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315 estórias

Monday, February 06, 2017

Tática e Estatística

O Comandante Guélas

Série Paço de Arcos

Futebol P.A. 13




A tradição cumpre-se sempre! Um minuto antes do início do jogo, depois dos atletas terem mostrado ostensivamente, no aquecimento, a sua devoção pela modalidade, a divergência do costume:
- Que merda de equipa é esta, Peidão? – É a pergunta recorrente do Bil e do Tio Kiki, caso pertençam à sua equipa.
E o dinossauro e paciente pastor incondicional de futebolistas, o Querido Líder nº 2 do Futebol P.A., uma vez que o Special One dá pelo nome de Fininho, tenta explicar-lhes o que eles nunca irão compreender:
- Escolho a equipa porque sou eu que tenho as estatísticas!
A Estatística e a Tática andam de mãos dadas no Futebol P.A., e quem conseguir domar as duas ganha sempre o jogo. Por isso o Special Two escolheu o Espalha, o Bill e o Milhas, as três peças fundamentais na vitória deste domingo, baliza, meio campo e ataque, respectivamente. Mas nesta equação tem de haver sempre espaço para o fator surpresa, que neste caso teve o nome de Preto, que chegou tarde e a más horas, e por isso acampou junto ao Milhas, dando origem a uma frente de ataque com mais de cem anos. Foi a vez da Tática colocar as peças no tabuleiro! O fabuloso Espalha, o sobrinho da Uber do desejado Isaltino, olhou para o céu e compreendeu que o modelo de jogo seria o “baliza a baliza”, o adversário tinha o sol pela frente e ele o Bill. A este o Peidão colocou-o a meio campo:
- Assim teremos mais hipóteses de compensar o anti jogo dele!
Mas até o jornalista se revelou um genuíno jogador de futebol: o Espalha dava um chuto para a frente, o médio apanhava com a bola na cabeça, mas como estava de costas perdia a capacidade de fazer algum gesto voluntário que pusesse a sua equipa em risco, como por exemplo devolver a bola, e o esférico ressaltava para os pés do Preto que, com um biqueiro reflexo, colocava-o à frente das chuteiras do Milhas, limitando-se este a empurrar a bola para o fundo da baliza do Fininho. À conta disto o magnata fez um “à trick”. Os outros dois foram fruto do trabalho individual do Brinca na Areia nº 2, um amigo do Taroulo desconhecido da maioria que já fazia parte do Manual de Estatística do Futebol P.A. Mas houve mais, muito mais! O Fininho trouxe um refugiado sírio e o seu filho, com o dobro do tamanho da bola e no papel de avançado principal que, segundo o Espalha, estava acampado na quinta do Special One. Vimos o sírio quando o Zé Miguel, descendente do Peidão, o contemplou com uma carga de ombro legal junto à linha lateral, que o colocou para lá deste e em cima de um cipreste, donde regressou a protestar com voz de falsete e a correr para a porta de saída:
- Assim não, assim não!
A transformação fê-lo ganhar de imediato a alcunha de Ulki, e só regressou ao campo após intervenção do Fininho:
- Ou jogas ou tiro-te o saco cama!
Infelizmente o Taroulo é sempre notícia desde que o pai o abandonou, e o Maninho Ensina não dá conta do recado. Está em queda abrupta para a modalidade, arrisca-se a ir parar ao Incha Padel, e até o Bill já gozou com ele, agradecendo-lhe os golos que proporcionou ao longo da partida. E desta vez até foi advertido por um psicólogo, quando disputou a marcação de um livre indirecto, uma invenção desesperada da equipa do Fininho perante a derrota eminente:
- Mas eu quero marcar, - protestou o filho do Choné, batendo com o pé no chão.
- Incorreto, - corrigiu o Carcaça, - o que tu devias dizer era “faça favor de marcar a falta, senhor”!
Enfim, modernices que irão custar caro ao psicólogo, porque no Futebol P.A. comportamentos desviantes destes têm sempre consequências a curto prazo. Para compensar o Bill pelo inesperado jogo, o Peidão pagou-lhe uma viagem à China com as sobras das quotas obrigatórias, onde irá permanecer, graças a Deus, um mês da sua e das nossas vidas!

