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304 estórias

Wednesday, January 02, 2013

O Comandante Guélas - Série Colégio Militar 28 - A Semana de Campo



Comandante Guélas

Série Colégio Militar


Um militar tem de ser capaz de desenvolver acções com a inteligência e destreza suficientes para surpreender o inimigo e reagir com prontidão e eficácia a um ataque de surpresa do mesmo. E isto implicava uma Semana de Campo, onde os Meninos da Luz iriam mostrar todos os seus conhecimentos adquiridos nas aulas de Infia (Instrução Militar). Por isso as viaturas de caixa aberta do Exército chegaram cedo ao batalhão colegial. Durante a viagem cantou-se várias vezes a tradicional “As Meninas de Odivelas”, mostrando que as relações humanas e as emoções que elas acarretam sempre estiveram para lá das modas e dos silêncios destes rapazes:
- As meninas de Odivelas / Pum, pum / As Meninas de Odivelas / Pum, pum / São umas pu / Tiro liro li / São umas pu / Tiro liro li / São umas pu / Tiro liro li / São umas pu…ras donzelas / As Meninas de Odivelas / Fazem bro…ca à janela / Os namorados dessas meninas / Dão o cu / Dão o cu/ Dão o coração por elas.
Era nestes momentos que o duro tenente minorca de nome Aparício, que ostentava uma placa de grandes dimensões no ombro esquerdo a dizer “Comandos”, se transformava em duríssimo, e não permitia desvios no brio profissional dos alunos. Por isso os alvos na Carreira de Tiro estavam a 200 metros e o almoço dependia da destreza, que deveria ser boa nesta altura do ano. Quando o Gordini (601) carregou no gatilho ouviu-se um estrondo, ao mesmo tempo que o barrete do Cão (328), que estava deitado ao seu lado direito, saltou com violência, ouvindo-se um grito de guerra:
- Fo…-se, – seguido de um tiro por reflexo que acertou na muche do 95 (Coiote), que garantiu assim um “Bife da Testa” para a refeição.
A G3 tinha destas coisas, cuspia o cartucho pelo lado. Mas comecemos pelo início! O calendário indicava o ano de 1978, a Semana de Campo iria decorrer na Tapada de Mafra, e tudo começou pela distribuição das tendas: 3 panos, o teto e a parede traseira, com medidas para “batalhãozinhos”. Por isso a rapaziada teve de dormir com os pés de fora, protegidos pelas botas militares, distribuídas para a ocasião, e que só foram descalçadas no fim das manobras. Como colchão podiam optar pelos catos, pedras, lama e outras mordomias, exclusivas dos Meninos da Luz.
- Lembrem-se que durante esta semana vamos estar em território inimigo, e por isso têm de se comportar como verdadeiros militares, - gritou o tenente Aparício, continuando. – 601!
- Presunto, - respondeu o Gordini pondo o dedo no ar.
- Está a brincar com a tropa? – Perguntou o mini-Comando aproximando-se raivoso do insolente. – Está escalado para fazer a guarda ao acampamento das três às quatro  da manhã. Percebeu?
- Sim meu tenente!
- Olhos bem abertos, o inimigo pode atacar a qualquer altura. Findo o seu turno acorda o seguinte que é o 299.
- Presente, - respondeu o Camélia com brio militar.
- Se o inimigo aparecer quero prontidão rápida. Por isso vamos dar início ao primeiro exercício.
A prova consistia em correr e a um sinal atirarem-se para o solo, mas segundo a técnica militar: os joelhos eram os primeiros a tocar no chão, seguida da coronha da arma, de forma a amortecer a queda e a fazer com que a dita ficasse apontada para a frente, pronta a abafar os inimigos.
- Entendido?
