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Monday, October 22, 2012

O Comandante Guélas - Série Colégio Militar 20 - A Relíquia Colegial


Comandante Guélas
Série Colégio Militar

No Spell e King as tochas eram feitas com os cadernos e as cábulas dos finalistas, os graduados faziam o “balanço do ano lectivo” com os sucessores, e entregavam-lhes a relíquia que só poderia ser usada quando tivessem as divisas nos ombros: um molho de chaves que dava acesso a todos os recantos do Colégio Militar! A todos? A todos, não! A missão dos novos responsáveis era juntarem mais algumas, para que a próxima geração conseguisse chegar ainda mais longe. E uma delas foi longe demais!
A noite ainda era uma menina, mas o Zimbório já estava às escuras. De vigilantes nem sinal, e os praças destacados para vigiar o paiol que, segundo a lenda, se situava por baixo dos claustros, roncavam noutro local. O oficial de dia mantinha a tradição, vigiava dormindo, lá para os lados das companhias, que o digam o 191, o Horrível, o 224 e o Vinasse, que tantas vezes deslocaram o canhão das fotos da praxe para junto da janela aberta do gabinete, por onde entrava o cano que ficava sempre colado à cabeça do dorminhoco. A fúria era geralmente muita, não se sabe se por bater com o coco no dito, após monumental cagaço, ou por não ser capaz de pôr no lugar, sozinho, o mais rapidamente possível, a prova da sua desatenção. Quando o Rato rodou a maçaneta da porta do Diretor ela abriu-se, sinal de que no molho das chaves que tinham sido colecionadas ao longo de muitos anos, num penoso trabalho de formiga, constava agora a do gabinete do chefe máximo. O facto assemelhava-se à conquista do Evereste, pela primeira vez alguém ousava penetrar no local mais inexpugnável do Colégio Militar, sem ser obrigado ou convidado. O Peidão já tinha lá estado, devido à primeira opção, para tomar conhecimento da sua pena de detenção durante a primeira semana das férias da Páscoa, um segundo castigo para um só “crime”, porque o primeiro já tinha sido aplicado umas semanas antes na primeira companhia, após o jantar, em sentido em frente ao grupo de execução constituído por três graduados, que tinha sido incumbido de aplicar a pena de várias festinhas cada um, bem aviadas como era tradição, e tudo isto porque durante o último tempo letivo do dia anterior fora encarregue de manter a disciplina do 1º E (turma que aparecera por geração espôntanea no segundo período, constituída por 6 alunos do 1º A, 7 do 1º B, 7 do 1º C e 6 do 1º D) devido à falta do professor, e o oficial de dia, o tenente Aparício, ameaçara-o de umas bordoadas, bem aviadas como também era tradição, caso ouvisse barulho, coisa que o 289 insistiu em fazer, tendo sido castigado com um banho de Óleo de Fígado de Bacalhau, remédio da moda, presente em cápsulas na maioria das carteiras. Quando chegou à Companhia o  413 sentiu-lhe o cheiro a texugo, e no momento em que se preparava para arriar-lhe por “javardice”, o Stratopel, que tinha entrada por cunha por ser desaparafusado, contou-lhe ter sido vítima de “bullying farmacêutico”.
- Um ato grave de barbárie, - disse o graduado aos colegas.
- O puto tinha tantos atos legais à disposição, firmeza, murros, biqueiros, chapadas, mas foi logo escolher uma pena que atenta contra os Direitos Humanos Colegiais! – Interveio o 434.
- Merece pena máxima e execução imediata, - gritou o Piscas.
- Óleo de fígado de bacalhau? Isto é um insulto às tradições colegiais! – Exclamou o 413.
 Acusação: “despotismo”! Pena: “ação de…despotismo”! E o Diretor achou que a visita de cortesia do réu ao Hospital Militar tinha sido irrelevante e, depois de mostrar aos pais todos os seus diplomas que o confirmavam como um chefe justo, toma lá mais um castigo! Eram assim as regras, e não consta que o Peidão tenha ficado traumatizado. A festa estilo árabe ficou-lhe entranhada nas memórias, para mais tarde recordar, principalmente quando dava de caras com meninos traumatizados por lhe terem roubado um Bolicao, e que eram capas de jornais. Mas voltemos ao Zimbório, mais propriamente ao gabinete do Diretor. Os heróis, que em vez de terem ido divertir-se para o “Ricochete”, o café da zona, após terem sido autorizados pelo graduado do pelotão a encetarem uma fuga, que começava nas janelas altas da zona dos lavatórios, tinham-se arriscado a penetrar na única zona que nem em pensamentos alguém ousara entrar, desde a fundação. E como prova do feito, trouxeram umas estrelas que estavam em cima de um altar, dentro de um pequeno recipiente destinado às hóstias, que foram guardadas numa caixa de costura dourada, parte integrante do enxoval colegial. Quando no dia seguinte o Diretor se preparava para colocar as ditas de prata, uma prenda da filha, e só apalpou o pó do gabinete, sentiu de imediato o fluxo sanguíneo dilatar-lhe as veias, os movimentos cardíacos e respiratórios aceleraram-se, os músculos contraíram-se, a boca entreabriu-se, o rosto ruborizou-se, os dedos grandes dos pés reviraram-se, foi envolvido por súbitos clarões, fragmentos curtos de relâmpagos, fantasmas reais, que o transformaram a preto e branco, com muito grão, num espectro psicótico.

