceu sempre em sentido durante o ato pedagógico.

A aula que decorria na sala do 2º B era de francês, ministrada pelo “François”, um ciborgue, um humano equipado com um aparelho auditivo, que acabara de ser vítima de bulling noutra turma, quando os alunos decidiram só mexer os lábios na altura da resposta às questões do docente, fazendo-o pensar que a culpa de não os ouvir era do volume do aparelho, por isso aumentou-o, sendo de imediato envolvido por uma gritaria, que o obrigou de novo a rodar o botão do volume, novamente para perto do mínimo. O espaço onde decorria a aula tinha três varandas, por isso de cada vez que o docente escrevia no quadro, os alunos das últimas carteiras trocavam de lugar com os das primeiras através das varandas. Assim tornava-se impossível classificá-los através de perguntas orais, pois estes não correspondiam ao mapa da distribuição de lugares.

- Lá para traz, - ordenou ao 200, que cumpriu com todo o brio.

Mas bastou escrever o “Avoir” no quadro para este voltar à carteira da frente.

No primeiro andar dos claustros o Moreira gritava desesperado com os alunos que tinham acabado de lhe atacar o armário, mal abrira a porta, recheado de Bolama:

- Bós sois piores que os ciganos!

Na semana anterior tinham-lhe tirado os fundos do armário e por isso quando se preparava para iniciar o complemento do ordenado, já com uma fila de clientes devidamente ordenados, e com distância de segurança, das bolas de Berlim e dos mil folhas só restava algum açúcar e umas poucas páginas.

Quando outro professor pôs os auscultadores para dar início ao American Language Course, um “senhor aluno” aproximou-se do microfone e gritou:

- Óó Tabiii, chupa aquiiii”.

Mas quem chupou foi o autor da brincadeira, o Fogaça, várias murraças na carcaça, ao mesmo tempo que sentia o vibrar dos gritos do professor, uma mistura incompreensível entre português e inglês, neste caso “amaricano”. De regresso ao estrado apanhou o Elefante a mastigar:

- Cospe para a minha mão a pastilha elástica, - ordenou.

Com o "senhor aluno" em sentido esfregou-a no cabelo.

- Vai para o barbeiro!


Sunday, September 12, 2021

12 de setembro de 2021

 



O Comandante Guélas

Série Paço de Arcos

Futebol P.A. 53

Este domingo a Supertaça “O Regresso dos Coxos” ficará para sempre assinalada como o encontro com mais tempo de casos do que de jogo jogado. O regresso do Brinca na Areia em formato leitão, que mesmo assim marcou dois golos, e não sete como era tradição, e um deles de ricochete, tal como os amigos do pai. O homem do jogo foi o Maninho Ensina com uma fabulosa jogada individual, da sua baliza até às redes do adversário, onde introduziu, não as suas bolas, mas o esférico, a seco e a frio, tendo esta jogada sido classificada como “Maninho-Milagre”, que é agora um novo desafio para o Ronaldo. O mano Trazfácil também deu nas vistas quando foi à baliza, dois fabulosos frangos com molho de alho e manteiga; o Taroulo apresentou-se em versão Dele, e teve de sair a meio lesionado com calos nos pés; o Calcinhas passou mais tempo no balneário a beber água, do que no campo a jogar. A assistir a tudo isto do banco esteve o responsável por esta Ínclita Geração que, talvez por vergonha, abandonou o local cinco minutos depois de ter entrado. Mas também foi o regresso do Esferovite, primeiro disfarçado no exterior com barba e bigode, não fosse aparecer o Doutor Sopapo, depois convidado para o ataque da equipa do Fininho, onde foi um dos protagonistas do golo, mesmo a jogar de pantufas, que deu a vitória à equipa do Fininho, a única tradição que se manteve. E a fama do Futebol PA é tanta que o Barcelona pediu para o Martin Braithwaite jogar na equipa do Pingamisú, onde quase ia tirando a cabeça ao Peidão quando este se preparava para marcar um soberbo golo de cabeça, mas fez mal os cálculos e a bola caiu aos pés do dinamarquês que estava atrás dele. O Talisca foi o responsável por um minuto de silêncio pelo Caveirinha, quando deu um biqueiro na bola e acertou-lhe em cheio no coco. O pré-reformado congelou, nem um som se ouvia do seu interior, os membros inferiores pararam, o olhar era vazio, por momentos esperou-se o pior, iria esta lenda do Futebol PA para o banco, junto ao Dele? Ou pior, para o Milho ao Pombos como o pai do Dele? Mas eis que o milagre acontece quando o Caveirinha gritou a plenos pulmões:

- 2 mais dois são quatro!   