Saturday, February 04, 2017

Os Koninhas


O Comandante Guélas

Série Paço de Arcos

Futebol P.A. 12



O Tarolo queixava-se de ter um pulso aberto, e tudo por causa dos filmes para adultos que o Balotelli insistia em pôr no grupo do whatsapp do Futebol PA, e por isso queria estar isento de ser guarda redes, mas enquanto reivindicava não se apercebeu da aproximação do Maninho Ensina que, por vir em red line, não teve tempo para travar, mas mesmo que o quisesse nunca teria conseguido porque o pai Choné comprara-lhe as chuteiras em promoção, na loja da Bernardina do “Tudo a 1 euro” na Figueirinha. Ouviu-se um grito lancinante, igual ao do capitão Porão no dia em que o Pona o arrumou de vez. Mas mesmo reformado do Futebol P.A., o militar continua a ser útil no Incha Padel, onde um jogador sem ética desportiva lhe desconta os pontos da carta que já não usa, de cada vez que vai apressado lá para os lados do Riviera, e o radar da praia de Santo Amaro dispara. Por isso o Incha Padel será sempre um desporto mínimo, carregado de partículas finas poluentes geradas por combustíveis de fósseis, as PM2.5, cujos praticantes já evidenciam preocupantes sinais de demência, enquanto o Futebol P.A. é uma competição entre máximos. Quanto à colisão entre manos, o Chico Paulo, também ele um veterano paçoarcoense e especialista em leis desportivas, elucidou os presentes com uma douta sentença, antecipando-se ao Fininho. Mas só falaremos dela no final da estória! Este foi um jogo muito atípico, onde a queixinha prevaleceu, sendo os dois penáltis assinalados, sem qualquer tipo de discussão, a prova disso. O primeiro aconteceu com o único careca em campo que, após uma simulação malandreca, sentiu algo e simulou um pneu furado, seguido de despiste. O segundo teve como artista o Brinca na Areia, um jogador ultimamente muito sensível a encostos que, ao aperceber-se da aproximação desenfreada do Maninho Ensina, um atleta que esteve perigosamente ativo na defesa da sua equipa, simulou um apertão dentro da grande área, pôs travões a fundo e buzinou desenfreadamente. Do Fininho não se ouviu qualquer sentença que indicasse estar do lado da justiça desportiva, repudiando este excesso de mariquice desportiva, resquícios dos tempos em que o capitão Porão usava e abusava dos teenagers paçoarcoenses.  
A sentença do Chico Paulo ao incidente mais grave deste domingo, mencionado atrás, que ditou a culpa do Tarolo por falta de carta de condução, absolvendo assim o Maninho Ensina, foi inquestionável:
- Em caso de falta sem bola aplicam-se as regras do trânsito!  

Wednesday, February 01, 2017

Silêncios!


Comandante Guélas

Série Colégio Militar





“há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio, do que a tua vã sabedoria supõe”

Hamlet


No Colégio Militar sempre se manifestaram todas as possibilidades, desde o brilho à escuridão, o espaço educativo foi muitas vezes capaz de glorificar incapazes e desconstruir capazes, era um local cheio de pontos de interrogação. O Colégio Militar era uma fábrica de dilemas, onde eramos todos diferentes e iguais, próximos e distantes. As exigências diárias, que resultavam da inevitabilidade de se terem de aturar mutuamente, começavam na interação com os que lhes eram mais próximos.

