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315 estórias

Wednesday, October 30, 2013

Simplesmente Vapor

Comandante Guélas
Série Colégio Militar
O Vapor


- É o Gui que vai mandar na Força dos Estabelecimentos Militares de Ensino, - ordenou o Alguidar, levantando-se e pondo-se em bicos dos pés.
O silêncio pesava. O Tó sabia que todos sabiam que ele era mais um daqueles ministros que nunca comandara nada, e que agora tinha tido a oportunidade da sua vida, negada uns anos antes pela “enurese”, declarada por um atestado semelhante ao da sua licenciatura. O país tinha um político em processo de “transferência”, deslocava sentimentos do passado, ausência de pilão ao despertar, para pessoas do presente.
- Mas senhor ministro, os outros já cá andam há mais tempo.
O assunto estava a transformar-se num jogo floral, com barricadas e trincheiras, o poder usara e abusara de inépcia política, assumindo o confronto como forma de vida, os do outro lado, estavam fechados no seu mundo, perdendo a capacidade de entender o que os rodeava. Todos faziam poucas tangentes à realidade, havia adagas e espadas a tilintar.
- Quem manda sou eu, está decidido, o gordinho vai comandar.
O fundamentalismo instalara-se na Luz, já nem o pin escapava, havia quem os quisesse tirar àqueles que no  passado tinham dado luz à gloriosa Luz, o Moca, o Patronilha, o Miranda, o Semita, o Carioca, e aos que com orgulho e competência os substituíram, mostrando que o local estava sempre para lá de formatados conceitos estéticos. A “Geração Calimero”, alimentada a Suissinhos, que nunca provara um amarelo feito com bifes da testa e ovos do pai da Rosa, saídos do interior das galinhas desmaiadas com o clorofórmio que alguns tinham desviado ao Valentim e arremessado para cima das aves, pedia uma revolução, e quando escutavam nos ipod o Pequeno Saul, o seu líder incontestado, apetecia-lhes bater em alguém. Por isso esta estória merece um ponto parágrafo.
O passado com estórias continua a ser uma memória útil, onde certas decisões eram difíceis de tomar, mas representavam um grande ato de coragem. O Vapor era um equino rebelde, acreditava na possibilidade de escapar ao sentido único do seu tempo, que o reduzia a uma simples cavalgadura militar, com direito a número mecanográfico e a documento oficial de existência. A oportunidade surgiu num 3 de março e abalou as convenções, o Vapor fez uma insurreição do espírito que deixou no éter, e nas memórias de muitos, a sua marca, não com “engenho e arte”, que isso era exclusivo da rapaziada, mas sim com “engenho e ferradura”. O Colégio Militar era detentor do mais antigo título de legitimidade na arte de receber figuras ilustres e iria mostrar, mais uma vez, que estava de boa saúde. Preparou-se com “ardor guerreiro” para a visita de um português que uns anos antes enfrentara, durante uma campanha eleitoral, os tiros de uma pistola, subindo para o tejadilho dum carro, tal qual um “doirado pomo brilhante”, tornando-se no alvo perfeito:
- “Não tenho medo”, - gritou para a turba que o esperava em Évora, no longínquo ano de 1976, deixando para sempre um risco na superfície da cidade alentejana.