- Mayday, red alert! – Gritou o chefe máximo desesperado.

Pôs o Colégio em "DEFCOM 1” e mandou formar o batalhão. Estavam suspensas as saídas até os responsáveis lhe devolverem as estrelas que tanta graxa…, perdão, trabalho, lhe tinham custado. No íntimo apetecia-lhe aplicar uma firmeza geral, pô-los de cócoras até ao nascer do sol, altura em que os rabos já estariam tão vermelhos como os dos babuínos devido às biqueiradas sem fim; ou uma apresentação à alvorada no seu gabinete de pano-cotim-pano-cotim-pano…o dia todo; ou um “abrir fileiras…marche”, para poder distribuir bolachada até que os culpados cuspissem as estrelas. Não podia, iria dar muito nas vistas, sempre negara a existência destas práticas quotidianas, que obrigavam os oficiais de dia a esconderem-se nos gabinetes à noite, altura em que o batalhão ficava entregue a si próprio.
- Vou chamar a Polícia Judiciária Militar! – Ameaçou.
Iria ser quebrada uma tradição secular, alguém do exterior viria tentar resolver um problema interno, e que interno deveria continuar. Foi o suficiente para fazer os “heróis” darem um passo em frente. O Colégio Militar não merecia ser enxovalhado por umas estrelas foleiras!