Esta é uma estória expurgada de sofismos! Não podemos esconder os nossos pecados, não podemos enterra-los, temos de carrega-los, temos de admiti-los. O orgulho não advém da consumação do erro, mas da coragem que é necessária para admitir esse erro. Os Meninos da Luz tinham uma capacidade de se entregar aos outros e a causas solidárias, como a Conferência de São Vicente de Paulo, tratada no meio como “Conferência”, que os fazia vestir a farda de terylene e abdicar das brincadeiras das quartas-feiras à tarde (galantear a Rosa, acender fogueiras, massacrar o Carioca, apanhar boleia no trator do senhor Nunes, chatear o Meia-Lua, interromper o namoro do tenente Mota, beber o vinho do padre Peixoto), para ir acudir aos mais necessitados da zona, registar num bloco as suas carências e, após validação superior, darem-lhes cheques colegiais. O Gordini, o Peidão, o Cebola, o Coiote, o Horrível, o Cabedo, e tantos outros bons samaritanos, faziam por isso parte de uma geração com grande sentido da prática e do concreto, estando assim imunes às suas qualidades intelectuais, que eram equívocas. A encíclica Populorum Gina, emprestada pelo Coiote, foi fundamental na formação destes meninos, que não tinham direito a liberdade às quartas feiras à tarde, porque os seus neurónios, ao contrário dos do Ginho que saiam pelas orelhas, não lhes permitiam ter acesso ao Quadro de Honra. Quando o Gordini recebeu autorização para ir fazer caridade, imaginou-se novamente sentado à mesa de uma das casas das lendárias velhas de Carnide, a empanturrar-se de bolachas e biscoitos, ao mesmo tempo que preenchia a folha do questionário, que teria de ser entregue na comissão colegial, sinal de trabalho piedoso intenso. Mas parte desta estória traz uma carga inflamável! Dizia-se que no batalhão todos eram só um, todos tinham os mesmos pontos fortes, todos tinham as mesmas fraquezas, o que acontecia a um, acontecia a todos, um desobedecia às ordens, todos desobedeciam às ordens. Dever, honra e integridade. O Colégio Militar não tolerava ladrões nem homossexuais. O primeiro assunto resolvia-se com facilidade, porque como os gatunos eram de boas famílias não roubavam, simplesmente se "descaminhavam", por isso neste espaço educativo somente se descaminhava, à grande e à francesa, daí a razão para a existência das "firmezas", a banalidade do mal, altura em que o ponto 9 do Código de Honra ("Repudiar a violência, a delapidação e o despotismo") era suspenso. Quanto ao segundo tema, dizia respeito a um confronto entre o indivíduo e o coletivo, onde bastava haver uma hesitação identitária para provocar uma ansiedade, um esconde-esconde, disfarces, arrepios, dúvidas existenciais. Mas abordar o assunto, que deve ser falado como muitos outros, exige calma, há camaradas muito sensíveis de ambos os lados da barricada, por isso já lá vamos, com pantufas, cor de rosa para uns, camufladas para outros, em vez das comuns botas cardadas. A vida no Colégio Militar era condicionada pela perceção e pela emoção, cujo plano de formação dos Meninos da Luz incluía a Sala de Leitura, onde as aventuras de um filho dum ribatejano e de uma inglesa faziam as delícias da rapaziada, que à noite se deliciava nas camaratas com as loucuras de umas suecas sem limites. Elas eram muitas, e aviavam muitos, enquanto ele lutava sozinho contra o Rommel, o Goering, o Hitler, e o Mussolini. Havia quem vivesse à beira do mais puro e simples desespero, onde o Jaime Eduardo de Cook e Alvega representava a tentação, em vez das míticas Ginas. Para a maioria as almofadas eram o alvo natural, enquanto que para outros os atributos dos vizinhos representavam a maçã da Branca de Neve. Era um debate recorrente, seco e tenso, que colocava a intensidade dos sentimentos no centro dos equilíbrios deste espaço educativo que se dizia cheio de pergaminhos. E nesta encruzilhada as verdades da razão nunca se sobrepuseram às verdades da fé, contaminadas pelo vírus da insensibilidade, pois quando os limites eram transgredidos havia consequências. A revista “O Falcão” nº 716 foi devastadora para muita gente do batalhão:
- Morreu o major Alvega! – Gritou um graduado no meio das formaturas que se dirigiam para as aulas da manhã daquele dia chuvoso de inverno dos anos setenta do século passado.
Frederico Guilherme I, o rei-sargento da Prússia, tinha um fraquinho por rapazes altos, e Pedro, o Grande, colecionava anões. Algures nos anos trinta do século passado, na leitura da ordem da última formatura, toda a companhia ouviu a punição de um soldado que estava em serviço na quinta, “por ter sido encontrado pelo sargento da ronda a cometer actos ilícitos em cima de uma vaca”, tendo sido condenado a dez dias de prisão. Durante a semana seguinte a vaca foi a estrela do Colégio Militar, todos os ratas a queriam ver, segundo contou o 291 de 1934. O último ano do Colégio Militar era de “comando”, e o que se fez de bom e de mau desde o início, era importante para se determinar as responsabilidades. Mas não funcionava assim! Uma transgressão foi longe de mais, e teve como protagonista um camarada com uma folha imaculada, exageradamente formal, amigo de todos, muito paciente, que dava grandes “secas” aos seus jovens subordinados, qualidades que lhe valeram uma via verde vitalícia. Cochichava à meia luz na sala de leitura com a rapaziada a quem dava explicações. Depois de sair deslocava-se ao colégio três vezes por semana, com a autorização de fantasmas poderosos, onde era recebido como um Super-Homem com um império na cabeça, abraçado e abraçando todos, especialmente os mais novos, alguns filmados a participar em jogos inabituais, participava com empenho no discurso do marechal durante a noite de todos os fantasmas. Até aí o clorofórmio gamado ao Valentim na enferma apenas servira para atordoar as galinhas do Nunes, o pai da Rosa, mas ele preferiu usá-lo em alguns pintos fardados de cotim, filmando as brincadeiras, e divulgando-as para um público restrito nas profundezas da internet. Os nossos atos são uma escolha. A vida no Colégio Militar estava metodicamente organizada, o tempo era cuidadosamente repartido, regular, apesar de para uns representar uma solidão e para outros a liberdade. E a liberdade do Chula foi um dia longe de mais, quando sentiu bolhas na nuca, sinal da aproximação de uma nuvem negra que iria borrar-lhe o cérebro num treino na sala de remo, durante uma noite. Foi assaltado por um estupor, uma orgia elétrica, um momento de desconexão neuronal que transformou os miúdos em franguinhos prontos a serem degustados. Dezoito anos de prisão, e no julgamento pediu a "castração química". A negação destes factos por alguns permite criar mundos virtuais, irreais, fictícios, fantásticos, dos quais, felizmente, o Colégio Militar não faz parte.