Por isso tinha à sua espera a meio da estrada da Luz a Escolta a Cavalo, onde se incluía o célebre Vapor. Os cavalos envergavam fato de cerimónia, assim como os Meninos da Luz, que só podiam pertencer a esta elite com as “lides do estudo” alcançadas. E eles montavam como mais ninguém! Quando o barulho dos cascos de encontro aos paralelepípedos se tornou audível, o comandante engrossou a voz e:
-  Batalhão…firme…sentido!
A sinfonia das botas e das armas dos alunos juntou-se ao ritmo dos equinos, e ao carro que trazia o presidente.
- Ombro arma, - continuou.
O Mercedes parou junto ao monumento, e o Vapor encostou de imediato a garupa à porta por onde a excelência pretendia sair.
- Apresentar arma!
E apresentadas ficaram, pois careciam do consentimento do visitante para regressarem aos ombros. Quando o presidente quis abrir a porta do bólide, esta esbarrou com o traseiro roliço do Vapor, que espreitou através do vidro. O bípede sentiu a fúria de seguir em frente, mas o quadrúpede tirou-lhe o cavalinho da chuva, parecia querer fazer-lhe a folha. Por causa do impasse, a maioria dos militarzinhos encaixou o cão nos cintos e aliviou o peso das armas, que já estava a tornar-se insuportável. A pressão interna na porta do Mercedes preto era igual à pressão externa. O Vapor estava inamovível. Por breves instantes o Gordini fez a revisão da matéria dada:
- Qual é a unidade padrão da pressão? – Perguntara uns tempos atrás o Semita ao seu colega Peidão.
- É o Rascal! – Respondera a seco o colega, provocando o riso da turma.
- “RASCAL”???? Moçooo, sabes o que é um Jericoacéfalo? É o que tu és….um burro sem cérebro, - e deixou cair o ponteiro no coco do 191, – ao mesmo tempo que se virava para a turma. – Nesta aula uns dormem de olhos fechados, outros de olhos abertos.
- Esta cavalgadura não vai ficar a rir-se, - pensou o ilustre visitante exasperado, empurrando a porta com raiva, riscando o vidro com as estrelas.
O equino foi apanhado desprevenido, afrouxara o flanco depois de sentir os esporins a picarem-lhe a barriga, e perdera a primeira batalha.
- A mim ninguém me pára, - disse orgulhosamente o presidente quando sentiu a cabecinha ao vento.
Compôs a farda, ajeitou o chapéu, e olhou com desprezo para o Vapor, que espumava por todos os poros. Mas este já tinha feito os cálculos, e por isso disparou de imediato um soberbo coice, decidido a fazer a folha ao intruso. A direção das ferraduras estava correta, o queixo do inimigo era o alvo, o local previsto para a aterragem indefinido, mas uma mão invisível protegeu ambos de um destino cruel, o bípede safou-se de ficar com a cara ainda mais à banda, o quadrúpede de ser transformado em bifes no jantar seguinte e o colégio de alterar o sentido da História. A partir deste momento o visitante registou para sempre nas suas memórias que o único vento de uma tempestade inesperada, veloz e aterradora, com o cheiro da humidade da palha apodrecida, não do domínio do ar, mas do interior obscuro das cavalariças, fora sentido na Luz.  