Ninguém respondeu, mas o olhar de lince do Escalope (307), a expressão dura do Picanço (612), o perfil atlético do Gordini (601), a posição de combate do Becas (157), e a vontade para guerrear do Cão (328), serviram como resposta afirmativa para o oficial mais malandro do Colégio Militar.
- Formar em duas fileiras, a manobra vai ser feita aos pares.
O primeiro duo a partir era constituído pelo Bolinha e pelo Peida-Gorda, que demoraram tempo a partir, tendo sido ajudados pelo Aparício que gritou “mexam esses cus”. Na altura em que iam a passar por um monte de cardos, ouviu-se um novo apito, mas a queda só se deu na erva mais à frente, de uma forma muito controlada, que implicou uma paragem, um ajoelhar, o agarrar do barrete e um deitar cuidadoso da arma. 
- Estão a brincar com a tropa? – Gritou o tenente Aparício, espumando da boca e aproximando-se ameaçadoramente em passo de corrida do 470 e do 668.
- Estamos a proteger a dita! – Explicou o Peida-Gorda, com a arma apontada para os colegas.
- Acabou de matar alguns dos seus camaradas.
- E não se perdia grande coisa, são só artistas, - desabafou o Camélia (299), escondendo-se atrás do Beterraba (653).
Veio a noite e a necessidade de fazer guarda ao acampamento, ouvia-se ao longe o barulho do inimigo a pisar as folhas. Tudo correu segundo as normas militares, até que:
- Gordini, acorda, o turno é teu!
O guerreiro nem abriu os olhos, limitou-se a mudar de posição e continuou a ressonar, deixando o acampamento à mercê dos veados, gambuzinos e outras coisas más. O tenente Aparício nem queria acreditar quando acordou de madrugada e passeou alegremente pelo espaço sem ser detetado:
- Estão a brincar com a tropa, - gritou, acordando os adolescentes ao som da corneta.
O exercício do dia iria pôr à prova os conhecimentos de Orientação. Uma bússola, um mapa do espaço e os conhecimentos adquiridos nas aulas de Instrução Militar.
- 612?
- Presente! – Respondeu o Picanço dando um passo em frente.
- É o comandante do grupo A, “Raposas”, e os seus subalternos são o 556, o 299 e o 328. Quero-vos aqui o mais tardar antes do jantar. Não me obriguem a ir-vos procurar. Entendido?
- Sim meu tenente, - confirmou o comandante dos mamíferos omnívoros da família dos Canidae.
 - Se o Picanço (612) nos conduzir da mesma maneira como guia a sua mota “Casal”, nem para a semana chegamos ao jantar, - desabafou o Camélia (299).
Mas ele estava decidido a manter a disciplina, por isso deu ordem de formatura, e partiram com brio para a missão que tinha sido distribuída aos “Raposas”. Mas como era tradição na maioria das aulas de Instrução Militar, tudo mudou quando desceram a colina e deixaram de ver o capitão Oscaralhinho, também ele pequenino, careca, e com um tique característico, pentear o cabelo a partir da orelha. Destroçaram e correram para o muro.
- A partir de agora vamos andar por cima da bússola, - informou o 612.
O dia já ia a meio quando o Gordini (601), do grupo dos “Chacais”, viu ao longe duas “Raposas” esfomeadas em cima do muro, que naquele ponto era alto, bloqueadas por uma muralha de silvas, que tentavam desesperadamente ultrapassar.
- Onde estão o Madiura (556) e o Picanço (612)?
- Não sabemos – responderam em uníssono o Cão e o Camélia.
O tenente Aparício nem queria acreditar quando viu que o grupo dos “ Chacais” tinha aumentado a sua população.
- Reproduziram-se?? - Gritou, mostrando ter três dentes chumbados. – Quero os números dessas meninas extras.
Mal sabia o oficial que 34 anos depois a “Semana de Campo” seria uma actividade extracurricular mista, com a presença das sempre eternas musas de Odivelas.
   