  

Saturday, July 03, 2021

Jogos sem fronteiras

 




O Comandante Guélas

Série Colégio Militar

O Menino da Luz é uma unidade íntegra e única, falar dele é recordar fragmentos, ficções, fantasmas, a vida é constituída por grandes e pequenos afetos. Esta estória vai-nos conduzir de jogo em jogo, inebriando-nos, numa alquímica busca das raízes culturais mais profundas deste espaço único, um local construído por muitos, durante muito tempo. O produto do 664, “La Vache que Rit”, era o motivador do jogo que decorria em simultâneo com os verbos “Être” e “Avoir” debitados pelo professor, triângulos de queijo francês cruzavam o espaço aéreo da sala, e quando acabou, por exaustão do material que já se confundia com o branco das paredes, os atletas fizeram o retorno à calma através de perguntas em voz baixa, que obrigaram o François a aumentar o volume do som da prótese auditiva, altura em que se apercebeu estar a ser vítima de buling, os étudiants passaram para um coro de gritos. Numa das camaratas da terceira companhia, transformada em Cabo Canaveral, o 224 puxava, mais uma vez, tudo o que lhe entupia o nariz, e lançava na vertical o conteúdo amarelado tentando colá-lo ao teto onde, sobe o efeito da gravidade tentava sempre voltar à base, mas que, por razões de densidade e química, transformava-se numa soberba estalactite. Quem se deitasse nos anos setenta do século passado na cama do Fogaça e contemplasse a abóboda celeste via-se transportado, por momentos, para uma galeria nas grutas da serra de Aire e Candeeiros. O jogo mais atrevido, ir até à zona vermelha e trazer uma prova, passou-se nos anos noventa, quando alguém trouxe as estrelas de prata do gabinete do Dito, uma oferta da filha, que lhe iriam ser colocadas nos ombros, e obrigou o Colégio Militar a entrar em “Defcom 1”. Na aula do Feio, cujo tema eram os eternos “Descobrimentos”, um dardo improvisado, uma borracha e uma agulha, cruzava o espaço aéreo, e tinha como alvo a parede contrária onde o lançador pretendia espetá-lo. Mas por razões não esclarecidas o objecto evaporara-se e todos tentavam encontra-lo, incluindo o 120 em cuja cabeça ele se espetara.

- Miolos no teto, miolos no teto, miolos no teto, oeh, oeh, oeh, oeh, ooh, – gritava-se algures numa sala do primeiro andar do Zimbório, seguido de um “BUM” que fez estremecer o local.

O jogo começara com uma manta e quase ia vitimando o Bola quando umas das pegas se rasgou na fase de aterragem. Por isso o Pencas não quis arriscar, trazendo desta vez duas mantas e um pássaro mais maneirinho, o Mosca, que foi arremessado com vigor conseguindo deixar no teto uma pegada estilo Armstrong.

Bufar-se com estrondo na altura em que o carrasco-Mor da companhia dera início à sessão de tortura, uma brincadeira das noites frias de inverno, mais conhecida por “Firmeza”, não era aconselhável de todo, mas a tripa do Leitão traiu-o, e o petardo deu a sensação de estarem no São João, provocando a risota geral, uma humilhação intolerável para os adolescentes com estrelas aos ombros armados em rufias, e alguns com tendência para a psicopatia. Houve uma imediata distribuição de biqueiros e pena sumária para o prevaricador. E a festa brava prosseguiu pela noite dentro!

- Façam pela vida, - aconselhou o professor Oliveira, mais conhecido como Baco.

A inspeção ao andamento dos trabalhos manuais, que teimavam em não sair da fase da bola de barro, porque de cada vez que virava as costas o cinzeiro do 69 voltava à forma primitiva, e tudo graças aos murros dos colegas no material, desesperava o docente, que não se apercebia de outro jogo que decorria em simultâneo, o arremesso de barro contra a parede branca, que mais parecia um cenário de guerra polvilhado de estilhaços de granadas.