Wednesday, January 25, 2017

O Maestro

O Comandante Guélas

Série Paço de Arcos

Futebol P.A. 11


Quando o Fininho, o maior gestor desportivo paçoarcoense, se ausenta por algum tempo das atividades desportivas da vila, ocorrem de imediato fenómenos disruptivos. Foi o que aconteceu na semana passada! O mítico jogador deslocou-se à Holanda para umas merecidas férias, cinco euros mais baratas, pois não pagara o último jogo em que estivera presente,  no Incha Padel o ConanVargas, o atleta com mais margem de progressão da modalidade, que promete na Páscoa passar da posição estática para a dinâmica, teve um desentendimento com o mais onomatopeico desportista paçoarcoense de todos os tempo:
- Nesta fase inicial muito sofri para conseguir jogar, depois passa. Já tens condições bem melhores para começar. Amanhã tenho treino e jogo de seguida, fico saciado por 24 horas, - confidenciou o guru Cociolo depois do  Conan se queixar da falta de amigos para jogar Padel, mostrando que já nem o bilhar de bolso nem o Pau de Cabinda o satisfaziam.
No futebol o caso foi mais grave, o Tarolo trocou de papéis com o Bill, que finalmente conseguiu marcar um soberbo golo pela sua equipa, fazendo birras, greves, e várias idas ao bebedouro, oferecendo vários golos de bandeja ao Brinca na Areia que, até meio da partida, esteve desesperado a perder por dois a zero, ambos marcados pelo inacreditável Milhas, mantendo a atitude mesmo depois do empate.
- Calma filho, o resultado está igual, - tentou chamá-lo à razão o obeso pai mas recebeu de imediato uma resposta contundente.
- Para mim é a mesma coisa!
E foi a partir deste momento que o Tarolo entrou numa espiral de convulsões, enterrando definitivamente a equipa e ocupando o lugar do jornalista, que fora construído com sangue, suor e lágrimas ao longo de cinco décadas. Foi assim um jogo atípico! O Espalha, que se revelara um expert da baliza, confirmou aqui a sua incapacidade para defender biqueiros enviados de longe, culpando sempre os colegas mais próximos.
 Os jogadores do Futebol P.A. são deuses na arte de dominar o esférico, enquanto que os seus congéneres do Incha Padel têm um amor pela bejeca límpida e sem atalhos, por isso para eles as bolas que Deus lhes deu estão em decomposição. No domingo anterior, ainda com o maestro presente,  pode-se assistir, ao vivo, à solidariedade no estado puro, pois o Bill abdicara, mais uma vez, de jogar na própria equipa para ajudar os adversários. É a sua veia revolucionária! E cinco minutos depois do Maninho Ensina parar o jogo para reivindicar o direito a chutar com o sol pelas costas, desejo indeferido pelo Fininho, um biqueiro fabuloso com os olhos fechados introduziu a bola no fundo da baliza à guarda do sobrinho da Uber. Mas neste domingo sem o Fininho, o auge da conflitualidade foi atingido quando o hilariante Milhas se dirigiu ao Caramelo, e o esfaqueou com uma palavra inadmissível, que daria direito a um penálti caso o gestor estivesse presente:
- Estúpido!
Fazendo lembrar o longínquo “Caramelo” do Tio Mino.
- Eu não te dei confiança para me dirigires a palavra nesses termos, se queres mesmo jogar à bola vai à quinta feira à noite - protestou a vítima.