Monday, September 30, 2013

O Triunfo dos Porcos






Comandante Guélas

Série Colégio Militar


“Para certas exclusões pode haver justificação, mas se não se trata de um curso que exija aptidão física, não estou a ver qual”
Reis Novais

("um dos mais conceituados constitucionalistas portugueses" - DN)


Neste 1º de dezembro de 2020 matavam-se vários coelhos de uma só cajadada, o Fábio, o primeiro presidente da República anão, que entrara para a política como Vanessa, e mudara a identidade aos 16 anos, aproveitava a cerimónia para vir inaugurar as novas camaratas para os alunos seus conterrâneos, erigidas no jardim do Palácio do Conde de Mesquitela, "enferma" para os antigos, onde durante muitos anos reinara o saudoso enfermeiro Valentim, uma espécie de professor Karamba, que curava tudo com aspirinas e sais de fruto,  obra esta desenhada à imagem do Portugal dos Pequeninos, que vinha ocupar o espaço que durante muitos anos fora exclusivo do lago, onde tantos atiraram tantos para o charco. Após o Tribunal Constitucional ter declarado que as regras de acesso ao Colégio Militar, no seguimento de uma notícia de um dos pasquins do regime, serem inconstitucionais por “exigirem testes físicos e psicotécnicos”, o número de candidatos aumentou exponencialmente, tendo obrigado a rápidas transformações arquitetónicas, que custaram milhões de euros aos cofres do estado, e a constantes acrescentos por força de providências cautelares que passaram a atirar o início do ano letivo para esta data, agora sem qualquer significado. O Edifício Berta, que a “Brigada Zacatraz” frequentemente grafitava com um “A”, destinado inicialmente ao sexo feminino, cuja construção não respeitara o projeto inicial, encurtando-o, para assim poderem ser desviados alguns milhões para uma offshore,  fora obrigado a sofrer várias alterações à medida que as exigências da sociedade civil faziam as primeiras páginas de todos os jornais diários. A primeira deu origem a várias camaratas para acomodar LGBTTTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros), cujo primeiro “T” foi de imediato sujeito a uma providência cautelar que obrigou as “alunas indefinidas” a pernoitarem numa área provisória do picadeiro, onde ainda continuavam ao fim destes anos de reformas compulsivas. Mas a epidemia de providências tornara-se crónica, esperava-se agora, a qualquer momento, o veredito sobre o pedido de um novo espaço destinado às alunas com burka. E neste dia primeiro de dezembro a capa de um pasquim dava conta de uma nova polémica, a descriminação que os alunos de estatura normal tinham sofrido desde a aceitação de anões nas fileiras do ex-Colégio Militar, agora Externato Teixeira Rebelo, e futura Cooperativa de Educação e Reabilitação da Luz, uma ideia do brilhante constitucionalista Dr. Maom-erda Al-Guidar, um filho ilegítimo de mãe marroquina e do pai Branco, que os tinham definitiva e anticonstitucionalmente afastado do acesso ao título de “batalhãozinho”.
- Fiz tudo para que o meu filho, o 45, Cuecas de Barbie, ganhasse o título, fechei-o dentro de um microondas quando nasceu, racionalizei a comida, e mesmo assim cresceu tornando-se agora vítima desta discriminação inconstitucional, - queixara-se um pai no jornal das oito.    
E ainda por cima a mensalidade era menor, porque ocupavam menos, consumiam pouco, um ovo das galinhas do sucessor do pai da Rosa  fazia cinco amarelos, um pano do tamanho dum lençol normal dava para fazer um enxoval e bastavam camas iguais à do Kent nas camaratas.
- É com grande orgulho que venho declarar abertas as aulas, - principiou o presidente ao colo do seu ajudante de campo. – Este colégio é o espelho do país, os portugueses e as portuguesas esperam de vocês a continuidade do nosso esforço, e ao esforço dos nossos antecessores, a Aberta e o Alguiar, a quem desde já atribuo dois números e duas alcunhas honorários, tal como fizeram há uns anos atrás ao Aníbal, o 695, cujo silêncio o tornou um  aliado de peso das nossas reformas, respetivamente 901 e 902, a Padeira e o Pena Branca. Graças aos constitucionalistas visionários Reis e Otero posso hoje saudar a Companhia dos Coxos, ver marchar o pelotão dos Destravados, abraçar o Comandante de Batalhão, o 879, o Pega à Manivela…..
Felizmente a corneta tocou, o 191 (Peidão) e o 601 (Gordini) tinham uma apresentação à alvorada!