Thursday, December 20, 2012

O Comandante Guélas - Série Colégio Militar 27 - Cine-Luz

Comandante Guélas

Série Colégio Militar



Recuperar as memórias sagradas e preciosas, que nos abrem as portas do Colégio Militar, relembra-nos que somos exilados do nosso passado, e por isso precisamos de o recapturar. O Cine-Luz era um micro-cosmo, um mundo onírico em que imperava um cheiro intenso a cavalos, coisa inimaginável nos estranhos dias que correm em que tudo traumatiza os meninos. As quartas e quintas-feiras à noite eram sempre destinadas às sessões de cinema, que decorriam a seguir ao jantar num espaço existente junto das cavalariças do Colégio Militar. Para a 1ª e 2ª Companhias estavam reservados filmes softs, mas para a 3ª e 4ª  já eram atrevidos, principalmente quando o decisor passou a ser o padre Viana: “A Quadrilha Selvagem”. Este filme teve um efeito brutal na libido de muitos, pois a cena dentro duma pipa atestada de vinho tinto fez entrar pelos olhos, a seco e sem preliminares, um par de mamas vivas, que os colocou a todos, por breves milésimos de segundos, na pele do herói, com a Marilyn Monroe da Luz, a fabulosa Rosa. Os espetadores não resistiram à tentação e encheram o recinto, que se pretendia cultural, de opiniões impróprias para um estabelecimento de ensino com tão grandes pergaminhos. E ainda por cima na plateia alguém que estava na última fila deu um chuto na cadeira da frente, não se sabe se com as cuecas ao rubro, fazendo com que todas as outras até ao palco caíssem como peças dum dominó, obrigando o oficial responsável, aspirante Felício, a mandar interromper a sessão, para pôr em ordem o saloon…perdão, o espaço cultural, dando ordens para que as luzes se acendessem, vendo nisto uma forma de impressionar a sua convidada especial. A Rosa ficou assim exposta à parte do batalhão colegial mais sensível, dir-se-ia que a moça que uns minutos antes nadava dentro de uma pipa de vinho tinto com os seios a sorrir, tinha-se materializado naquele espaço com cheiro a cavalo, a convidar todo o cineteatro para o pecado:
-          Porque é que aquele dentolas, que caiu aqui de pára-quedas, tem direito à Rosa, e nós não? - Resmungou alguém da plateia. - Temos de fazer-lhe uma visita de cortesia um dia destes.  
A “Quadrilha Selvagem” tinha dado assim início ao desencadear de acontecimentos, que iriam dar lugar, meses mais tarde, a um dos mais famosos enredos do Colégio Militar, local único de grande intensidade, cheio de sentimentos e sensações pessoais, que nos dias que correm teria direito a uma longa-metragem do Manoel de Oliveira, com estreia exclusiva no teatro D. Luís Filipe. A sessão dos mais novos também não se ficou atrás, trazendo à cena um herói da fita chamado Alfredo, um mentiroso compulsivo. A partir desta data todo aquele que exagerasse numa história ficaria conotado com esta personagem, e o azar calhou ao único docente responsável por todo o batalhão, o padre Miguel, mais conhecido por Carioca! Exagerou num relato e a turma respondeu com um arregaçar das calças, sinal de que estava a meter água, ao mesmo tempo que todos remavam com os braços. Resolveu o assunto com umas bordoadas valentes nos da primeira fila e a ameaça de expulsão da aula, que nestes tempos correspondia a uma privação de fim-de-semana, facto hoje que seria assunto de primeira página do “Correio da Manhã”, e interpelação parlamentar da deputada Boca Louca, para manter a tradição colegial das alcunhas. “O Homem que matou Liberty Valance” enterrou-se em profundidade nas memórias dum Menino da Luz, sucessor da única vítima de atropelamento na parada, pelo colega 384, com carta e carro, nomeadamente na cena em que os intervenientes comeram uns bifes maiores que o prato, quando comparados aos bifes da testa fornecidos pelo Pintado aos alunos. Daqui para a frente sempre que o 318 dava de caras com um bife, lembrava-se do “Liberty Valance” e do seu Colégio Militar. As sessões de cinema eram um dos momentos mais aguardados da semana, e não se reduziam ao filme propriamente dito, mas a todo um ritual, desde a marcha, com passagem obrigatória pelo espaço público, até ao inebriante cheiro a cavalo, e às tradicionais operações stop dos graduados aos mais novos que ousavam ir comprar Bolama ao bar durante o intervalo. E um dia no regresso um grupo de adolescentes civis, sentados num banco do jardim, resolveu “gozar com a tropa”, citando o tenente Aparício, e um comandante de pelotão, o Grilo, ordenou “alto”, “esquerda volver”, cercando assim os desconhecidos, e ameaçando-os com um “destroçar”. Valeu a intervenção do Felício, que afoguentou o inimigo, impressionando assim ainda mais a sua acompanhante, a Marilyn de Carnide, musa exclusiva dos Meninos da Luz.
  