Sunday, September 30, 2012

O Comandante Guélas - Série Colégio Militar 19 - O Orfeão Colegial


Comandante Guélas
Série Colégio Militar

O dia era de festa, 3 de março, e as vozes da elite do Colégio Militar preparavam-se para esgalhar na ampla nave central do Mosteiro dos Jerónimos. Em frente do padre Miguel Carneiro, especialista na formação e ensaio de grupos corais, mais conhecido por Carioca, perfilhava-se uma mão cheia de Meninos da Luz com farda de gala, tendo a seus pés um espaço sobrelotado de familiares e amigos a perder de vista, que tinham passado a manhã a assistir ao desfile militar dos dezasseis pelotões das quatro companhias do Batalhão Colegial. Quando as mãos do maestro se elevaram, as gargantas contraíram-se e deu-se início ao Hino Nacional. A “Portuguesa” ecoou pelo edifício encomendado por D. Manuel I, e até os pombos ficaram em sentido perante o espectáculo, com a primeira voz no red line, perto do limite do ruído permitido por lei, a segunda com decibéis normais e a terceira, a da elite da elite, a única audível, para onde só iam aqueles que já apresentavam uma quantidade de pêlos apreciáveis. A plateia já estava em transe, só comparável aos espectáculos do Tony Carreira, quando após o “marchar, marchar” o silêncio voltou a ouvir-se. Mas foi por pouco tempo! Todos se puseram de pé e aplaudiram durante algum tempo aqueles canários fardados de pano. Na entrada, longe da confusão, o 125 (Horrível), o 191 (Peidão), o 668 (Peida Gorda) e o 601 (Gordini) aproveitavam para agradecerem a todos os santos por terem sido recambiados, logo na primeira audição, para a ralé do Orfeão do Colégio Militar, o Canto Coral, que os dispensava de todas as aulas e, por consequência, de todas as festas, era uma espécie de paraíso, quando comparado com o inferno das três vozes. Mas não se afastavam muito do local dos ensaios, que decorriam à porta fechada com os “atletas” a cantarem de pé. E um dia até viram o 652 (Xoxo) a ser posto fora do ensaio à chapada, depois de ter alterado a letra duma canção. Quando a porta se fechou, e se ouviram os canários fardados de cotim retomar a atividade, o Zacarias (666) correu para ela e deu-lhe dois valentes biqueiros, que se sobrepuseram à mais potente voz alguma vez ouvida, a terceira, alterando, a frio, os planos do Carioca, alcunha herdada do seu antecessor, o maestro Jaime da Silva que, durante 28 anos (entrou em 1930) fez esgalhar as goelas dos Meninos da Luz. De imediato as portas abriram-se com estrondo, e de lá saiu um professor à beira de um ataque de nervos, e com um sprint de fazer inveja ao Usain Bolt. O 320 (vaca), que ia a passar, achou por bem fugir para sua segurança, levando no seu encalço um docente com vontade de esganar o primeiro Menino da Luz a que conseguisse deitar a mão. Ao longe, junto ao campo de futebol de 11 o coro era outro:
-  Ó Carioca lambe-me a pichota!
- Ó Carioca tira a mão da minhoca!
A organização do Orfeão do Colégio Militar não é consensual, há quem diga que havia duas primeiras e segundas vozes, seguidas de uma terceira e quarta, acabando no canto coral; ou uma primeira, uma segunda e outra segunda, mais grave, seguida das restantes, terceira, quarta e…canto-coral. Só o “paraíso” é que é comum às duas versões!
Voltemos ao Mosteiro dos Jerónimos. Depois da cena de histeria veio a bonança, e o padre Miguel Carneiro tornou a virar-se para os seus pupilos levantando as mãos. O que é que iria ser cantado naquele espaço mandado erguer por um rei para homenagear o regresso da Índia do grande navegador Vasco, carregadinho de especiarias, cujo dinheiro da venda foi direitinho para os bolsos dos governantes, um costume que ainda se mantém nos dias de hoje? Seguiu-se o Hino do Colégio, também a quatro vozes, que mais uma vez arrepiou os pêlos da assistência, seguido de uma música castelhana com variante medieval. Atingiu-se assim o clímax no espaço onde repousava o poeta Luís, e o Carioca virara-se em pose triunfal para a assistência. Até onde iria o talento destes jovens estudantes do Colégio Militar, escolhidos a dedo para emprestarem a sua voz ao Orfeão Colegial? A resposta veio com as cancões seguintes, “Minha Amora Madurinha”, “Ó cigarra, cigarrinha” e “Pedro, Tiago e João num barquinho”.Uns anos mais tarde, e já graduado, o Dáni convenceu, nesta fase dos festejos, uma mãe dum rata a prolongar a festa pela noite dentro! 