O tempo era de “Estudo”, o último do dia, e o professor resolvera faltar, obrigando o Chefe da Turma, o Peidão, a manter em silêncio uma turma de trinta e dois macaquinhos com bicho carpinteiro, e se não o fizesse o oficial de dia, o Aparício, um meia-leca com uma tabuleta pregada na farda a dizer “comandos”, ameaçara-o fazer-lhe a folha por “incompetência”. E para agravar a situação o 289, Stratopel, que, além do bicho carpinteiro, tinha também graves problemas nos carretos, mas nestes tempos muitos progenitores pensavam que o Colégio Militar era o local indicado para curar riscos nos cromossomas, resolvera desestabilizar ainda mais a turma. Foi o alvo de um jogo de “Bullying Farmacêutico”, sendo imobilizado no estrado para que cada camarada lhe conseguisse despejar, sem desperdiçar o produto, o conteúdo das cápsulas de óleo de fígado de bacalhau, o complemento alimentar da moda e presente na maioria das carteiras. Entrou Stratopel, saiu Texugo!

A estória acaba com a avó do Boinga que, devido às modernices, instalar um telefone público no recinto, recebeu um telefonema colegial a ameaçarem raptar o seu bambizinho. Contactou de imediato o Dito que decretou o alerta geral.


Monday, June 07, 2021

Fundação Pingamisú

 



Comandante Guélas

Série Paço de Arcos

Futebol P.A. 52

Este domingo ficou mais evidente a urgência do Futebol PA, com 45 anos de existência, evoluir para uma Fundação, e a mais provável será a Fundação Pingamissú, uma vez que é pai de um jogador da casa emprestado ao Benfica, e que futuramente renderá uns milhões à bolsa do Peidão, o contabilista, que prometeu erigir a obra, tendo este domingo iniciado conversações com o sobrinho do Isaltino, na altura em que este estava à baliza. Prometeu terreno e autorização para uma estátua de Daniel Martins de Almeida à entrada em que, por apenas 1 euro, o visitante poderá ouvir o “É Motorista” (https://youtu.be/yxs1F_05oP4). As instalações contemplarão um Lar do Jogador, estando os quartos números 1 e 2 já reservados, respectivamente, para o Presidente e o Choné, com fraldas incluídas. O resumo do jogo deste domingo dia 6 de junho do ano da Graça de 2021 ficou a cargo do herdeiro de Oeiras:

“1 vitória e 2 empates; A) Jogo Corrido: resultado antes da ponderação regulamentar 4-8; 2 golos do Fininho na Própria e oferecidos à equipa, 6-6 (1 empate); B) Autogolo do Caveirinha com nota artística 10, vale 5 na própria equipa, 9-6 (1 vitória); C) Espalha na baliza, por 4 períodos de 10 minutos, 2 golos marcados e 2 sofridos (1 empate); resultado final após ponderações regulamentares, 1V + 2 Empates”.

A prestação do Caveirinha na baliza foi digna de um jogo de voleibol, pois o autogolo pareceu mais o comportamento de um distribuidor, do que de um “enterra-equipa”. Aliás o comportamento pós-covid do Caveirinha, resultado da Astrazeneca, sofreu alterações. Antes da pandemia marcava todos os golos de ricochete, mantinha-se estático na grande área adversária e os colegas limitavam-se a acertar-lhe com a bola na esperança dela ir direta para os fundos da baliza adversária; agora salta, por isso ninguém consegue acertar-lhe, e até agora golos nem vê-los, por isso o Peidão evoluiu e “pinga” em todos os encontros. O Ricardinho bateu o recorde de hérnias discais no domingo anterior, seis só num jogo, por causa de um salto estilo Caveirinha. Daí a urgência do asilo para atletas!

 Pela primeira vez uma das equipas teve um treinador na bancada, o Bastonário, que se limitou a escolher a equipa e a levá-la à vitória, resultado que foi alterado posteriormente na secretaria depois de visualizado pelo VAR, o senhor Luís de Espanha, e devido a doping do Maninho Ensina, a bomba de ar estava cheia de GPL. O Choné anda a investir tudo na educação do Calcinhas! O Al-Berto cada vez se parecesse mais com o Dic a jogar, de cada vez que entra na grande área adversária opta pelos rodriguinhos em vez do clássico biqueiro em direção às redes.

Peidão, Peidinho, Al-Berto, Sabão, Fininho, Espalha, Paisagista (irmão do Dedão), Lobo, Caveirinha versus Balão, Almeida (que dormiu na casa do anterior e é parecido com um paçoarcoense famoso), Tio Kiki, Pingamisú, Dedão, Coiote (amigo do Lobo, da turma do Maninho Ensina), Maninho Ensina, Bastoninho.