Friday, December 07, 2012

O Comandante Guélas - Série Colégio Militar 26 - A Rosa da Luz


Comandante Guélas

Série Colégio Militar





No trajeto entre a Parada Marechal Teixeira Rebelo e a Parada Marechal Serpa Pinto, passando pela Enfermaria, muita coisa podia acontecer. Antes de ser o pavilhão de Química do Semita, onde este distribuía bordoada com o ponteiro ao mesmo tempo que gritava “É gado, é gado”; resultados, “levas uma “bengala” para casa e o teu colega uma “bicicleta”; conselhos, “moço esta disciplina não é uma cadeira, é uma chaise long onde o aluno se estende à vontade”; diagnósticos, “moçooo, sabes o que é um Jericoacéfalo? É o que tu és….um burro sem cérebro”; classificações  “nesta turma uns dormem de olhos fechados, outros de olhos abertos”; miminhos, “psché moço, num monte de esterco, fazes nódoa”;  por isso um dia sofreu um atentado do  Minhoca, “espero que morras, assim não tenho de ir estudar Física” gritou atirando-lhe um limão, e escondendo-se atrás da sebe da Enfermaria.

O pequeno chalé foi morada da musa do batalhão de rebarbados dos anos cinquenta do século passado, que nunca nenhum menino a viu mas sentia-lhe o cheiro, e com ele imaginava-a num corpo feminino com uma boa tranca, pandeireta de sonho, uma prateleira que os punha sem freios à noite nas camaratas, com as camas a ranger e as almofadas a gemer, por isso gritavam sempre pelo seu nome de cada vez que regressavam em formatura: “Oh Elsa!”, e sentiam um gostinho. A fama da Rosa, a musa dos anos setenta que era de carne e osso, não em termos de Vénus, mas aos olhos dos Meninos da Luz, foi o resultado de uma estranha e intensa relação, ela era uma rapariga sem raízes e sempre em fuga, num paraíso onde não pertencia a nenhum, mas estava nos sonhos de todos. A Rosa, e os Meninos da Luz tinham sido destinados a olharem-se e a divergirem de todas as tentações, que os levavam muitas vezes a cruzarem-se como dois ponteiros de um mostrador de um relógio ao meio-dia. A Elsa e a Rosa foram relações complicadas, num tempo e numa parte do mundo complicada. Por isso o local onde viviam era contraditório de luz, paixão, confusão e caos, estava ligado a uma marginalidade que, apesar de tudo, tinha os seus princípios. Havia também a Lisete, senhora de uma testa imprópria para devaneios, também conhecida por Listete, ou a mulher do Patronilha, que não tinham direito a participar nos sonhos destes adolescentes que estavam fardados de cotim de domingo à noite até sábado à tarde. Antes destas musas os pensamentos iam para as meninas do reformatório vizinho, que os obrigavam a inscrever-se em ações de caridade, e tudo isto à conta da Conferência de São Vicente de Paulo, de quem o colégio era membro, para assim lhes poderem sentir o cheiro quando tinham autorização para sair. O levantamento das necessidades era feito pelos capelães civil e militar, que mandavam entregar o dinheiro e os géneros às pessoas referenciadas de Carnide. E um dos benfeitores tinha o número 95 e um dia, desesperado para ir fazer uma boa ação, antecipou-se e abdicou da aula do Carioca, um padre com uma personalidade pouco espaçosa, cujas aulas de música decorriam sempre sob tremenda pressão, onde se desintegrava com facilidade. Mas como no Colégio Militar as penas eram instantâneas, sem direito a recurso, o Comandante do Corpo de Alunos oficial, tenente-coronel Durão, condenou o aluno de alcunha Coiote a uma chapada, uma carecada e uma privação de ida ao cinema. O Peidão (191), o Horrível (125) e o Cabedo (120), como não cantavam, tiveram ainda tempo, depois de distribuída a mercadoria, de irem fazer uma visita de cortesia