 

Friday, September 14, 2012

O Comandante Guélas - Série Colégio Militar 18 - O Dérbi


Comandante Guélas
Série Colégio Militar

O dia do tradicional jogo de futebol entre os alunos e os cães…perdão, oficiais, aproximava-se, e já se sentia a emoção no ar. E como não podia deixar de ser, o Ramalho, barbeiro fanático da catedral da Luz que tinha colado no espelho um recorte de jornal que dizia “quem não é do Benfica não é bom chefe de família”, já estava confirmado e devidamente pago  pelos cães…perdão, oficiais. O Comandante do Corpo de Alunos (oficial) pedia para que não houvesse exageros, como aqueles que tinham acontecido durante as “Pinturas”, em que a porta de acesso à Soca (bar dos Oficiais), e paredes adjacentes, tinha sido grafitada com os restos das tintas, onde se podia ler “Bar dos Cães”, tendo por isso sido aplicada a pena de “detenção de fim-de-semana” a todo o corpo de graduados, uma vez que tinham assumido a culpa (“um por todos, todos por um”) pelo ato dos cinco responsáveis, para que procedessem a limpezas.

Algures numa sala do colégio decorria a aula de francês, ministrada pelo “François”, um professor proprietário de um aparelho auditivo. A brincadeira do dia era o “Jogo do Queijo”, e a vítima do momento o 664 (Barrada), que pertencia à Conferência, uma espécie de Opus Dei, que recolhia dinheiro no internato e ia depois entrega-lo a quem estava previamente assinalado como necessitado, que tinha ficado sem a sua “La Vache qui rit”, cujos pedaços cruzavam o espaço aéreo à medida que eram debitados os verbos “être” e “avoir”. Quando o produto acabou, a turma organizou-se e começaram a responder ao professor François em voz baixa, o que o levou a pensar que tinha o aparelho mal afinado. Com o indicador direito aumentou o volume do som, e nessa altura todos começaram a gritar, obrigando-o a desligar apressadamente o aparelho que apitava por todos os lados. O 120 (Cabedo) espremia as calças, depois de ter caído dentro da piscina que estava com água verde, após a  aula de equitação; o 191 (Peidão) tentava coser um botão, por isso trouxera a caixinha dourada com linha, agulha e dedal; o 601 (Gordini) ajeitava o T.P.C. de Ciências da Natureza, disciplina ministrada pelo Forreta, um feijão, que germinava dentro de uma lata de sardinhas, envolvido por um algodão húmido; o 121 (Pejó) simulava um galope; o 125 (Horrível) tentava espetar um canivete no chão. Na sala ao lado o Ferreirinha, com a sua eterna gabardina cinzenta, entusiasmava-se com o Camões:
- “As armas e os barões assinalados (e dava uma passa no cigarro Kart) / que da ocidental praia lusitana (nova passa)….
Mas alguém bateu à porta! Era mais uma visita surpresa do diretor, o que obrigou o professor de português a esconder a mão, com o cigarro, no bolso. O poeta zarolho continuou a ser o tema, mas as atenções da turma estavam agora viradas para o que se passava no bolso. Havia atividade, mas o Ferrari era um professor muito batido nestas andanças, por isso aguentou a pressão, e ainda conseguiu dar a última passa no Kart, após a saída do visitante.  
Na barbearia o árbitro, que já tinha sido corrompido, conforme a tradição, que nestes tempos era exclusiva do colégio, e depois generalizou-se ao país, com uma nota de 500 escudos, para que fizesse o possível e o impossível para os cães…perdão, oficiais, ganharem, estava à beira de um ataque de nervos, pois detetara que o 288 (Minhoca) trazia umas meias do Sporting, e por isso jurou vingança. Em vez de lhe cortar um “pente 4” como fora pedido, aplicou-lhe um “pente 2”, sem reclamação, pois caso o fizesse seria imediatamente presente ao Oficial de Dia, o capitão Espírito, por estar “indevidamente fardado”, arriscando-se por isso a sentir o calor da sua régua de madeira. Amor com amor se pagava, o futebol já neste ano longínquo de 1973 movimentava paixões.
O dia do Derbi da Luz chegou, no campo de futebol de 11 a assistência só tinha uma cor, cotim, e na altura da troca dos galhardetes, o alferes Santola foi presenteado com um soberbo osso de vaca, conseguido graças ao chefe das cozinha, que ultimamente andava um pouco stressado, pois de cada vez que saia das instalações tinha à sua espera uma multidão de alunos que o escoltavam até à portaria ao som de gritos: “Meia-Lua, Meia-Lua, Meia-Lua…”! E numa das vezes chegou a rebolar quando o pau que empunhou para arriar no 305 (Vinasse), o que estava mais à mão, encravou num ramo dum eucalipto, tendo-se desequilibrado. Quando o árbitro se preparava para dar início ao encontro apareceu a acelerar pela pista de atletismo, na sua Java 125, o senhor Patronilha, que foi de imediato contemplado com um cartão vermelho. Após este incidente o apito soou e deu-se início a mais um dérbi, onde houve pequenas escaramuças e um penalti marcado à última da hora, mão do guarda-redes dos alunos dentro da pequena área!
 