Wednesday, September 25, 2013

Uma coisa chamada Fernanda


Comandante Guélas

Série Colégio Militar

Os lençóis levantaram-se com estrondo, levados por um vento e por uma tempestade inesperada, brilhante, veloz e aterradora, que não era do domínio do ar, mas do interior obscuro dos intestinos, com ligação direta ao cérebro. Seria real ou apenas uma alucinação o pungente pesadelo da “jornalista”, fruto de um estado psicótico atormentado pelos spots televisivos dos Meninos da Luz? Ouviu murmúrios que caiam uns sobre os outros, viu olhares hostis, medonhos e perversos, os pensamentos ficaram caóticos, excessivos, fantasmagóricos, estava ali e fora dali, distante com proximidade, num universo fragmentado no tempo e no espaço, com um clima de tensão no limite do insuportável, cheio de pássaros negros chocando no ar. Queixava-se de ter sido atacada por vibrações emitidas por uma barretina, alucinação causada por fumo ilegal, por isso ouviu uma tosse surda vinda das paredes do pardieiro, sentiu uma entidade estranha, viu então uma mulher lívida, de sorriso estampado na cara, com um olhar doce. Aproximou-se com a ganância que lhe era conhecida, mas esta transformou-se num homem com sotaque do Porto, calças apertadas a meio da barriga e um contínuo mascar de tabaco, que lhe atirou uma soberba cuspidela para dentro da cara lúgubre.
- Querias, - gritou-lhe o Menau. - Bai-te lá deitar ó calhau com olhos, tu és “a desonra dos valores essenciais da república portuguesa, um atentado à razão”, mesmo sendo eu monárquico.
- És um “híbrido escandaloso”, - acrescentou outro de nariz saliente, voz rouca, vinda do fundo, e cabelo amarelado, - uma bronca, nem uma bengala mereces. Na tua profissão, que é a mais antiga, umas dormem com o olho fechado, outras com o olho aberto, por isso nunca aprendeste a ser autêntica.
Fernanda tossiu uma tosse seca e nervosa, e esfregou, com rapidez e repetição, as mãos, que só sabiam escrever obscenidades, injúrias e insultos.
- “Criada na monarquia para os rebentos das elites do exército”, - leu o professor de Português, aproximando a cara da coisa. – Rebentos das elites?
- Sabes o que é um Jericoacéfalo? – Perguntou-lhe o professor de Físico-Químicas. - É o que tu és….um burro sem cérebro. O Rebelo criou o colégio porque estava preocupado com a educação das crianças e jovens familiares da sua guarnição.
Como é que uma pessoa, sem qualquer tipo de vocação, cuja educação se baseara no oportunismo, como ficara patente uns anos antes ao aceitar fazer o papel de namorada de um político, obrigando-a a inventar um sentimento que não sentia pelo género oposto, poderia agora dar palpites sobre o Colégio Militar?
- Sabes “porque é que ainda existe”? – Gritou o Ferrari, puxando-lhe por uma orelha. – São duzentos e dez anos !
Fernanda procurou um pensamento mais forte, pensou no ontem e no amanhã, mas o ar estava saturado de cansaços, decadências, desistências e derrotas. O Ferrari, professor de português vindo do Além, porque as circunstâncias assim o obrigaram, pôs uma mão no bolso, tirou um maço de Kart, colocou um cigarro na boca e acendeu-o calmamente, atirando-lhe o fumo para a cara, ao mesmo tempo que torcia a coisa da coisa:
- Escuta, Fernanda, não passas de um peido e julgas-te perfumada a violetas!