Monday, May 24, 2021

A Goleada

                                  


O Comandante Guélas

Série Paço de Arcos

Futebol PA 51

(Supertaça “O Regresso do Caveirinha”)

Foi um jogo com um resultado de difícil interpretação, 3 vitórias num só encontro, que mostra, sem sombra para dúvidas, que o Fininho está invencível: Fininho contra Todos, 2 a 0; Fininho versão Clássica 7 a 5, por golo próprio na sua baliza que concedeu à equipa (“Golo é de quem o marca”); Fininho em Jogo Corrido e sem favores de Secretaria, 7 a 6. Nunca mais perdeu desde que o Bill foi para Macau. E o Pingamisú não se apercebeu do fim do jogo e continuou não tendo, no entanto, conseguido marcar golos na baliza adversária até ao momento. O Bastonário regressou aos relvados, mas mesmo assim o Espalha não trouxe o dinheiro para pagar a quota obrigatória do Futebol PA, nem a dele nem a do Bourbilha! Todos se aperceberam que o primo Baptista necessita urgentemente de mudar de óculos, mas como o médico oficial anda desaparecido, não foi possível arranjar-lhe uma receita para mamas novas. A nutrição também teve um papel importante, o Sabão e o Al-berto por andarem a levar a sério estes jogos de domingo, nunca tinham jogado um futebol tão intenso, física e psicologicamente, preocuparam-se com a alimentação da véspera:

- Ontem à noite comi sopa e hoje granola de aveia e banana. Corri mais, e cansei-me menos - confidenciou o Sabão.

Não marcou nenhum golo!

- Eu jantei mais cedo e comi um peixinho cozido. Senti o cabelo mais solto, - retorquiu o Al-Berto

Golos nem vê-los, só “rodriguinhos”!

- Ontem ao jantar comi um picanhão de quilo, - respondeu-lhes o motivador Zé Miguel.

Uma assistência e um golo!

Mas o mais notado foi o Caveirinha, meteu-se a tomar carvão, e turbo nem vê-lo, saltos baixinhos, arrancadas miseráveis e nenhum golo.

- Eu respeito os meus gases, sou um homem livre, - disse o Peidão!

O,035m/s de metano misturado com 746,6 watts de potência: Dois soberbos golos, o melhor marcador do campeonato, abandonou a defesa e é agora o Ronaldo de serviço! A juventude apercebeu-se da volatilidade das regras de jogo do Futebol PA, houve um livre direto sem barreira, com golo do Peidão à borda da baliza, porque quem marcou é que decidia se queria ou não barreira, apesar dos protestos que não foram atendidos pela Justiça Desportiva, Fininho e Espalha estavam na equipa que marcou a falta, cujo bola levou um toque extra da mão do Caveirinha. Pela primeira vez o Caveirinha fez uma barreira única do outro lado e pediu que um jogador se deitasse atrás dele. Os “rodriguinhos” no mesmo sítio do Ricardinho na semana passada tiveram uma explicação: Astrazeneca! Neste jogo ia marcando o golo da jornada. O futebol PA pós-Covid está vivo e recomenda-se!  


Wednesday, May 19, 2021

Supertaça “Saudades do Cinzento”

 

O Comandante Guélas

Série Paço de Arcos

Futebol PA 50

É já um desafio crónico aquele com que o Futebol PA se tem vindo a confrontar neste pós-segundo-bicho. No entanto, há sempre jogadores intemporais, transversais a todas as épocas e gerações, pela própria força que imprimiram à modalidade. No Maninho Ensina está a desabrochar um novo Bill, enquanto o mano Trazfácil faz lembrar o Jordão varrendo o ataque adversário, quando este ousa aproximar-se da sua baliza, mesmo que seja o mano Tarolo, um Chico em potência, que não deixa ninguém indiferente, onde o fantástico e o futebol sem predicados andam de mãos dadas, um singspiel, jogando todos os estilos futebolísticos, mas com tendência para os matrecos. Este foi um domingo diferente, não no resultado, o Fininho tornou a ganhar, mas nas novidades: coletes novos, fresquinhos, o regresso do Caveirinha ao campo e do Choné às bancadas. Todos os jogadores tiveram de assinar um termo de responsabilidade, e o Al-Berto dois por causa do penteado à Kebab. Há um vírus específico do Futebol PA, o “Rodriguinho”, que está a afetar a juventude, obrigando a terceira idade a subir para a grande área adversária e marcar golos. Hoje, mais uma vez, o Peidão foi o jogador de eleição, dois soberbos golos, que talvez inspirem o Sabão e o amigo Kebab, uma vez que o Balão está afetado de “rodriguinhos” da cabeça aos pés. Os atletas foram assim divididos em duas equipas: Peidão, Zé Miguel, Maninho Ensina, Al-Berto, Sabão, Balão, Ricardinho e Caveirinha versus Toni Mendes, Fininho, Trazfácil, Dedão, Tio Kiki, Gustoso, Pingamisú. O Futebol PA atingiu agora um estatuto que lhe permite lançar-se para o futuro, um novo conceito de negocio do Peidão para motivar as novas gerações: jogar com ou contra equipas especiais!