Monday, September 10, 2012

Camarada Choco 90 - Missão (quase) Impossível

Camarada Choco
Aventura 89

 
São Pedro, um Aparafusado celestial, nem queria acreditar que o Patrão lhe tinha enviado um dossier preto, sinal de que teria de ir fazer uma recolha difícil. Abriu a capa e, como do costume, a primeira folha tinha as coordenadas do local. Usou o Google e:
- Venteira?? Outro Desaparafusado? Já se está a tornar um hábito!
Virou a página e leu o perfil do candidato.
- Um mongão? E ainda por cima vem com pré-condições: deverá estar debaixo dum relógio e levar um ósculo na testa! Maldito destino, só complica o que é fácil!
Mas como o Patrão escrevia sempre direito por linhas tortas, a Dona Lucy, uma Aparafusada duvidosa, acabou por facilitar as coisas. Como não tinha espaço para alimentar a Trovoada resolveu tirar o emplastro da frente, dando-lhe um valente empurrão com uma perna. O Senhor Mongão, que já sonhava com mais uma tarde de luxuria com a Pirosa, acordou estremunhado e só parou debaixo do relógio do refeitório.
- Yes, metade já está feito, - gritou o Peter cosmológico, dando uns bónus à Dona Lucy.
O Senhor Mongão estava agora com um olho semiaberto, pensando ter-se tratado de uma investida precoce da sua concubina, mas deu de caras com a Lolita, que gritou:
- Arre, mas isso são maneiras de conduzir. Organiza-te!
A hora era de almoço, ou seja, a Dona Pilca impunha agora uma rígida disciplina militar.
- Hoje só comem dois tomates cada um, e se alguém quiser mais coma os seus, - gritou com os braços levantados, deixando cair os óculos no empadão de raspas de solha.
- Não precisas de gritar, os meninos ainda podem engasgar-se, - interveio a Pirosa, correndo para o Senhor Mongão com o prato do almoço, dando-lhe um ósculo na testa.
- Yes, missão cumprida, vinte créditos para a Pirosa, - exclamou o Peter celestial, ao mesmo tempo que enviava um sms ao Patrão. – “M ão a Kminho”!
Na sala do Senhor Mongão as relações com o Peixe-Espada não eram as melhores. Durante anos este fora obrigado a assistir, entalado numa mesa de pernas altas, às tardes de luxúria entre a Pirosa e o Senhor Mongão, uma espécie de canal, sem poder petiscar. Nestas alturas gritava e atirava com os lápis para o chão, sendo de imediato ameaçado pela Dona Lucy:
- Se continuas a portar-te mal envio-te em correio azul para a sala do Pintor.
O resto da história seguiu o guião escrito nas estrelas, e à noitinha o Senhor Mongão já estava a tomar um cafezinho com o Peter celestial, que já tinha um rumo para ele:
- Por teres sido um Desaparafusado tiveste uma boa vida, agora é altura de ires para a estiva, calão!
Noutra ponta do Cosmos o Peixe Espada esfregou os indicadores para a desgostosa Pirosa, como que dizendo, “agora és minha, logo à tarde vais ver quem é aqui o menino”!