Tuesday, September 17, 2013

Bertolândia


Comandante Guélas

 Série Colégio Militar


O Externato Teixeira Rebelo preparava-se para comemorar mais um 1º de dezembro, a única cerimónia que ainda se mantinha, e agora a mais importante na agenda do país, depois da venda das Selvagens ao estado espanhol. Para trás ficara o fanatismo dos discursos desequilibrados de trincheiras, típicos de guerras de fação, onde só existiram ou defeitos ou virtudes, e tudo isto porque o Colégio Militar parara num ponto. Até o patrono mudara, Afonso de Albuquerque, modelo de vida e de ação, dera lugar a uma Berta, importada das ilhas, com duas pernas e sem manchas pretas.  No Zimbório perfilhava-se o batalhão, Escolta incluída, com os soberbos cavalos de pastelaria, prontos a galopar mal dessem ordem para introduzirem as moedas nas ranhuras. Na primeira companhia estava à vista de todos uma das  consequências da “Reforma do Alguidar”, aquele que não fora à tropa por sofrer de enurese, que o impossibilitava de ter a ereção matinal após o toque da corneta: na ânsia de trocar “valores” por “lucro rápido”, internacionalizara-se o colégio, e assim o batalhãozinho mostrava com orgulho o seu cromossoma extra no par vinte e um, porque fora confundido com um chinês. Ao seu lado estava o Perna de Pau, com o membro inferior direito nivelado por um tacão, que só tinha sido descoberto na terceira noite quando uma almofadada o obrigara a lutar descalço. Os elementos femininos do Batalhão da Luz estavam retidos na Brandoa, mais uma vez o autocarro que as trazia diariamente da Pensão de Odivelas, após a transformação do mosteiro em Centro Comercial, acusara o desgaste, e recusara-se a subir. Do edifício prometido só existia uma palete de tijolos e um aglomerado de ferros ferrugentos, os da primeira leva, antes do desaparecimento dos três milhões, um processo que continuava em segredo de justiça, apesar de todos saberem que os milhões estavam escondidos numa agência bancária algures a meio do Atlântico. Nos claustros a estátua em bronze da Berta, cuja biografia oficial a colocava ao lado de D. Nuno Álvares Pereira, por ter acabado com a “última limitação de género da República Portuguesa” (sic), continuava a sofrer atentados periódicos do “Grupo Zacatraz”, mas desta vez o tradicional bigode fora substituído por um furo na parte posterior, e um “A” no início do nome. A responsável atual, a Tânia Vanessa, que substituíra apressadamente a açoriana depois desta ter sido vítima de um “Ramalho” no Colombo, no mesmo sítio onde tinham saltado os dentes ao Proença, ato que os governantes tentaram em vão, depois de mudarem a lei várias vezes, classificar como terrorista, acabara de autorizar a constituição de mais uma companhia, a “Ala dos Namorados” que, segundo palavras da governante, “representa a simbiose definitiva entre a Cruz de Avis e a Barretina, ao mesmo tempo que promoverá o incremento de alunos no 1º ciclo a curto prazo”.  O tradicional toque da corneta, que regulou o tempo na Luz durante dezenas de anos, fora substituído pelas músicas dos “Caramelos com Adoçante”, a série do momento, patrocinada pela Fundação Cabral Branco, que também explorava o Restaurante “Os Caracóis”, nas instalações do antigo ginásio, uma das contrapartidas da agenda escondida. No palácio do conde de Mesquitela, onde tantos deveram tantas aspirinas a tão poucos, situava-se agora uma loja árabe, “al-Guidar”, de medicina alternativa, que vendia ervas aromáticas que punham os alunos em permanente estado de felicidade, para que ficasse bem patente a eficácia das mudanças, que tinham transformado o colégio no “Paraíso da Luz”, como dizia o panfleto distribuído em todos os semáforos da capital pelos romenos da “Cais”. Ao seu lado estava o bazar chinês, “A Xunga da Terceira”, com a exclusividade do enxoval da Luz, que incluía a célebre farda unissexo com Kilt cor de pinhão. A entrada do representante do governo foi anunciada, e quando o político se preparava para discursar, ouviu-se um toque de telemóvel:
-  Moçooo és um Jericoacéfalo….um burro sem cérebro!
Era a senha do “Grupo Zacatraz”, do meio dos espectadores saiu uma turba com mocas nas mãos, que se precipitou sobre o Dr. Sem Canudo de nome Alberto, arrastando-o para o primeiro andar, em substituição do tradicional Miguel de Vasconcelos.
O som da excelência a bater no chão duro ecoou pelo Zimbório, e acordou o Leninov, ucraniano, que entrara já com bigode, e tivera o mesmo impacto que o Sissé nos anos setenta.
- De pé na cama todo nu, - gritou-lhe um graduado com uma trincha na mão.
Sorriu, mesmo sabendo que no dia seguinte tinha "Apresentação à Alvorada" de "pano-cotim-pano", cama para fazer, e tudo isto em vinte minutos, caso não quisesse comer vários abrunhos por chegar atrasado à formatura.