Equipa do Capitão Porão (10€+IPP+Preço da fralda), destinada a tenrinhos que irão ouvir um eco de cada vez que o esférico acertar na bilha do militar altura em que terão de gritar "em cheio na kona" como dizia sempre o Caveirinha.

Equipa de Sonho (12€+IPP, IVA pró Peidão), jogar num conjunto com cartas especiais: Biblot, Dic, Tuguinha, Carinha da Avó, Marinheiro Pai, Chico, Rato (com chuteiras cor de alface) e Judite de Sousa.

Equipa feliz (15€+IPP), jogar numa qualquer que tenha o Milhas, onde será só rir, só rir, e em que o Fininho irá ensinar a fazer a silhueta quando o Constante cair, porque cairá sempre, e ficar agarrado à perna a olhar para a cicatriz que fez num desastre de mota há 40 anos.

Poderão também ter treinos de “Rodriguinhos” com o Ricardinho por apenas 9€+IPP, lições de “Gestão de Campos” com o Peidão por apenas 17€ que inclui IPP, “Aquecimentos” com cigarrilhas da responsabilidade do Cinzento (15€ inclui tabaco, com duplo IPP, a cigarrilha e o jogador), “Desaprendizagem do Futebol” pelo mister Pingamisú (5€ paga-vos ele, já inclui 98% de IPP), “Agradecer Golos ao Milhas e ao Chico Marinheiro” (7€+IPP), treino de colocação de voz, muito importante no Futebol PA, e outras aventuras que permitirão ao contabilista continuar a subir na vida à conta de uma perceção de melhorias semanais de performance dos novos jogadores. A expetativa é grande no regresso do Zé das Cápsulas, durante muitos anos o Ronaldo PA, que se casou e teve gémeos. As apostas na performance estão todas do lado do pai Laranjão!


Sunday, May 09, 2021

Supertaça “Os Ânus do Focas”


O Comandante Guélas

Série Paço de Arcos

Futebol PA 49

Se o Fininho disser que este domingo ganhou, isso é Impulse. Desde o início do Futebol PA aproximadamente 1000 seres humanos caminharam sobre o relvado, incluindo o preto profissional que jogou na Praia de Carcavelos descalço que chutava como o Koeman e ia tirando a cabeça ao Caveirinha. Atrás de cada novo jogador encontram-se 30 coxos, este é o rácio pelo qual os sexagenários ultrapassam os vintage. Este domingo foi o regresso a Porto Salvo, após muitos protestos do Taressi, o patinho feio do Choné, um jovem jogador de sentido contrário, que se desmancha e só consegue desenvolver-se porque dá ganhos aos adversários, sinal de que para ele futebol e corfebol é tudo a mesma coisa. E o entusiasmo era tanto que o Al-Berto arrombou com a porta, só para ir aquecer, fazendo com que o rececionista preto, e não o saudoso Preto, agora tratado por Cinzento, fugisse com medo do gangue do Futebol PA. Mesmo com mais de 40 anos de prática o campo continua a albergar, para muitas almas penadas, recantos desconhecidos capazes de conter mistérios insondáveis.

- A bola só atrapalha, no futuro será retirada, - prometeu um dia o Presidente.

Neste domingo ficou patente que o Pingamisú está preso a um incessante braço de ferro contra um ser demoníaco que o habita e de quem não se pode livrar sem correr risco de vida. Mas o ambiente de Tires ainda se sentia, porque as damas de companhia fizeram ouvir os seus sentimentos quando descobriram novos cabritinhos:

 

- Bourbilha, punha-te uma maçã na boca e assava-te todo, - gritou a Diana Fialho, especialista em churrascos.

- Comia-te aos pedaços Flecha barbuda, - berrou a segurança algarvia.