ao minimercado, para se abastecerem de Bolama, metade comprada e a outra metade escondida na boina, que estava presa ao blusão. Mas voltemos à nossa musa, de nome Rosa, que era vista com regularidade num gabinete junto aos claustros, para gáudio da rapaziada, que aproveitava para arregalar o olho, e esgalhar o frango à noite. O pai chamava-se Nunes e era o hortelão do colégio, deslocava-se sempre num trator, que costumava levar várias camadas de alunos pendurados, que o obrigavam a parar várias vezes para os enxotar com palavrões e à pedrada. O “Amor” também era muitas vezes o tema da última formatura, que se seguia ao jantar, juntamente com outras actividades lúdicas, como por exemplo as célebres “Firmezas”. Na altura da distribuição do correio, carta mais amaricada era de imediato aberta, e lida em voz alta para toda a Companhia, que o diga o nosso camarada Coiote (95) quando a namorada, uma Menina de Odivelas descoberta num Chá Dançante, lhe enviou a declaração de amor num envelope às florzinhas e perfumada. A relação foi assim posta em risco porque o pai da donzela, administrador da Shell, fazia um controle apertado à filha, principalmente se lhe cheirasse que atrás das suas saias andava um Menino da Luz, com as hormonas aos saltos e uma semana inteirinha fechada no colégio. Felizmente o “Todos por Um, Um por Todos” também dizia respeito aos funcionários, que neste caso tinha o apelido de Domingos, e fazia umas horinhas extras na empresa do papá da menina. A pedido do Coiote passou a trazer as cartas entregues pela menina, e a levar as escritas pelo 95, sem haver necessidade de passar pelo Geral da Companhia. Mas um dia os limites foram forçados e alguns foram longe de mais e resolveram fazer uma surpresa à Rosa, lá para os lados da piscina, ou a caminho do ginásio, conforme as fontes,  durante o tempo de exames, mascarados de múmias, depois de terem desviado ligaduras da enfermaria, e de intensos treinos durante meses. Uma das versões conta que o namorado, fã dos filmes do Bruce Lee, tentou proteger a sua Rosa da Luz, mas não se saiu lá muito bem; a outra refere o irmão, que ficou instantaneamente chéché com a paulada que levou, tendo os gritos da diva chamado a atenção dum vigilante, que veio de imediato a correr em seu auxílio, provocando a debandada das múmias e o despertar do mano, que o atacou com um biqueiro nos queixos, pondo-os à banda. Foi decretado o “Alerta Vermelho” e o galanteador alferes Felício conduziu os interrogatórios, tendo entregue ao Sub Oliveira, para impressionar a Rosa, por quem arrastava a asa, uma lista com os nomes dos arguidos, incluindo um que estava de baixa na enfermaria com um traumatismo no coco. O colégio estava à beira de um ataque de nervos, o Galo via atrevidos em todas as esquinas, ameaçando de imediato com cargas de cavalaria, e a Rosa gritava de cada vez que um Menino da Luz se aproximava um pouco mais. Com a imediata “prisão domiciliária” dos mais velhos, os índios fizeram jus aos seus pergaminhos e deram um passo em frente. Só um não o fez porque tinha ido à missa, talvez confessar-se, e quando tomou a decisão já era tarde de mais, tinha-se atingido a data definida pela chefia, que ditou de imediato a pena: uma expulsão e várias desgraduações! Quanto à Rosa, depressa foi ultrapassada pela Maria João da biblioteca, também com boa tranca, pandeireta de sonho, e uma prateleira com o dobro do tamanho que fez com que a rapaziada passasse a dedicar-se mais ao estudo. Com o tempo o encanto desvaneceu-se, o Colégio Militar, antes exclusivo para machos, foi inundado de saias e com isso desapareceu o fruto proibido.