Monday, January 09, 2017

Nó Cego


Comandante Guélas

Série Paço de Arcos

Futebol P.A. 10


“O segredo da minha longevidade é o exercício físico: nunca fiz!”  Winston Churchill


Os jogadores do Futebol P.A. há muito que aprenderam a técnica e reprogramaram-se, enquanto que no Incha Padel, por terem um hardware reduzido pela idade, nunca poderão melhorar o software, nem com aulas do Tio Mino. O Futebol P.A. é extremamente criativo e misturado, onde para se ser um bom jogador a idade não é critério, mas sim a categoria. O Padel promove os sentimentos contraditórios, dentro do próprio grupo.
- O meu pai devia estar aqui para ver isto, - gritou o Tarolo depois de tropeçar na bola e esta ter ressaltado no panarício que tinha na mão, indo direitinha para o fundo da baliza adversária.
Mas o Choné só tinha aparecido para pagar a dízima ao Peidão, porque sabia que sendo o primeiro teria direito a “desconto de ninhada”, pagava dois jogadores e ficava com o direito de trazer toda a família, sobrinhos incluídos, mais a empregada e o jardineiro. O mais importante deste primeiro jogo do ano de 2017 no Lagoas Parque estava reservado para o final, quando o Fininho decretou, a frio e sem preliminares, uma nova regra, o “Regime de Excepção”, só ao alcance deste jogador todo poderoso do Futebol P.A. e do Incha Padel, a quem ele já prometera tirar as raquetes, a rede, e introduzir balizas, enfiando em cada uma delas um gordo, o Conan Vargas e o Big Mac, estando reservado para o Cociolo a função de roupeiro, o equivalente ao Fernandinho do futebol!
E num contra ataque o Tarolo marcou um grande golo, não sem antes o Espalha, que estava na baliza, ter vindo a correr até ao meio campo tocar com uma mão na bola, para assim invalidar a brilhante jogada, mas a resposta do Fininho, Tio Mino no Padel, foi demolidora, declarando logo ali “regime de excepção”, o que permitiu ao Tarolo continuar com o esférico e entrar dentro da baliza, a única forma que conseguia para marcar golos em situação de isolamento. O Clark Kent bem tentou protestar, ameaçando divulgar a tramóia no direto que iria fazer mais tarde para a TVI à frente da porta da casa onde guardavam o presunto do márocas, mas aceitou o resultado quando o Chico Sá o avisou que neste jogo estava mais parecido com o Goucha, do que com o jornalista. O Tarolo estava endiabrado, ainda conseguiu driblar três adversários e enfiar de novo o esférico no fundo da baliza, não se contendo nos auto-elogios, o que levou o sempre atento Chico Paulo a questioná-lo com perspicácia:
- Ouve lá, quando bates pívias também pensas em ti?