O homem do jogo foi o Maninho Ensina, que veio para o campo com um blusão de penas, e parecia que voava. Foi um encontro do antigamente, de início a equipa escolhida pelo Toni Ramos parecia jogar num plano inclinado favorável, e marcou quatro golos de rajada. Mas a pouco e pouco o nível desportivo foi subindo, até serem encostados à parede, tendo o Trázfácil recorrido à pantufada familiar, que amedrontou o mano Tarolo, um profissional de campos do tamanho de matraquilhos e não de relvados para profissionais. 7-5 foi o resultado, com as seguintes equipas: Peidão, Zé Miguel, Balão, Taroulo, Maninho Ensina, Ricardinho, Al-Berto, Espalha e Bourbilha versus Toni Ramos, Fininho, Pingamisú, TrazFácil, Sabão, Dedão, Flecha e Gustoso.

 

P.S.: O Cinzento confidenciou que irá regressar em breve, porque só joga em Porto Salvo, uma vez que nunca conseguiu encontrar o campo de Tires devido ao tamanho reduzido; o Laranjão também prometeu voltar, após autorização do Zé das Cápsulas, que também já pediu licença de jogo a autoridade superior. 

Bill, se o Fininho te disser que este domingo ganhou, não te esqueças, explica aí ao chineses que isso é Impulse!


Tuesday, May 04, 2021

Supertaça "O Regresso do Taroulo"

 



O Comandante Guélas

Série Paço de Arcos

Futebol PA 48

 

Este domingo foi um regresso ao passado, houve goleada, a equipa do Fininho levou 9 – 4, mas ganhou: Toni Ramos, Tio Kiki, Taroulo, Sabão, Al-Berto, Ricardinho, Pingamisú versus Peidão, Zé Miguel, Balão, Dedão, Maninho Ensina, Fininho e Espalha. O encontro decorreu no mítico Estádio Rosa Grilo, e quem quis dar nas vistas foi o Taroulo, que veio diretamente de Barcelona armado em Messi, entrou no terreno com a quota do mano Trasfácil, e jogou como Taressi, com a música “Trouble’s Coming” dos Royal Blood a tocar ao máximo em 45 rotações  em todo o coco, mas o tamanho fez a diferença, não chegou aos colhões do argentino, tropeçou quatro vezes na bola e, após dois ressaltos no guarda-redes adversário, lá conseguiu enfiar o esférico do Balão no fundo das redes. E de cada vez que o fez puxou a franja maricon para o lado como que a gritar “olé”. Por isso o Comité de Disciplina anulou dois dos seus quatro golos por comportamento ilícito no relvado. Ficou assim 7 -4. Mas há mais! Na fase de aquecimento o Dedão deu um biqueiro na bola do Sabão e colocou o esférico ao alcance da Rosa Grilo e suas muchachas, por isso o proprietário recusou-se a ir buscar o material, e tinha razão, a namorada da patroa de Tires gritou:

- Se vens aqui transformo-te em vários sabonetes!

Foi o Dedão, o leitão da Diana Fialho, que por estar ausente do estabelecimento para ir tratar de um assunto familiar escaldante, tinha deixado avisos ameaçadores às colegas caso tentassem tocar no seu xuxu, mas perdeu-se no mato e teve de ser resgatado, mesmo com o jogo a decorrer. O Pingamisú regressou ao antigamente, um jogador onde a técnica não faz parte do léxico cerebral, levando-o a lutar constantemente contra a complexidade do mundo, sinal de que o sicofanta Bill estará sempre presente nestes domingos de Futebol PA, fazendo com que alguns, os “bileiros” olhem de uma forma diferente para o esférico, vendo-o quadrado. O Toni Ramos jogou coxo, característica só autorizada ao Choné, na perna, e ao Milhas, na cabeça. Por isso o Espalha, mesmo fora do território, aplicou a justiça desportiva do Tio Isaltino, retirando mais dois golos, por “abuso indevido de vantagem desportiva”: 5 – 4! O Ricardinho voltou a fazer rodriguinhos, mas esqueceu-se de informar o Peidão, que escolheu as equipas com o falso-coxo que, por se considerar desportivamente enganado fez queixa ao Fininho, da Federação, que castigou a equipa adversária com menos dois golos. Assim, a vitória foi justamente entregue à equipa do do costume, que somou os respetivos golos retirados aos batoteiros: vitória do Fininho por 9 – 4!

P.S.: O Cinzento foi visto a passar em direção a Sintra, para ir jogar o encontro da semana passada!